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terça-feira, 3 de março de 2015


Disponibilizamos em e-book, o mais recente trabalho do poeta itaporanguense Bernardino Pinto. 


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cordel: A chegada de Padre Zé no Ceu


O cordel A chegada de Padre Zé no Céu do jornalista e escritor itaporanguense Souza Neto e o primeiro trabalho digitalizado em forma de e-book (livro eletonnico) disponivel no site para download (baixar).

Foi grande festa nesse dia 
E a noite inteira também 
As trombetas da alegria 
E os anjos cantando amém 
Com flores, manjar e mel 
Desde a porta da entrada 
Foi majestosa a chegada 
De Padre Zé ao Céu. 

Santos vibravam de alegria 
E em um altar de encanto 
José, Jesus e Maria 
Esperavam o novo santo 
O Céu de grande amor 
E de brilho se reveste 
A casa do Pai Celeste 
Ganha novo morador. 

Assim que Deus convocou 
Padre Zé a descansar 
Ele logo recomendou 
A São Pedro preparar 
Uma festa sob medida: 
E capriche, Pedro, porque 
O Céu hoje vai receber 
Uma alma muito querida. 

19 de setembro, o dia 
Dois mil e seis foi o ano 
O sino em agonia 
12, hora do desengano 
E enquanto os rebanhos seus 
Aqui na terra choravam 
Festões se realizavam 
Dentro da Casa de Deus. 

Ante a Virgem Imaculada 
E o seu filho Jesus 
Em sua nova morada 
Rodeado por muita luz 
Padre Zé entrou feliz 
E como se fosse um sonho 
Avistou logo padre Sitonho 
Junto com padre Diniz. 

Abraçou emocionado 
Os colegas de batina 
Por outros foi abraçado 
E muita gente divina 
Esperava a ocasião 
E foi alegre reboliço 
Quando avistou Padim Ciço 
Ao lado de Frei Damião. 

Espalhou-se por todo canto 
A notícia do festão 
São Tomé a outro santo 
Pergunta com admiração 
Por que festa de tanto dote 
Para um homem igual 
Que não é papa nem cardeal 
Mas um simples sacerdote? 

São Judas ia passando 
Quando a conversa escutou 
Tomé muito que questionando 
Por que todo aquele louvor 
Dedicado a Padre Zé 
Judas não contou demora 
Correu à Nossa Senhora 
E entregou São Tomé. 

Santa Maria e São José 
Na mesma ocasião 
Convidaram São Tomé 
Para uma reunião 
E por fim na heresia 
Pois se Cristo, assim, quis 
É porque Sinfrônio de Assis 
A maior das festas merecia. 

Maria disse: Tomé 
Não descreia os próprios seus 
Sabia que Sinfrônio é 
O maior dos homens de Deus 
Alma que o Céu nunca viu 
E na terra com tanto brilho 
A maior imagem do meu filho 
Foi ele que construiu. 

E seguiu falando Maria 
Com eloquência e luz: 
Tomé saiba que Jesus 
Não valoriza hierarquia 
Nem rico nem gente nobre 
Mas o espírito capaz 
Para o Cristo tanto faz 
Ser um papa ou ser um pobre. 

E continuou Maria falar: 
Tomé, filho, já que você 
Para poder acreditar 
Precisa de antes “vê” 
Olhe para o meu coração 
E veja sem a maldade 
Aquela pequena cidade 
Encravada no sertão. 

Volte os olhos para a Terra 
E veja sem sobressalto 
No cume daquela serra 
Ele ergueu, lá, o mais alto 
Monumento ao Senhor 
Com o cimento da esmola 
Construiu paz com escola 
Transformou música em amor, 
A caridade foi sua guia 

Nos dias mais delicados 
A cada seca bravia 
Acolhia os flagelados 
No vão santo de sua asa 
A pé, vencia as paradas 
Deu aos outros muitas moradas 
Mas nunca teve uma casa. 

Fez uma gráfica para pintar 
O papel nobre do progresso 
Fez uma banda para levar 
Os Jovens ao sucesso 
Honrou Cristo a cada sermão 
Pregou por toda essa terra 
E acabou com a guerra 
De Jenipapo e Nitão. 

A cavalo ou a pé 
Todo o Vale percorria 
Levava palavra de fé 
E as ajudas que trazia 
Em obra ele transformou 
Foi uma vida de peleja 
Dedicada à Igreja 
E ao povo que tanto amou. 

Uma escola para edificar 
Educação foi seu intuito 
E quem não podia pagar 
Recebia estudo gratuito 
Quem dele necessitava 
Com um sim ele respondia 
Até o salário que recebia 
Ao pobres todo doava. 

Ao ouvir Santa Maria 
São Tomé pediu perdão 
Ele disse que não sabia 
De toda aquela missão 
Que Padre Zé realizou 
E Ela disse: Tomé, por fim 
Nunca mais bote gosto ruim 
No que nunca experimentou, 

Mas tudo ficou feliz 
São Tomé foi perdoado 
E enquanto Sinfrônio de Assis 
Na terra era sepultado 
Ao pés da imagem do Cristo 
Ao Céu subia de vez 
E festa como a que se fez 
No Céu não se tem registro. 

Depois de recepcionado 
E dias de paz e luz 
Padre Zé foi convidado 
Diretamente por Jesus 
A nova missão exercer 
E disse: sej a o que for 
Eu estou pronto, Senhor, 
Para aqui no Céu fazer. 

E logo foi nomeado 
Assessor de obra e graça 
Cargo para ele criado 
Para que no Céu se faça 
Justiça aos desvalidos 
É ele que graças concebe 
É ele também que recebe 
As almas dos falecidos. 

Foi cumprindo essa função 
Que no dia um do mês sete 
Algo feriu seu coração 
Qual gume de canivete 
Sua alma foi abalada 
Quando falou São Mateus 
Lá fora há 2 ex-alunos seus 
No Céu pedindo entrada. 

Padre Zé autorizou 
No mesmo ato de instantes 
E lá de fora um anjo gritou: 
Além dos dois ex-estudantes 
Há outros dois a acompanhar 
E os dois não se contentam 
Eles dizem que só entram 
Se os outros dois “entrar”. 

Não podia faltar aos seus 
Mas também não poderia 
Botar na Casa de Deus 
Quatro num único dia 
Mas na mesma ocasião 
Padre Zé se instruiu 
E a São Pedro se dirigiu 
Contando a situação. 

Para resolver a questão 
São Pedro necessitou 
De uma autorização 
E, logo, Cristo mandou 
Uma ordem assinada: 
Ordeno com amor e fé 
Sendo gente de Padre Zé 
Pode entrar de carrada. 

Abriu-se a Porta Celestial 
E acordes de emoção 
Do grande mestre musical 
Encheram todo o salão 
Radegundis fez bonito 
E o Céu virou festança 
Com o Adenilton França 
Roberto e o Benedito. 

Emocionado ao ver os seus 
Padre Zé disse contente 
Todo dia peço a Deus 
Bom destino a minha gente 
Mas tudo tem tempo certo 
É o que Deus Pai decidir 
E quem de lá vier pra qui 
Vai achar o Céu aberto.

Ele esta disponível em dois formatos:

A chegada de Padre zé no Céu (abre com o Word)

A chegada de Padre zé no Céu (abre com qualquer leitor de PDF)

domingo, 2 de novembro de 2014

Dois Poemas de Pompílio Diniz

CONSEIO

Era assim que eu lhe dizia
Menina você me insurta
Repare essa saia curta
Cuidado que o povo espia
Pois quando ocê vai passando
Os ôme ficam rezando
Prá que dê uma ventania…

Assuba mais o decote
Que assim tá muito descido
E prú favor tomem bote
Uma barra nesse vestido
Menina: ninguém é santo
Repare que em tudo canto
Tá assim de ôme inxirido…

Mas vosmecê repare só
Ela não tinha receio
Se eu falasse era pió
Porque depois do conseio
Prú capricho ela botava
Um vestido que amostrava
A “metade” du jueio…

Pois vosmecê logo imagina
O que isso tudo veio dá…
Coitadinha da menina,
Eu cansei de lhe avisá.
Pois sabe o que acunteceu??…
Ela casou-se cum eu
Tem dez filhos pra criar.


* * *



O RESADÔ

Seu dotô eu num lhe engano,
Eu tenho mais de trinta ano
Que moro neste lugá,
Dou-lhe a palavra de home,
Se num qué morrê de fome,
Vá vivê na capitá…

Aqui no nosso Sertão
Essa história de injeção
O pessoá tem receio…
E vosmicê cuma é novo
E num cunhece esse povo,
Eu vou lhe dá um conseio…

Quando o dotô receitá
Num mande a roupa tirá,
Pruque nossa gente acha
Qui essas coisa é muito feia…
E o cabra morre na peia
Mas a ropa, ele num baxa!

A coisa aqui é isquisita,
O povo num aquerdita
Im receita de dotô…
Já é custume da gente,
Quando arguém está duente
Chamá logo o rezadô…

Se o cabra tá muribundo
Manda chamá Zé Reimundo
Qui é resadô diligente
E a todo mundo socorre.
Quando reza, ou o cabra morre
Ou fica bom de repente!

Cum fé no coração
E três gaio de pinhão
Três vez rezano incruzado,
Lhe agaranto, Zé Reimundo
Dexa quarqué muribundo
Bonzinho, forte e corado.

Voismicê que tá me ouvino
Se pensa que eu tô mentino,
Pode crê que tá inganado!
Pra qui o sinhô se convença,
Vô lhe contá as duença
Que o resadô tem curado:

Panariça e sete côro,
Ferida braba e friera,
Murdidura de bisôro,
O má de izipra e cocêra,
E tudo quanto é ferida,
Dô de ispinhela caída,
Garganta inchada e papêra.

Dô de dente, istalicido,
Dô nas costa, istambo inchado,
Dô de cabeça e zumbido,
Ança, ingasgo, dô do lado,
Quarqué ispéce de dô,
Zé Reimundo resadô
Muita gente tem curado!…

Cum ele num tem gogó.
Essa história de agunia,
Quebranto, oiado, três-só,
Injôo, malicunia,
Sarna, bixeira e sarampo,
Ligero qui nem relampo,
Cura da noite pru dia…

Murdida de cascavé,
Jararaca e salamandra,
O sujeito teno fé,
Essas coisa num lhe ispanta!
Zé Reimundo bota a mão,
E na merma ocasião
O duente se alevanta!…

Purisso que o pessuá
Só precura Zé Reimundo!
Ele aqui, nesse lugá,
É premero, sem segundo…
Inquanto houvé resadô
Ninguém liga pra dotô,
Nem qui venha do otro mundo.

Pois o próprio Zé Reimundo,
No tempo que aqui chegô,
Mostrava pra todo mundo
Seu diproma de dotô…
E quaje morre de fome!
Precisô mudá de nome
E trená pra resadô!…

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O CORDEL DO CORDEL


O CORDEL DO CORDEL
Sua História e seus Heróis
Autor: Merlânio Maia

Permita me apresentar
Com meu verso tão fiel
Aos nobres pesquisadores
Com meu diploma e anel
Meu nome é Merlânio Maia
E este é o Cordel do Cordel

O que chamam de Cordel
Na Vera realidade
É a grande Literatura
Popular de qualidade
Folhetos vindos de longe
Das européias cidades

Já no século quatorze
Na Holanda, Portugal,
Espanha, França e Alemanha,
Toda Europa ocidental
Já havia estes folhetos
Em circulação normal

Músicos cavalheirescos,
Sedutores Menestréis,
Bardos que de vila em vila
Dessa arte tão fiéis
Cantavam esta bela arte
Dos folhetos de Cordéis

E então quando as Caravelas
Cruzaram o mar de anil
Em busca do Novo Mundo
Ali se introduziu
Literatura em folheto
A caminho do Brasil

Foi assim que a Pindorama
Nossa Nação adorada
Conheceu estes folhetos
Quando foi colonizada
Por levas de Trovadores
Cantando pelas estradas


Dos trovadores nasceram
Cantadores e Violeiros
Que andavam pelas vilas
E em casas de fazendeiros
Levando as informações
Por todo Brasil inteiro

Desde lá de Portugal
Todo folheto era exposto
Em barbante ou cordel
Bem dobrado e assim disposto
E assim ganhou este nome
Que o povo fala com gosto

Eram escritos em prosa
Até história menor
Em quadras metrificadas
Em redondilha maior
Sete silabas contadas
Dando um ritmo melhor

Na Espanha Pliegos Sueltos
De poesia popular
Portugal eram Cordéis
Que tinha em todo lugar
Aqui Folhetos de feira
Que até hoje pode achar

O tesouro do Cordel
Adentrou nas Caravelas
Atravessou sete mares
Tornando as vidas mais belas
Enfim chegou ao Brasil
Nação verde e amarela

Logo ao nascer da nação
O Cordel cantou seu hino
Acalentando no berço
O enorme país menino
Que nasceu bem no Nordeste
Pois Brasil é Nordestino

E assim neste berço esplêndido
O Cordel tem novo porte
Foi decantado em sextilhas
E na setilha tão forte
Por dois poetas gigantes
Paraibanos de sorte


Os dois que fizeram história:
Leandro Gomes de Barros
Criou mais de mil folhetos
Sem estanques, nem esparros
E viveu de fazer versos
Tantos que enchiam carros


Silvino de Pirauá
Foi outro paraibano
Também cultuou poesia
Fez do Cordel o seu plano
Junto à viola e violeiros
O Cordel foi soberano

Este pequeno folheto
Que precedeu ao jornal
Divertindo a populaça
Com força descomunal
Também afrontou o rádio
Sem apagar seu fanal

Mais tarde veio a TV
Pensaram: - é a sua morte!
Mas o Cordel não morreu
Enfrentando toda sorte
E agora usa a Internet
Para ficar bem mais forte

Grandes autores vieram
Fazendo esta sua arte
João Martins de Atayde
Que não deixou um descarte
José Pacheco e Dila
Também fazem a sua parte

E também Cordeiro Manso
Joaquim Sem Fim, Antonio Cruz,
Manoel V. Paraíso
Joaquim Silveira conduz
Patativa do Assaré
Que ainda hoje reluz

José Camelo de Melo,
Romano Elias da Paz,
Moisés Matias de Moura,
José Adão, Manoel Tomás,
Laurindo Gomes Maciel
E centenas de outros mais

E os Cordéis de sucesso:
“Juvenal e o Dragão”,
“O Pavão Misterioso”,
“A Sina de Lampião”,
“A Princesa Teodora”,
“E a Seca no Sertão”

“A Mulher Que Virou Onça”,
“Oliveiro e Ferrabrás”,
Tem “Maria Madalena”,
E “É Bom Tudo o Que Deus Faz”,
“Pelé na Copa do Mundo”,
Tantos que não findam mais

“As Proezas de João Grilo”,
“O Meu Sertão no Inverno”,
“A Vida de Padre Cícero”,
E “O Paraíso Moderno”
Cito também: “A Chegada
De Lampião no Inferno”,

O Cordel de “Lampião
E a Velha Feiticeira”,
“A Discussão de Um Fiscal
Com o Matuto na Feira”,
“Lampião Fazendo o Diabo
Chocar um Ovo”. Primeira!

Tem “O Pássaro Encantado
Da Gruta de Ubajara”,
“A Ameaça de Corisco
De Atacar Ibiara”,
E “A Desgraça de Um Corno
Depois Que Quebrou a Cara”

“O Vale das Borboletas”,
“Conversa de um Xeleléu”
Com o Seu Anjo da Guarda”,
E “A Saga de Rapunzel”,
“Zé do Brejo, o Caipora”,
Pois tudo isso é Cordel

E até hoje é o folheto
Nossa cultura mais forte
Influenciando músicos,
Poetas de Sul a Norte
Levando a todo o Brasil
O seu ritmo e o seu porte

Muitos artistas famosos
Se inspiram neste celeiro
Do universo do Cordel
Como Jackson do Pandeiro,
Elba, Geraldo Azevedo,
Tom Zé e Zeca Baleiro,

Até o Chico Buarque
Já buscou seu agasalho,
Gilberto Gil, Gonzagão,
Gonzaguinha e Zé Ramalho,
Caetano e Antonio Nóbrega,
Sivuca sem embaralho...

Além de outros literatos:
José Lins, Graciliano,
José Américo de Almeida,
O Suassuna, Ariano,
Só para homenagear
Os maiores deste plano

Aqui trago a homenagem
Ao grupo contemporâneo
Astier, Bráulio Tavares,
Daudeth e o meu conterrâneo
Que é Bebé de Natércio
Grande abraço de Merlânio

Minha história não termina
E mantenho-me cantando
Rindo-me em muitos momentos
Lá na frente até chorando
A levar nossa cultura
Nas ondas da criação
Irreverente mistura
Onde derramo a emoção


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