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terça-feira, 23 de junho de 2015

POEMA POUCO

(Onildo Sitonio)

Eu sempre sonhei construir um poema de amor!
Um poema quase sóbrio, de leve embriaguez, e perfeito... 
Mas, vale a pena transformar palavras em um poema completamente sóbrio, 
antipático e de senso crítico um pouco duvidoso?
Não seria, portanto, um poema meu.
Seria uma poesia de uma autoria qualquer, de um qualquer coração,
de um ser humano indefinidamente poeta, sem criatividade e autoridade,
despido da tenra glória de ser um escritor...
Um poeminha de um poetinha, sem falsa modéstia!

E, o que eu, ao sabor do acaso, discorreria sobre o amor?

Falar de amor, é um falar intravenoso, abissal até, da mais pura entranha cordial,
cheio de trejeitos e de trajetos capciosos, de acidentais percursos glamurosos,
de doces facetas, altruisticamente encravadas no âmago, mel puro de favos nobres,
ou amargas e ferinas recordações, fel puro do pior e mais acre fel...

O amor é pura consciência, um saber gostosamente sadio e belo,
um ideal formado e perpetrado nas mentalidades inocentes ,
viajantes em um espaço etéreo, tênue e prestes a se diluir
ao único meditar sobre o existir fortuito: luz e trevas,
imagens metafóricas do doce idílio empiricamente humano...

O amor é romance capa de revista, é a pública estereotipia cotidiana,
complicado e elaborado longa(ou curta) metragem, onde cineastas e atores
se misturam, numa paradisíaca fita sem pé e sem cabeça...

É o íntimo de dois seres, ou até mais, absolutamente inebriados e sôfregos de desejo,
cegos de prazer, ardentes de paixão, loucos por um momento único e vigorosamente 
seus.
Epílogo carnal de conseqüências (talvez) imprevisíveis!

O amor é um suave devaneio,caracteristicamente nuvem de algodão no céu do coração!
É uma tempestade de fim de tarde , com lama e frio contrastantes...

É um chamamento perene ao aconchego de braços, sensualmente desobrigados de hipó
crita sensualidade,
ou um vem cá meu bem desinteressado e desinteresseiro de fim de noite.

O amor é um se dar constante, um se doar eterno, um provável se deixar morrer pelo 
outro,
um carregar o peso da cruz e nela ser imolado, verdadeiramente sacrificado, sem temor
e com obstinação.
É chorar, copiosamente, no peito do irmão, lágrimas verdadeiras e sofridas, de indubitá
vel sentimento!

O amor é carne, sangue, derme, epiderme, rins, fígado, cérebro, olhos, nariz e boca!

É beijo, abraço, afago, olhares, carícia, calor de abraço, roçar de corpos, mistura de 
cores raciais, em um frenético atrito horizontal ou puramente vertical...

O amor é trabalho, em um trabalhar constante e estafante, anos a fio em prol da prole.
É sair de casa com o galo cantando e voltar com as galinhas já dormindo,
em um misto de volta e revolta por um dever quase cumprido, salário incompatível ,
missão desproporcional ao porte mental, espiritual e físico...

É fazer almoço, é lavar a roupa, é esperar para jantar e o outro não chegar...
E, resignadamente, guardar no forno tudo pronto, deitar e esperar.
É uma resposta sem pergunta... Um estranho adivinhar!

O amor é filho, irmão, pai, mãe, avós, amigos, conhecidos e desconhecidos próximos,
com os quais somos obrigados a conviver e pelos quais somos obrigados a orar,
em um padecimento próprio do cristão comprometido com o Deus Pai Criador,
na fé e na obra...

O amor é...tantas coisas mais ...
Um poema , assustadoramente, infinito.
Por isso, é que tão poucas pessoas escrevem, deveras, sobre a sua essência...
Ufa!
Atrevidamente, prazerosamente a isso me dispus....


terça-feira, 9 de junho de 2015

L E M B R A N Ç A

Onildo Sitonio

Quando eu tinha meus seis anos, lembro-me bem, como agora, 
Lourdinha de Zé Ferreira, chegou pra mim e me disse:
- Onildo, vim te falar, tô triste, visse,
que tua mãe ta chamando, pra ver teu pai
que tá ruim, já está chegando ao fim¨.
Era uma quarta-feira, de manhã, umas nove horas!
Eu estava lá no grupo, em cima da balaustrada,
com uma porção de meninos, quase todos lá da rua. 
Vestido com a parte de baixo e a parte de cima nua,
como era, da molecada, a vestimenta completa,
pra não dar muito trabalho, pra roupa pouca lavar,
pois roupa de muita gente, não há mãe que aguente,
e o sabão custa caro...precisa muito ganhar!
Estávamos, todos, sentados, no mais alto canto do muro,
assistindo ao desembarque, de um monte de bois pé-duro,
que sempre desembarcavam aproveitando a calçada 
que era alta e comprida, um lugar bem ideal,
uma parte da estrutura do Grupo Simeão Leal. 
Foi uma manhã de agonia!!!
Eu nunca esqueço esse dia!!!
Corri pra casa, chorando, desesperado, coitado!
Muita gente lá em casa, como já era esperado,
pois meu pai, que Deus o tenha, era um homem prezado!
Quem conheceu Zé Sitonio, homem probo e de bom conceito,
que só fazia o bem, na vida impunha respeito,
mas, teimoso como uma mula, a ninguém queria ouvir.
Isso fez minha irmã, Terezinha, vir lá de Campina Grande,
somente para buscar, num automóvel fretado,
meu pai para se tratar com uma melhor medicina.
O homem não quis saber, de viajar como estava!
Pra ele ¨passava¨ bem , de nada reclamava!
Tendo o Doutor Balduíino, de sua plena confiança,
a lhe dar o tratamento, não pensava em outro médico.
Esse já lhe bastava!
Ledo engano, meu amigo!
Mesmo com toda a ciência, que Deus deu ao Doutor,
meu pai tinha um tumor, se não me engano, no fígado.
O recurso era pequeno, tinha de levar pra fora.
Mas, ele, com a teimosia, dizia chegou a hora.
Não adianta tentar, pois eu sei que vou morrer!
A doença me pegou, e não há no mundo Doutor
que consiga me curar!
Quem conheceu esse homem, 
vai se lembrar do momento, da passagem do meu pai:
um grande acontecimento!
O s vizinhos lá da rua, nossa Cinco de Agosto,
ali todos reunidos, em solidariedade, 
pois o velho era querido, ia deixar saudade. 
Seu Zé Ferreira, Seu Polidoro, Seu Pedro e dona Ana
Seu João Crizanto, dona Nita, Raimundão e Nazinhão, 
a minha tia Teté, seu compadre Pedro Môco
Natércio e Joaquim Barbosa, a minha madrinha Ilma
(talvez sua irmã Mará e o povo de Dona Brígida).
Tinha um monte de gente, não dá para me lembrar!
A todos eu perguntava, se o meu pai ia morrer.
Mas eles me respondiam, que ele ia ficar bom.
Uma mentira bondosa, pra não me apavorar!
Mas meu coração pequeno, de menino inteligente,
já estava adivinhando qual seria o resultado:
o quadro estava pintado, não precisava falar.
Lembro-me bem do instante, que o velho faleceu!
Quem estava lá, se lembra, como tudo aconteceu.
Ficava ele deitado, em uma cama patente, 
bem no pé da janela, que dava para a sala. 
Era perto de meio dia!... 
Começou a agonia, aumentou o chororô!
Minha mãe em uma rede, com os meus irmãos pequenos,
Beba e Pililiu, um chorando e outro batendo
no rosto de minha velha, para ela parar de chorar, 
Era tamanha inocência, pobrezinho nem sabia 
o que ali acontecia!
Ele, do jeito que vi, com uma perna arqueada,
e a outra estirada, sobre o colchão de palha,
deu um último suspiro, a perna desarqueou,
entregou o seu espírito, ao Deus, Nosso Senhor. 
O Padre Zé, na missão de dar a extrema-unção,
o meu pobre pai benzeu, a sua ‘alma encomendou.
Pra completar o cenário, eu, no meu pensar de menino
fiquei em cima da casa, quase me torno assassino,
jogando pedra no povo, que chegava pro velório.
Talvez, querendo proteger o corpo querido do pai,
no meu pensar ilusório!
Vê se pode uma coisa dessas!:
o povo querendo entrar, pra cumprimentar a viúva,
e eu na minha tolice, querendo botar pra fora!
Era o fim da história, de uma vida igual,
de um homem que viveu, como qualquer ser normal!
Cuidou da casa, dos filhos, dando a sua providência
com o que Deus lhe dava,
sem achar nem ruim nem bom,
tudo a ele saciava.
Deixou-nos órfãos na vida, uma casa de morada, 
muito trabalho pra Dona Iaiá, que pra criar seus três filhos
muito teve de penar.
Uma outra lembrança inglória, da morte e do seu enterro,
foi quando, no cemitério, lembro como se fosse hoje:
o coveiro a cova abriu, e o caixão colocou...
Uma banda de tijolo por sobre ele jogou...
Foi a primeira coisa que sobre ele caiu!
Só não sabe quem não viu! 
Ou quem também não notou! 
Doloroso demais!
Nunca apaguei da lembrança, por mais que me esforçasse
nem quando fiquei rapaz. 
Essa é uma história verídica, da aurora da minha vida,
da minha infância sofrida, que passei em Itaporanga,
o meu caro torrão natal.
Nem por isso, minha gente, por tudo que lá passei,
deixei de amar a cidade, pois lá foi que me criei!
Lá tenho os meus amigos que nunca esquecerei!
Tenho certeza, que um dia, ao meu ¨amor¨ voltarei!
Lauro de Freitas, 08 de Junho de 2015.

sábado, 9 de maio de 2015

Mensagem

(Odlino Arievilo Oinotis)

Parem , no minuto seguinte
e examinem a outra face
a fase desmembrada do cortejo temporal
do homem alucinado!

Atravessem as trevas loucas e espionem as montanhas,
cogumelos verde-amarelos famintos
ajustados numa progressão piramidal,
inclinados para o poente
vermelho, rubro , quase noite,
embora o vento favoreça todos os pontos!

Amenizem a morte estúpida da ave-tola
que não mais cantou
na porta do viveiro experimentado
e as suas penas expiraram, no sentido perverso do medo demagógico!

Catem todos os lixos dos burgueses deslumbrados,
acobertados pela vã filosofia de um ser para cada ter,
quando o ter nem sempre corrobora o verdadeiro enigma do ser!

Sepultem as idéias dos cérebros calcinados pela maldade aristocrática
dos grandes feudos submundanos, das oligarquias periféricas,
desastradamente cosmopolitas e desagregadoras, animalescas e exploradoras
dos paupérrimos proletariados descontentes, incompetentes e inoperantes!

Violem todos os jazigos dos falsos e parasitas do poder,
que, apoiados por uma classe esplendidamente subalterna e subserviente,
dilapidaram, sorrateiramente, o rico erário das nações subdesenvolvidas
cretinas e subjugadas da nossa pobre América latrina!

Critiquem todos os programas de ajuda desumanitaria , que só ajudam matar a fome de podres poderes,
e desorganizem as famigeradas e grotescas invasões
sem um mínimo sentido pratico, das grandes fazendas geradoras de renda e emprego,
por uma classe sem vergonha da sua própria hipocrisia, comandada por parvos
e parcos ladrões da consciência miserável, dos imbecis sem terra e sem teto!

Desarrumem todos os armários e gavetas, dos arquivos das burocracias displicentes
geradas nas entranhas dos quadros quadrados, das ditaduras populares e populistas
dessas pseudo democracias abstratas, dessas pseudo siglas de pseudo esquerda,
proliferantes em todos os territórios (des) governados por canalhas travestidos de anjos
porta vozes de um absolutismo coronelista, disfarçado por um ativismo sindical ,
preponderantemente desonesto , factual e desabonador de conduta social!

Lavem, pelo amor de Deus, os sangues derramados nas calçadas imundas
das ruas desertas e descalças das favelas abandonadas e esquecidas, nas sujas
metrópoles,
jorrados através dos buracos diametralmente formados por balas fardadas e fraudadas
no insigne vai e vem das patentes alojadas nos quartéis desqualificados da policia tupiniquim!

Saciem , pelo amor de NSJC, a fome desses famintos abomináveis bolsas-familia,
que não servem mais para nada do que simbolizar um parafernálico país,
onde o pedir e o precisar valem mais do que o trabalhar e o produzir,
onde a miséria decadentissima sugere mais sufrágios que a racionalidade de classes!

Desobstruam os esgotos das grandes vias das enormes cidades,
verdadeiros escoadouro das vaidades , injúrias, gulas, traições, iras, invejas apocalípticas, covardias, adultérios, mentiras de todas as formas e tamanhos,
praticados nos escurinhos dos cinemas e embaixo dos lençóis alvos e caros da aristocracia decadente!

Cuidem, orem, salvem, libertem, os nossos jovens das masmorras dessa sociedade
pervertida e idólatra, que os oprime em todos os segmentos , e os excluem
dos processos sócio –educatvos democráticos do mundo hodierno,.
empurrando-os para um caminho degenarativo das mentalidades mediocrisadas
dos meros conceitos do ¨está bem assim , deixa estar assim¨!

Matem esse leão assassino, essa besta audaz, que cerceia os nossos movimentos ,
voraz, a comer nossos cérebros, numa antropofagia desgastante,
epilogando as idéias nos morredouros das margens virgens!

Afinal, afrouxem os laços dos pescoços dos indivíduos que estrebucham,
balançando, em cada ponta de cada corda, estendida nos varais da existência
profundamente corroída pelos atos inconcebíveis e inconseqüentes
gerados nas vísceras descarnadas dos quartos impuros e infectos
da pobreza fabricada nas choupanas semidestruidas pelo vento
que sopra das brasílias adormecidas!

Cruz das Almas, 08 de novembro de 2010

quarta-feira, 6 de maio de 2015

PRESENTE DE BARRIGA

Tem muitos maridos que
Gostam de humilhar a esposa
Mas quando menos espera
Ela faz a mesma coisa
Como se deu certa vez
Com Manoel Juarez
E sua esposa Isabela
Ele tentou lhe humilhar 
Mas depois sem esperar
Foi humilhado por ela.

Ele era brasileiro
Nascido em Minas Gerais
Onde nasceu e cresceu
Com os irmãos e os pais
E sua esposa Isabela
Morena bonita e bela
Educada e cortês
Nasceu no país da gente
Mas era certamente
Descendente de inglês

Com dois anos de casado
Ainda não tinha tido
Nem uma querida filha 
E nem um filho querido
Isabella resolveu
Visitar os parentes seu 
Lá em Londres na Inglaterra 
Aí disse ao marido:  
- Ou meu benzinho querido                                                            
Eu vou rever minha terra!

Vou a Londres visitar
Minha família querida
Que eu não a vejo desde
Os meus seis anos de vida.
Eu voltarei brevemente
E quero trazer um presente
Para te dar com prazer
Desses que nunca se estraga
O que você quer que eu traga,
De presente pra você?”

Pra fazer ciúme a ela
Ele respondeu assim:  
- Meu bem traga de presente 
Uma inglesinha para mim.
As inglesas são tão belas
Traga pra mim uma delas
E traga a mais bonitinha!
Ela disse bem contente:  
- Eu vou trazer de presente
Pra você uma inglesinha!

Ela comprou a passagem
E pra Londres viajou
E mais ou menos seis meses 
Por lá ela demorou
Depois comprou a passagem  
E regressou da viagem
Para o seu doce lar
Manoel esposo dela
Foi todo feliz por ela
No aeroporto esperar.

Quando o avião chegou
Ele viu o rosto dela
Na janela do avião 
E foi dizendo pra ela
Todo feliz e contente:  
- Querida trouxe o presente     
Que disse que ia me dar? 
Disse ela: Com prazer,

Quando do avião descer
Meu bem, eu vou te mostrar!
Quando desceu do avião 
Ela mostrou para ele
A barriguinha crescida
E disse na cara dele:
- Aqui dentro tá o presente           
Que eu trouxe bem contente 
Pra você, da terra minha,
Agora vamos torcer
Para que quando nascer
Seja uma inglesinha. 
J. Souza

quinta-feira, 12 de março de 2015

Os últimos defensores de uma tradição genuinamente nossa

A Cantoria resiste às transformações culturais da sociedade sertaneja 

Por Sousa Neto/Folha do Vale - Final da noite dessa sexta-feira, 2: no Bar de Tota, no centro de Itaporanga, os poetas repentistas J. Sousa e Nelma da Silva enchem a rua vazia de versos feitos na hora e amarram boas rimas embalados pelos acordes das violas, mas prendem poucos expectadores.

Ignorada pelos livros didáticos, relegada pela mídia comercial e esquecida até pela escola, a Cantoria agoniza, apesar de genuinamente paraibana e uma das mais ricas expressões poéticas do interior nordestino.

Nascida possivelmente na Serra de Teixeira, no final do século 19, a Cantoria foi, durante muitas décadas, o maior evento artístico da sociedade rural sertaneja, e também conquistou a cidade, atraindo gente e revelando valores como Pinto de Monteiro e tantos outros, mas perdeu força com o processo de urbanização, a chegada da TV, do vídeo e do disco.

Hoje há poucos cantadores, e o público da Cantoria é também cada vez menor, mas seus atores e defensores não se rendem: alimentam com suas rimas a tradição cultural que de tanto brilho poético povoou as noites dos nossos antepassados.

sexta-feira, 6 de março de 2015

O Mundo em frente e verso


O itaporanguense de coração e poeta por vocação, J. Sousa, um excelente cordelista que é colaborador do Portal do Vale (www.portaldovale.net) lançará nesta sexta-feira, 21/10, na nova sede do jornal Folha do Vale/Fudação José Francisco de Sousa, na av. Padre Lourenço, 302; o seu mais recente trabalho: O Mundo em frente e verso.

"O Mundo em Frente e Verso é uma obra do cordelista J. Sousa e foi publicada pela fundação José Francisco de Sousa com o apoio do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel, conquistado em concurso nacional" (Folha do Vale).


O evento, que também marca o Dia do Poeta (20/10) será aberto a todos os que receberam o convite, distribuido pelo jornalista Sousa Neto criador e mantenedor do jornal e da fundação. Dois mil exemplares serão distribuídos gratuitamente em bibliotecas e a estudantes em nossa região.

www.portaldovale.net

terça-feira, 3 de março de 2015

CHICO PINGUNÇO

Autor, J. Sousa
  
Conheci Chico Pingunço
No sertão do Piuí
Foi o maior cachaceiro
Que até hoje eu conhecí
Era um degenerado
Só vivia embriagado,
E repartia a semana
De uma maneira vulgar
Dois dias para jogar
E cinco pra beber cana.
  
O dinheiro que ganhava
Não dava nem para as cachaças
Quando bebia, caía
Pelas sergetas das praças
E por lá mesmo dormia,
Somente no outro dia
Era que em casa chegava
E com a ressaca da cana
O restante da semana
Sem fazer nada passava.
  
A mulher lavava roupa
Dos outros para ganhar
O arroz e o feijão
Para fome não passar
Trabalhando todo dia
Coitadinha, conseguia
Trazer pra casa o pão,
Apesar de um olho cego
E o Chico não dava um prego 
Numa barra de sabão.
  
E além de não trabalhar
Comia o que ela ganhava
Nem nas tarefas de casa
O infeliz ajudava
Ao invés de trabalhar
Vivia de bar em bar
E também em banca de jogo
Na ruindade era um herói
Desses que não se destrói
Nem mesmo tocando fogo.

Como eu já disse, o Chico
Quando bebia, dormia
Pelas praças e calçadas
Só vinha no outro dia,
Mas sabe o que aconteceu?
Um dia ele bebeu
Uma cachaça da pesada
Mas não foi dormir na rua
Voltou foi pra casa sua
Três horas da madrugada.
  
Nessa noite aconteceu
Uma coisa engraçada
O que ele fez com a esposa
Foi mesmo uma piada,
Quando em casa chegou,
Bateu na porta e chamou
A esposa, aborrecido,
Ela saiu cochilando
Pois por ele espeando
Inda não tinha dormido.


Quando ela abriu a porta
Ele entrou embriagado
Aí ela perguntou:
"Onde tava, desgraçado?
Por que vem chegado agora?
Tava por aí afora,
Atrás de prostituir?
Eu não fui nem me deitar
Esperando tu chegar
Pra eu pode ir dormir!"
  
Quando ela disse isso
O Chico se levantou
E com a voz alterada
Pra ela assim falou:
"Eu estava era na luta,
Não atras de prostituta
E não quis me aproximar
Fiquei foi em pé ali,
Esperando tu dormir.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Poesia de poeta Itaporanguense é selecionada e faz parte de Projeto Cultural no estado da Bahia

A droga é uma droga" poesia de poeta Itaporanguense é selecionada e faz parte de Projeto Cultural no estado da Bahia.




O poeta e cabo da Polícia Militar da Paraíba Nicário Palmeira Honorato - O Poeta do Oiti -, mais uma vez foi reconhecido nacionalmente como um dos grandes colaboradores culturais do nosso Brasil; sua arte, seu talento mais uma vez transbordou as fronteiras do nosso estado alcançando rumos inimagináveis, para o pouco tempo de carreira desse artista itaporanguense que dentro de um ano já recebeu vários títulos e condecorações que se somam ao grande trabalho que ele vem fazendo, resgatando de uma forma brilhante a cultura do cordel no nosso estado.

Ee foi com todo esse talento que um dos seus trabalhos foi escolhido para fazer parte do projeto "Semeando Cultura de Paz na Escola" na cidade de Jequié no estado da Bahia, mostrando que nossa cidade tem um grande potencial artístico e cultural que precisa ser mais valorizado. 

E a nossa Polícia Militar de Paraíba sem duvida deve se orgulhar de ter nos seus quadros uma pessoa que só enaltece o nome dessa grande instituição e mostra de uma forma incontestável que a polícia não vive só de força bruta que também tem homens capazes de trabalhar com a sua inteligência para combater de todas as formas os grandes males que assolam a nossa sociedade. 

O Poeta do Oiti
Teve seu primeiro trabalho publicado em setembro de 2010 apesar do pouco tempo de carreira já recebeu vários títulos e homenagens

Seleção Nacional 07/04/2011
Teve um dos seus trabalhos selecionado e publicado pela revista e pelo portal da revista Mundo Jovem

Sócio Acadêmico 29/04/2011
Academia Literária Cultural Artística de Itaporanga

Artista Conterrâneo 03/06/2011
Concedido pela FIP Faculdades Integradas de Patos-PB

Apresentação 11/06/2011
Foi aplaudido pelo governador da Paraíba e por varias autoridades e presentes na caravana do orçamento democrático em Itaporanga-PB]

Fogueiras da Cultura 19/06/2011
Abriu as apresentações da fogueira cultural da secretaria da cultura do estado da Paraíba em Itaporanga-PB

Votos de Aplausos 04/08/2011
Concedido pela Assembléia Legislativa da Paraíba

Projetos Culturais 21/10/2011
Teve um dos seus trabalhos selecionado para fazer parte do projeto “Semeando Cultura de Paz na Escola” na cidade de Jequié-BA

Ao meu ex-professor Ivo Filho

O homem diz asneiras,mas a educação o lapida;o homem sofre,mas o conhecimento o retém;o homem pensa,mas a dedicação é quem constrói;o homem se ilude,mas o professor o estimula.O Diocesana educa,conhece,dedica e com seus mestres constrói Itaporanga.

Itaporanga tem homens e O Diocesano.Bravo Diocesano,esplendor de Homens,bravo também foram os gritos perfectivos de seu primeiro astro,Padre Zé.Bravos são os desígnios de seus maiores heróis,raros professores,que construíram com a parte imaterial o mais material de um vitalício conhecimento.Bravos são seus súditos que percorrem o mundo a proferir:chegou minha vitória,pois conquistei a luta.Bravo Diocesano,pai unívoco do próximo menino próspero,mãe derradeira e presente do ato de educar.Bravo Diocesano,não é corredores vazios à procura de pedestres;não é agiota disfarçado na ânsia do dinheiro;não é prostituas em busca de chagas;não é bar soluçando seus vícios;não é álcool delirando seu corpo.Oh Diocesano!És a primazia do educador sertanejo,és o coração do Vale alagado de tradição,és o pavio da vitória do saber.

Diocesano de Zé,de Maria,de João ,da Mata,da Tia,de Bidia,do Povo.Palco maior dos discursos acadêmicos,o berço vai à praça.Serra conhecedora dos bravos plantadores de arroz que também construiu esse bravio palco.Diocesano das três bandas:não foi com a banda está com os músicos .Diocesano da palavra,da gráfica que imprime tanto saber.Diocesano dar a mão,usa a mão no esporte:é tradição.Diocesano da “caxa”,da água que mata a sede de seus sublimes alunos.

Diocesano: professor, médico, advogado, juiz, contador, construtor, artista, padre, político, policia, dentista, pai e mãe de Itaporanga. Ginásio, Colégio Diocesano Dom João Da Mata do Padre Zé.
Ex-aluno do Diocesano e de Ivo Filho

Publicado No mural do Itaporanga.net em 04/09/2007

domingo, 1 de março de 2015

Homenagem a Padre Zé - III

Continuação...


Eu mesmo participei 
Daquela celebração 
Lembro que tinha uma pedra 
O marco da construção 
Ele mostrava pra gente 
Feliz e muito contente 
O lugar da fundação 
E já na segunda feira 
Ele contratou alguns pedreiros 
E começou cavar o chão. 

E desse dia pra cá 
Sua obra começou 
O sonho de muitos anos 
Do papel se transformou 
Em coluna de concreto, 
Ferro e outros objetos 
Que a construção exigia 
E ele pra lá e pra cá 
Mais não deixava faltar 
O que os pedreiros queriam. 

A obra continuou 
E os pedreiros animados 
Os carpinteiros também 
Que ganhavam o seu trocado 
Só que um imprevisto aconteceu 
As estruturas se romperam 
Da Igreja do Rosário 
Com o tempo veio abaixo 
Sorte que estava vazia 
Se não tinha sido um desastre. 

Mais um grande desafio 
Que Padre Zé enfrentou 
Teve que parar as obras 
Lá do Cristo Redentor 
Ele a cabeça coçava 
Não sei o que nela passava 
Qual era o seu pensamento 
Era preocupação 
De ver a igreja no chão 
Onde celebrou tanto tempo. 

O Padre nunca foi homem 
De esmorecer, nem fraquejar 
Trouxe pedreiro e servente 
Todos do Cristo pra cá 
Pra retirem o entulho 
Sem fazer muito barulho 
Pra os vizinhos não incomodar 
Mais uma nova batalha 
Na sua vida de luta 
Ele teve que enfrentar. 

Era mais um desafio 
Que em sua vida surgiu 
Reconstruir a igreja 
Que com o tempo caiu 
O Padre ficou meio triste 
Parar as obras do Cristo 
Não estava nos seus planos 
Mais se Jesus quis assim 
O Cristo pode esperar 
Mais uns quatro ou cinco anos. 

E foi assim que ele fez 
A obra do Cristo parou 
Todo preocupado 
Pra velha igreja voltou 
Não sei mais por quanto tempo 
Só sei que do mesmo jeito 
A nossa igreja ficou, 
Não ficou nada manchado 
Até a velha fachada 
Com a mesma tinta pintou 

Mais um obstáculo vencido 
Na sua vida de luta 
A igreja estava em pé 
Às vezes a gente ainda escuta 
Quando alguém olha e comenta 
Padre Zé trouxe a semente 
Do trabalho e semeou 
Aqui em nossa cidade 
Só temos prosperidade, 
Trabalho, paz e amor 

Foi isso que Padre Zé 
Nessa cidade plantou 
Sementes que deu bons frutos 
Tudo sempre prosperou 
Posso dizer para vocês 
Ninguém faz o que ele fez, 
Porque ele fez com amor 
Hoje a cidade agradece 
E todo mundo reconhece 
Os feitos de um benfeitor 

Não foram só as grandes obras 
Que ele realizou 
Também a banda de música 
Que pra nós ele deixou 
Cônego Manoel Firmino 
Eu ainda era menino 
Ao ver ficava encantado 
Um deles eu queria ser 
Mais nunca tive o prazer 
De ter um instrumento dourado 

Hoje eu sinto saudades 
De quando a banda desfilava 
Cinco horas da manhã 
Nas avenidas passava 
Eles tocavam nos ritmos 
Aqueles toques bonitos 
Que as pessoas encantavam 
Todos ficavam contentes 
De ver Padre Zé na frente 
E a banda acompanhava. 

Outro presente que o padre 
Pra nós resolveu deixar 
Para prestar os serviços 
Aqueles  que precisarem 
Serviços de impressão 
Livro, cordel e cartão 
Ninguém fazia melhor 
Do que Paulo, Chico e Sales 
Que trabalhavam na gráfica 
Do Vale do Piancó 

Assim o tempo passava 
Um ano entrava e outro saia 
Padre Zé muito insistente 
Ele nunca desistia 
De realizar seu sonho 
Era ousado, mais possível 
Era o que ele dizia 
Mais à vontade dele era ver 
Aquela estatura se erguer 
Pouco a pouco, dia a dia. 

E recomeçou a obra 
Com muita dificuldade 
A passos de tartaruga 
Só mesmo com a vontade 
Porque dinheiro não tinha 
Quando entrava qualquer quantia 
Que os dizimistas pagavam 
Ficava sem seu salário 
Mais pagava aos pedreiros 
Que no Cristo trabalhavam 

E assim dessa maneira 
Muito tempo se passou 
Mais um homem que tem fé 
Jesus sempre lhe ajudou 
Ele era muito otimista 
Com as pessoas pessimistas 
Ele nunca se importou 
Levava seu sonho em frente 
Vou mostrar pra essa gente 
O santo Cristo Redentor 

Mais o tempo se passou 
E seu sonho aconteceu 
A estatua estava pronta 
Eu sei o quanto ele sofreu 
Trabalhou anos e anos 
Sonhava e fazia plano 
Pra tudo isso acontecer 
Fez tudo com muito amor 
E a Jesus nosso Senhor 
Só nos resta agradecer. 

Ele era muito feliz 
Achava-se realizado 
Porque fez tudo que pode 
Para o bem dessa cidade 
E hoje o povo agradece 
Trabalhador dessa espécie 
Nunca vai existir dois 
Se existi não sei quem é 
Vivemos em torno de Padre Zé 
Antes, durante e depois.

Como tudo na vida passa 
Também seu tempo passou 
Com a velhice veio o cansaço 
Sua vista também faltou 
Mais ele não se entregava 
Da sua igreja cuidava 
Como ele sempre cuidou 
Só que o Bispo viu a necessidade 
De mandar pra essa cidade 
Outro padre sucessor. 

Mandou um padre pra cá 
Para substituir 
A lenda de todos os tempos 
Que já passou por aqui 
Foi o homem que mais fez 
Mais chegou a sua vez 
E a hora de parar 
Ele com muita tristeza 
Entregou a nossa Igreja 
Ao Padre Deuzimar. 

Ele não era mais o pároco 
Mais ainda celebrava 
Com muita dificuldade 
Sua vista lhe faltava 
O missal ele não via 
Mas lá na gráfica fazia 
Um jornal especial 
Que desse pra ele vê 
As letras grandes ele lê 
Tudo saia legal 

Ele estava na igreja 
Quase todo santo dia 
Quando ele não celebrava 
A missa ele assistia 
Ele ficava a vontade 
O Padre novo deixava 
Ele fazer o que quisesse 
Respeitava a sua idade 
E também suas vontades 
Do saudoso Padre Zé 

Isso foi por pouco tempo 
Logo ele adoeceu 
Mais a Dona Petronila 
Ligeiramente socorreu 
Levando para João Pessoa 
Ele com a aparência boa 
Com a gente ainda brincava 
Mais os médicos já sabia
Que o caso era de morte 
Logo, logo nós deixaria 
Fizeram todos exames 
Que a medicina exigia.

Ele teve uma melhora 
Voltar para casa queria 
Ficar perto dos amigos 
Ele era muito querido 
Tinha gente todo dia 
Mas agente só visitava 
Quem mesmo dele cuidava 
Era Dona Petroníla. 

A doença de Padre Zé 
Preocupou a cidade 
Todo mundo entristeceu 
Não se falava mais em nada 
Só em rezar e pedir a Deus 
Ajuda esse filho teu 
Que tanto nos ajudou 
Escuta a nossa voz 
Não tira ele de nos 
Te pedimos por favor 

Fizemos preces e mais preces 
Mais de nada adiantou 
Jesus precisava dele 
Por isso ele chamou 
Para ficar do seu lado 
Seu lugar tava reservado 
Do lado do Nosso Senhor 
No céu ele ia morar 
Sua hora vai chegar 
Infelizmente chegou. 

Dezenove de setembro 
Do ano dois mil e seis 
Nunca esqueci essa data 
Também nenhum de vocês 
De tudo que se passava 
Os sinos todos tocavam 
E a cidade toda entristeceu 
E todo mundo acordava 
Uns aos outros falavam 
Nosso Padre Zé morreu. 

Foram momentos de tristeza 
E de muita comoção 
O Vale todo chorava 
A morte de nosso irmão 
Que foi deixando saudades 
Tirando a felicidade 
Daqueles que o amavam
Deus fez o que era certo 
Se levou ele pra perto 
E porque Ele precisava.

Já estava consumado 
Do jeito que Deus pensou 
Sua missão aqui na terra 
Ele cumpriu com amor 
Não deixou nada a desejar 
Só nos só resta sepultar 
Onde ele sempre sonhou 
Foi feito a sua vontade 
Padre Zé foi sepultado 
Nos pés do Cristo Redentor 

Agora tudo acabou 
Só nos resta agradecer 
Ao homem que nos ensinou 
A honestamente, o viver 
Dele só resta à saudade 
Com muita dignidade 
De quem viveu sempre a dizer 
Sonhar nunca foi pecado 
Se a vida não tiver sonhos 
Não adianta viver 

Também quero agradecer 
A quem dele cuidou 
Que Deus possa abençoar 
Mais do que já abençoou 
Dando-lhe saúde e paz 
Pra que ela possa fazer mais 
Se alguém um dia precisar 
Que essa luz sempre brilhe 
Na vida de Petronila 
E nunca vai se apagar 

Agora vou terminar 
Esse pequeno cordel 
Quem sabe um dia o encontramos 
Quando chegar lá no céu 
Ai poderemos conversar 
Dos velhos tempos lembrar 
Que isso foi o destino 
Nossas vidas é uma passagem 
Essa é uma pequena homenagem 
Do poeta Bernardino 

Homenagem a Padre Zé - cordel do poeta Bernardino Pinto

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