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Região Matropolitana do Vale do Piancó

Localização e cidades que compoem esta região sertaneja.

José Brunet Ramalho

Primeiro Prefeito de Misericórdia.

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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Multidão acompanha sepultamento de Carlinhos

Sepultamento ocorreu no final da tarde desta segunda-feira.


Centenas de pessoas, entre as quais comerciantes, estudantes e funcionários públicos, acompanharam, no final da tarde desta segunda-feira, 21, o sepultamento do empresário Carlos Jean Tolentino, de 45 anos. Em um cortejo (foto) movido por acordes tristes da banda filarmônica Cônego Manoel Firmino, o corpo percorreu a Avenida Getúlio Vargas, centro de Itaporanga, e foi enterrado no cemitério local em meio a lágrimas de familiares e amigos.

Durante todo o dia desta segunda-feira, o corpo foi velado na residência dos seus pais, com os quais ele residia, na Avenida Getúlio Vargas.

Fundador e ex-presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Itaporanga e proprietário do provedor de internet Inforcopy, Carlinhos morreu por volta das 18h40 desse domingo, 20, depois que perdeu o controle do carro, que colidiu violentamente contra uma ponte na BR-361, trecho que cruza o sítio Jardim do Baião, a dez quilômetros da cidade de Itaporanga.

Carlinhos estava sozinho no carro, um Corsa Sedan. O empresário fraturou o pescoço e teve morte imediata. Ele trafegava em direção a Piancó, aonde iria ao encontro de amigos, conforme informação de familiares da vítima à reportagem da Folha.

Carlinhos é filho da comerciante Carmelita Paulo e do agropecuarista João Neto Tolentino, e irmão do vereador Lula da Farmácia e do gerente regional da Educação, Josias Tolentino. Ele era divorciado e deixou três filhos, que vivem com a mãe em Natal (RN).

Seu provedor, a Inforcopy, localizado na Getúlio Vargas, centro de Itaporanga, distribuía internet na cidade e região. Carlinhos era figura querida e solidária: era colaborador do jornal Folha do Vale e da Fundação José Francisco de Sousa, a quem havia doado, há dois anos, um computador completo e sinal da internet.

No comando da CDL, foi ele que iniciou a luta pela vinda da Caixa Econômica para Itaporanga e também trouxe a internet para a cidade. Carlinhos foi, ainda, secretário municipal de Indústria e Comércio na gestão de Antônio Porcino, e durante muito tempo manteve uma farmácia (Farmaerika) no centro da cidade.  


Luto no comércio de Itaporanga: depois de Carlinhos, morre mais um comerciante local

Juclean Ferreira sofreu um ataque cardiáco e morreu subitamente.


Dois estabelecimentos comerciais de Itaporanga amanheceram de portas fechadas nesta segunda-feira, 21. Depois da morte do empresário Carlos Jean Tolentino, de 45 anos, proprietário da Inforcopy, falecido no começo da noite do domingo, 20, em um acidente de carro, mais um comerciante local perdeu a vida prematuramente.

No começo da manhã desta segunda-feira, o proprietário da Casa do Trabalhador, Juclean Ferreira Leite (foto), de 40 anos, sofreu um ataque fulminante do coração e teve morte imediata.

Juclean estava em casa e preparava-se para ir ao seu estabelecimento comercial, quando se sentiu mal e foi ao banheiro, onde morreu subitamente.

A Casa do Trabalhador é uma das maiores vendas de materiais de construção da cidade e fica localizada na Avenida Soares Madruga, esquina com a Osvaldo Cruz.

Juclean era casado e tinha um casal de filhos pequenos. Seu corpo foi velado na residência dos seus pais, na Av. Soares Madruga, e sepultado na manhã desta terça-feira, 22. Foto: Marcos Oliveira. 

Publicado pelo Folha do Vale em 21-02-2011

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Chico Pinto Brandão


Começo da década de 40. Quem cruza o sítio Poço da Pedra e passa pela terra do pacato e benquisto Belmiro Pinto Brandão vai, inevitavelmente, avistar uma plantação de não mais do que dois hectares de fumo e, dentro dela, um jovem de aparência frágil, mas vigorosamente determinado. É um dos dez filhos do velho Belmiro. Seu nome é Francisco Pinto Brandão, mas dali a duas décadas terá o apelido de Chico Pinto e será o homem mais rico de Itaporanga.

Foi assim que começou um dos maiores comerciantes da região em todos os tempos: plantando, colhendo e vendendo fumo. A produção de Chico era juntada a que o pai comprava em Itaporanga e seguia em lombo de burros para o comércio de cidades do Rio Grande do Norte e da Paraíba, a exemplo de Sousa.

O gosto e a vocação pelos negócios herdou do pai: Belmiro comprava e revendia não apenas fumo, mas também algodão e couro curtido. Chico Pinto seguiu e alargou os passos paternos no ramo do comércio. Ainda era solteiro quando deixou o sítio para se dedicar ao mercado: o seu armazém foi montado inicialmente na Rua da Várzea, esquina com a Horácio Gomes, mas, anos depois, foi transferido para a Getúlio Vargas, esquina com a Osvaldo Cruz, onde funciona até hoje.

Poucos anos depois de montado, o armazém de Chico Pinto já era uma das maiores referências no comércio de estivas, cereais e bebidas da região, abastecendo dezenas de pequenos e médios estabelecimentos comerciais de Itaporanga e Vale.

Apesar da baixa instrução escolar (não concluiu o primário), era indiscutível sua habilidade para os negócios. Da prole de Belmiro Pinto foi o único que se fixou no comércio. “Meu pai não teve condições de formar todos os filhos, mas dois se tornaram médicos (Zé e Ulisses Pinto) e Chico entrou no comércio e foi bem-sucedido”, comenta o exprefeito de Itaporanga, Sinval Pinto, o único dos filhos de Belmiro a experimentar a política partidária.

Os outros filhos de Belmiro e Antônia Pinto de Sousa são Socorro, Lenice (falecida), Valdenir, Luzia, Terezinha (falecida) e Antônio Pinto. “Chico sempre foi um homem reservado, e nunca gostou muito de festa: eu me lembro que no carnaval de 1941, enquanto toda a juventude estava na folia, ele foi para o sítio”, recorda ainda Sinval. Talvez por isso tenha se casado somente aos 27 anos, um pouco tarde para o costume da época, mas o importante é que encontrou e conquistou a mulher (Maria Vanderli Leite Pinto) que o acompanha há 58 anos e lhe deu oito filhos.

Em 1967, Chico Pinto passou a residir em Campina Grande para que os filhos pudessem seqüenciar seus estudos, mas continuou no comércio e cresceu ainda mais nas décadas de 70 e 80, quando instalou a Antarctica em Itaporanga, uma das maiores representações da marca do sertão paraibano.

“Ele ficou entre Campina e Itaporanga, passava dez ou quinze dias aqui e igual período lá, até 1995, quando se afastou definitivamente do comércio por conta da idade e o entregou aos filhos”, informa Luiz Alvarenga, que há três décadas gerencia o armazém construído por Chico há mais de 60 anos e que hoje chama-se São Paulo e é de propriedade de Paulo Pinto, um dos seus dois filhos que também enveredaram pelo comércio.

O outro é Francisco, que, apesar de formado em medicina, a exemplo de três outros irmãos (Orlando, Murilo e Luciene), optou pelo ramo dos negócios. Os demais filhos de Chico são Lúcia, Luíza e Ernesto Pinto. Chico Pinto, que completará 85 anos no dia 20 de agosto, continua residindo com a esposa em Campina Grande. Apesar da idade avançada e de alguns problemas de saúde, está lúcido. A última vez que visitou Itaporanga, a terra onde nasceu e progrediu, foi em 2007.

Mas a terra que lhe de um prestígio e fortuna também teve suas recompensas: os empregos e impostos gerados por Chico Pinto e todo o capital que seu negócio atraiu para a cidade foram contribuições importantes para Itaporanga, embora os maiores investimentos de Chico tenham sido em Campina Grande.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A BUDEGA DE MANOEL VIRGULINO

Por João Dehon Fonseca

Sal grosso, açúcar e rapadura,
Querosene, biscoito e sianinha,
Feijão, arroz e também farinha,
Óleo de Peroba e até gordura,
Agulha, dedal e carretel de linha,
Isso nas prateleiras e no balcão,
Sem contar com bolacha e sabão,
Misturados naquele estripuliço,
Um anzol, uma vara e um caniço,
Prá aumentar mais ainda a confusão.

Um caixão de madeira bem no canto,
Onde o açúcar Seu Mané armazenava,
Era ali que a garotada brincava,
E esse fato causava muito espanto,
E quando Mané Virgulino cochilava,
A menineira no caixão caia,
Comia açúcar e o bolso enchia,
O barulho acordava o Virgulino,
Que gritava: sai daí menino...!
Infância boa e cheia de alegria.

Cocada misturada com corda de fumo,
Pão doce no depósito de anelina,
Corda de agave e agulha fina,
A bodega vendia até estrumo,
Comprimido, só tinha penicilina,
Seu Mané não era bem humorado,
Pegava ar e era malcriado,
Não gostava de pergunta idiota,
Pra elas sempre tinha resposta,
E nunca na vida ficava calado.

Evandro, um menino bem traquino,
Descobriu de Mané um fato raro,
Achou o fósforo um produto caro,
Seu Mané pegou ar com o menino,
Falou num tom franco e claro:
Seu dinheiro pra mim falta não faz,
Sua presença incomoda muito mais,
Mas lhe dou o estoque da farinha,
Se você fizer uma cabecinha,
De um desses palito. É Capaz?

Este fato pela rua se espalhou,
Todo mundo procurava o endereço,
Apenas para saber o preço,
Da caixa de fósforos, o valor.
Seu Mané que rezava muito o terço,
Começou pelo o cão a esbravejar,
Com a mãe de Evandro foi falar,
Pois todos da cidade perguntavam,
Quarenta palitos quanto custavam,
Isso fazia seu Mané no cão virar.

Tapioca com manteiga e coco,
Bolacha soda vendia muito bem,
Não precisava gritar aqui tem,
Porque Dona Regina fazia pouco,
O moleque de açúcar também,
Era outro produto ali vendido,
Mas eu tava ficando esquecido,
Que o fósforo ele deixou de vender,
Tentando fazer o povo esquecer,
De Evandro que o tinha ofendido.

Perguntar num faz mal e eu pergunto,
Seu Mané tem pão crioulo ou carteira?
Se tiver o senhor bota dois na feira,
E quero mudar logo de assunto,
Falando sério e sem brincadeira,
Uma caixa de fósforo quanto é?
Respondia com raiva batendo o pé,
Eu deixei de vender fósforo aqui,
Por conta do moleque de Aní,
Nunca mais vendo, em Deus tenho fé.

Tinta ocre, xadrez e muito cal,
Cimento misturado com feijão,
Do lado de fora olhando pro chão,
Dava prá ver todo aquele escambal,
Balança e pesos em cima do balcão,
Para pesar carvão e também fubá,
Nesse instante num quero nem pensar,
Na carne de charque que era magra e fina,
E bem do lado uma lata de creolina,
Que fazia a confusão aumentar.

Tudo você podia na bodega comprar,
Só fósforo ali não vendia,
Mas Nonato Biuta tinha mania,
De tirar dúvida e ali foi testar,
Esboçando certa simpatia,
Perguntou a Mané Virgolino,
Com educação e trato fino,
Aqui tem fósforo prá vender?
Vá embora! pra sua mãe eu não ofender,
Vá chatear seu pai, menino!

Foice, martelo, pua e roçadeira,
Inseticida e veneno de formiga,
Mato verde para acabar intriga,
Espoleta e também peixeira,
Erva doce para dor de barriga,
Fósforo não tinha nem de brinquedo,
Esse item ali causava medo
Era fácil encontrar até batina,
A glostora era a melhor brilhantina,
Mas Fósforo! Esse não dava enredo.

Agostinho que era meu melhor amigo,
Que na música era ás em cavaquinho
E não era um menino dos bonzinho,
Com um jeito que eu jamais consigo,
Foi até a bodega e com o seu jeitinho:
Se tiver fósforo eu quero uma caixa,
Mas logo ele leu uma faixa,
Onde estava escrito bem assim:
“Não vendo fósforo nem pra mim,
Quanto mais pr’essa gente baixa.”

Fazendo que nada tinha lido,
Agostinho insistiu: tem ou não tem,
Seu Mané ficou num vaivém,
E gritou: vá embora seu fudido,
Vou falar com seu pai também,
Não tenho fósforo nessa porra,
Seu filho de uma cachorra,
Ou acabam com essa brincadeira,
Ou termino fazendo uma besteira,
Fechando em Itaporanga essa zorra.

Barbante, escova e palito de dente,
Óleo de rícino e óleo de linhaça,
Cangalha prá jegue e até cabaça,
Contra o piolho tinha pó e pente,
Na esquina do balcão, servia cachaça,
Era uma miscelânea na mercearia,
Olhando de frente era uma agonia,
Não vendia a quem tivesse de pileque,
Mas para agente que era moleque,
Tudo aquilo era uma grande alegria.

Moleque de açúcar num frasco rodado,
Pirulito com gosto de limão,
Enfiador de agulha e botão,
Dobradiça, prego grande e cadeado,
Bota, chapéu, perneira e gibão,
Detefon bem pertinho do bacalhau,
Cabo de vassoura de vara e pau
Biscoito, tareco, bolacha e mariola,
Corda pra cavaquinho, banjo e viola,
Farinha de trigo e araruta pra mingual.

Mas o tempo rápido passou,
Hoje estamos todos adultos,
Uns bem de vida outros cultos,
Da infância só a marca ficou
Seu Mané foi um dos vultos,
Que fizeram a nossa cidade,
Hoje com muita tranquilidade,
Brinco em versos com sua zanga,
Parte da historia de Itaporanga,
História feita com felicidade.

Seu Manoel era um homem honrado,
Itaporanga toda lhe queria bem,
Sensato, cristão como ninguém,
Era enfim um homem respeitado,
Era bom pai de família também.
Criou seus filhos com educação,
José Virgulino era um bonachão,
Tinha uma que foi ser religiosa,
Valdemar era dado a uma prosa,
Darci, figura de bom coração.

Ainda tinha Bia e Antenor,
Mané Virgulino casou com Regina,
Que manteve na casa a disciplina,
Um casamento que cultuava o amor,
Nascer um para o outro é sina,
Coisa que hoje ninguém mais ver,
O casamento assim era fácil de manter,
A união durava a vida inteira,
A família era a base, era a esteira,
União assim, hoje é difícil ter.

Para terminar essa história,
Que aumentei, mas não inventei,
É cultura nossa e eu me esforcei,
Para o personagem ficar na memória,
Busquei a infância e até rimei,
Com pessoas que na mente eu tinha,
Como sou filho da Dona Dazinha,
Gosto de exaltar todo meu povo,
Lembrando de outro personagem novo,
Vou glorificar sempre a terrinha.

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