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Região Matropolitana do Vale do Piancó

Localização e cidades que compoem esta região sertaneja.

José Brunet Ramalho

Primeiro Prefeito de Misericórdia.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Personalidades que construíram Itaporanga – Zú Silvino


O corpo de Zú Silvino está sepultado no Cemitério “Mãe de Misericórdia” na cidade que o viu nascer. Ele era casado com Ana Gomes Silvino, de cujo enlace nasceram: Maria Bernadete, Maria da Paz e Maria Natividade Gomes Silvino. 

Não são apenas os detentores do poder que promovem o desenvolvimento de uma comunidade, o bem estar de um povo. Muitas pessoas agindo nos bastidores têm oferecido contribuições valiosas ao progresso de Itaporanga, desde que a cidade se chamava Misericórdia, ainda no início do século. Nesta época, exatamente no dia 24 de junho de 1903, nascia na Várzea do Saco, um desses homens. Seu nome: José Silvino da Fonseca, filho de Silvino Soares dos Santos e Ana Silvino da Fonseca. Zú Silvino, como se tornou conhecido, foi um homem inteiramente, voltado para a vida comunitária, presente em todos os acontecimentos da cidade, seja no campo político, na administração, nos meios jurídicos, sociais, ou como uma pessoa de vasto conhecimento, como autodidata em que se transformou ao longo de anos de muita leitura. O curso primário Zú Silvino fez na Escola do professor Francelino de Alencar Neves, que foi a base de todo o seu conhecimento. Na juventude trabalhou no campo, ajudando a família em suas atividades agrícolas e pecuárias, e com pouco mais de 20 anos foi Agente de Estatística em Itaporanga e Secretário na administração de Brunet Ramalho. Foi ainda comerciante de tecidos até que se tomou Tabelião Público e Escrivão do Primeiro Oficio da Comarca de Itaporanga até quando se aposentou com dezenas de anos de serviços prestados à justiça de sua terra. 

José Silvino da Fonseca foi uma cativante personalidade que se caracterizava pela honradez e firmeza de caráter. Além desses atributos era dotado de uma inteligência brilhante. Gostava de escrever versos, especialmente em forma de glosa, chegando a publicar um livro de poesias, que agradou à todos. Na época de estudante editava um jomalzinho que era distribuído com os colegas. Pela sua inteligência e pelo seu contato permanente, com juízes, promotores e advogados, Zú Silvino, enquanto viveu em Itaporanga tomou-se uma espécie de consultor jurídico da cidade. 

Dotado de um espírito sensível, tratava com atenção e carinho as pessoas que o procuravam a qualquer hora na busca de soluções para inúmeros problemas. E pelo muito que fez Zú Silvino, que faleceu no dia 19 de maio de 1990 em João Pessoa, deixou um exemplo de dignidade que precisa ser conhecido pela juventude e demais pessoas que ele convivera e pelas gerações futuras, como representante de uma época da maior importância para Itaporanga, 

Revista "Itaporanga, 144 anos de história"

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Personalidades que construíram Itaporanga – Sebastião Rodrigues


Com a renuncia de Praxedes da Silva Pitanga para concorrer ao cargo de Deputado Federal, as rédeas da administração pública em Itaporanga passaram para as mãos do seu vice, o comerciante Sebastião Rodrigues de Oliveira. Nascido no vizinho município de Ibiara, no dia 31 de maio de 1907, mas logo cedo se transferiu para Itaporanga, trabalhando inicialmente nas organizações comerciais de Josué Pedrosa. Foi secretário municipal na administração de Sebastião Gomes da Silva, tomando-se ainda suplente de Juiz de Direito pelo período de seis anos. Como comerciante, Sebastião Rodrigues trabalhou com algodão, peles e cereais. 

Casado com Maria de Lourdes Rodrigues teve cinco filhos: Ary, Walter, Ivan, Terezinha e Arivan. Chegou à Prefeitura em 1954 e passou oito meses no cargo, realizando então uma elogiada administração, sendo ele, entre outras obras, o responsável pela conclusão e inauguração do Palácio dos Poderes, onde ainda funciona a Prefeitura Municipal. No seu governo a cidade ganhou ainda uma nova cadeia pública, a mesma que ainda existe, e começou a calçar a Avenida Getúlio Vargas, o que lhe valeu muito prestigia. Sebastião Rodrigues de Oliveira faleceu no dia 11 de fevereiro de 1980. 

Revista "Itaporanga, 144 anos de história"

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Personalidades que construíram Itaporanga – Sinhozinho


Sinozinho, como era conhecido Marcolino Farias da Silva, foi prefeito de Misericórdia, no período  compreendido entre 1946 e 1947, nomeado para o cargo por José Gomes da Silva, um itaporanguense como ele, que no momento era Interventor Federal da Paraíba. Apesar do pouco tempo que esteve a frente dos destinos de sua terra e considerando os poucos recursos para obras, Sinhozinho  manteve a cidade limpa, bem organizada e construiu o cemitério da Vila de São Boa Ventura, um dos mais destacados distritos do velho município.


Filho de João Severino da Silva (Dandão) e Joana Alves de Farias, Sinhozinho nasceu no dia 08 de agosto de 1904, em Misericórdia, onde fez o curso primário. Concluiu o ginásio em Cajazeiras e logo voltou para casar-se com Carolina Alves de Farias, com quem teve os seguintes filhos: Adinalva, José, Francisca (neta) e Gleides. Proprietário do Sitio Cantinho, onde se dividia entre as atividades de senhor de engenho e pecuária, ele sempre teve participação influente na vida política e social misericórdia. Faleceu no dia 08 de setembro de 1982.

Revista "Itaporanga, 144 anos de história"

domingo, 21 de dezembro de 2014

Personalidades que construíram Itaporanga – Sebastião Gomes


Sebastião Gomes faleceu no dia 14 de julho de 1979, e como prefeito notabilizou-se ainda pelos atos fortes que baixou procurando normalizar a vida da cidade, promovendo, inclusive, a retirada dos animais que perambulavam pelas ruas, causando sérios prejuízos à população. 

Sebastião Gomes da Silva substituiu o irmão, José Gomes da Silva, no comando administrativo de Misericórdia, quando este foi eleito . deputado federal e transferiu suas atividades para o Rio de Janeiro. Filho de Horácio Gomes da Silva e Ana Barreiro Gomes, Sebastião nasceu no dia 20 de janeiro de 1895, dedicando-se logo cedo às atividades agrícolas e pecuárias. Casado com Capitulina Gomes Pimpina, teve os seguintes filhos: Horácio, José, Manuel Gomes Nelito, Hamilton, Maria Eliza Gomes Lopes, Maria de Lourdes Gomes e Maria Zuleide (Leda) Gomes Pinto. 

Na sua administração, que se prolongou até o ano de 1937, foi construído o Grupo Escolar Dom Vital, que poço tempo depois passou a chamar-se Grupo Escolar Simeão Leal, hoje Escola de Ensino Fundamental e o cemitério Mãe de Misericórdia, que ainda se encontra em plena atividade, depois de várias ampliações. O antigo cimitério da cidade funcionava entre as ruas Deputado José Soares Madruga (antiga Avenida Pedro Américo), 13 de Maio (Rua da Gaveta) e Praxedes Pitanga e alguns imóveis da Praça Monsenhor José Sinfronio de Assis Filho (Antigamente, Praça do Centenário). No local começaram a ser construídas residências a partir da década de 40 e hoje encontra-se plenamente ocupado pelos vivos. 

Revista "Itaporanga, 144 anos de história"

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O projeto nº 22 que elevou a categoria de Vila a Freguesia de Misericórdia

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Misericórdia, hoje Itaporanga, viveu momentos de intranquilidade e muito reboliços em 1930. O prefeito do município era o médico José Gomes da Silva, homem de boa índole, pacífico, que veio a ser interventor da Paraíba, em meados da década de 40. Em Misericórdia morava, naquela época, um irmão do Coronel Zé Pereira, o comerciante Antônio Pereira, que se retirou para Princesa Isabel com a família. Quando ele ia sair de Misericórdia, o Dr. José Gomes o procurou para preveni-lo que não se atrevesse a ir sem segurança até Princesa, porque poderia ser molestado por liberais exaltados. Antônio Pereira já havia se entendido com o fazendeiro Crizanto Pereira, pedindo-lhe cobertura para fazer a travessia. 

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Zé Gomes, mesmo sendo liberal, preocupou-se com as garantias ao cidadão perrepista Antônio Pereira. Procurou Crizanto Pereira e recomendou a ele que escolhesse gente disposta, de sua confiança, para acompanhar o irmão de Zé Pereira. E assim foi. Ele deixou Itaporanga protegido por cinco homens valentes. Era 10 de março de 1930, dia da eleição para escolha de Presidente da República e Deputados. 

Em Nova Olinda, Antônio Pereira e seus acompanhantes encontraram José Joca, partidário de Zé Pereira, que tomou conta do viajante e família. José Joca estivera pela manhã na Vila de Sant’Ana dos Garrotes, com 20 homens, infundindo medo aos habitantes locais. A notícia foi dada em Misericórdia por Luizinho Fonseca, irmão de Zú Silvino, que tinha conduzido em um automóvel o farmacêutico José Rodrigues, para presidir uma secção eleitoral naquela vila. 

Misericórdia ficou assustada, com receio de ser atacada por bandos armados. O Dr. José Gomes convocou voluntários para defesa da cidade. Recrutou, aos poucos, cerca de 100 civis, com armas e munição que tinham, entregando a chefia dessa tropa improvisada ao valente Arsênio Alves. O destacamento da Polícia tinha apenas cinco soldados. Em pontos estratégicos abriram trincheiras e montaram piquetes. Para as bandas de Princesa as coisas esquentavam a cada dia. Em Misericórdia os defensores voluntários ficaram em alerta. A tensão durou três meses. Nada aconteceu, mas poderia advir um ataque. Na segunda quinzena de julho, a Vila de São Boaventura foi atacada. Dr. José Gomes mandou para lá 30 homens sob o comando de Arsênio Alves. Os invasores estavam sob as ordens de João Vicente, chefe do bando. Foram rechaçados. 

Foi Zé Silvino, de passagem por Piancó, quem trouxe para o Dr. José Américo, um recado de José Gomes pedindo ajuda, armas e munições. José Américo dirigia as ações contra Zé Pereira. O centro das operações estava em Piancó. Ele já havia mandado um automóvel a Misericórdia, com emissários para verificação das necessidades de José Gomes, mas o carro foi emboscado e o motorista ficou muito ferido. Não chegou lá. 

Em fins de julho de 1930 sabia-se da existência de grande número de rebeldes acampados na propriedade Riacho Verde, pertencente a Eneas Lopes, que se refugiou na cidade. Ele recebeu um bilhete. O bando armado exigia cinco contos de réis. Era muito dinheiro, à época. Diante da negativa, foi dado o aviso de que a propriedade seria queimada e o bando marcharia sobre Misericórdia. Estava dividido em três pelotões: um chefiado por Abílio, outro sob as ordens de João Paulino, e um terceiro à disposição de Antônio Pessoa de Arruda, vulgo “Pito”, comerciante na Vila de Santa Maria (atual Ibiara), partidário do Coronel Zé Pereira, mas muito identificado com a população de Misericórdia. João Paulino era a principal figura do bando. Fora Cabo da Polícia e desertou. 

Misericórdia em paz, em 1935, depois das refregas de 1930, recebendo visita pastoral. Na foto, em pé: Irineu Rodrigues, José Silvino da Fonseca (ZÚ Silvino), Antônio Vital Gomes, Walfredo de Souza, Josué Pedrosa, Otacílio Gomes da Silva, Gerson Norões e Gabriel Maia. Sentados, da mesma ordem: Tenente Napoleão (delegado), Dr. Antônio do Couto Cartaxo (juiz de direito, depois desembargador), Or. José Gomes da Silva, Oom Amaral (Bispo de Cajazeiras), Padre Luiz Gomes (Vigário local) e Lima Pacheco (dentista de Princesa Isabel). Quase todos eles estavam entre os defensores da cidade em 1930.
O grupo que atacou São Boaventura foi surpreendido por um contingente da Polícia, vindo de Sant’Ana dos Garrotes, sob o comando do Sargento Manoel Rafael. Quando a Polícia investiu, estavam entre os bandoleiros aprisionados, o Padre Lopes, vigário de Piancó, que se dirigira ao Sítio Riacho do Velho, onde os rebeldes se achavam, para tentar uma pacificação, e o fazendeiro Adauto Araújo, apanhado por eles quando vinha se refugiar na cidade. Quando os invasores marchassem sobre Misericórdia, os reféns iriam à frente, o que facilitaria o ingresso do bando na cidade, sem reação dos defensores. Padre Lopes e Adauto Araújo ficaram sob a guarda de Antônio Pessoa de Arruda, o Pito, que por ser da terra, deu fuga aos aprisionados, na ausência de João Paulino, que saíra para dar combate à Força Policial. 

O vigário chegou a Misericórdia, apavorado, no lombo de uma burra. Vinha mais cansado do que o animal que o transportou. E foi logo dizendo ao Dr. José Gomes que mandasse o povo sair para o mato, porque os cangaceiros viriam mesmo atacar a cidade. Adiantava o pároco: “eles dizem que são 420, mas eu acho que tem muito mais”.

Mulheres e crianças se retiraram para lugares distantes. A despeito do ataque surpreendente da Polícia, os revolucionários se reorganizaram para marchar sobre Misericórdia. Aproximaram-se e se estenderam ao longo do Riacho dos Pinhões, numa linha que ia do Altinho ao Cemitério, nos aceiros da cidade. 

Dr. José Gomes recebeu um bilhete assinado por um tal “Tenente Jiló”, que tinha mais ou menos os seguintes dizeres: “De qualquer jeito nós vamos entrar aí. Quer receber a gente com festa ou com bala?”. O portador tremia de medo, mas tinha que voltar com a resposta. José Gomes, tranquilo como sempre, pegou o mosquetão e mostrou ao mensageiro, dizendo-lhe: “Olhe a resposta!”. E fez o primeiro disparo para o alto. Isso acontecia no anoitecer de 29 de julho de 1930. 

Com o disparo do mosquetão, os cangaceiros responderam. Ficou ferido aí, levemente, Silvino Paulo, que estava no piquete do Dr. José Gomes. Zú Silvino correu para o seu piquete, no quintal de uma empresa de beneficiamento de algodão. Na coberta do prédio havia outro piquete, a cargo de Sinhô de Inácio. Chegaram outros conterrâneos. Ele se lembrava do irmão Luizinho, de Gabriel Maia (Gabila), Sinhozinho Farias e Alfredo Freire, um rapaz de Pernambuco que trabalhava para o Dr. José Gomes. Atiravam com velhas “Comblain” e mosquetões, armas pesadas, cujas descargas produziam um barulho enorme. Arsênio Alves tomou logo o Telégrafo e prendeu o telegrafista, mas o homem era amigo do Dr. José Gomes e se dispôs a colaborar transmitindo qualquer mensagem. Sigismundo Pinto feriu-se com o seu próprio rifle. Zé Gomes, médico, socorreu-o. 

Coronel José Pereira
O lado oeste de Itaporanga ficou aos cuidados das famílias Nitão e Bernardino, cujos integrantes obedeciam ao velho Chico Nitão. Politicamente, divergiam do Dr, José Gomes, nas querelas municipais, mas na hora de defender a cidade, eram todos por um e um por todos. Arsênio Alves mandou transmitir mensagem ao Capitão Arruda, em Piancó, comunicando-lhe que Misericórdia estava sendo atacada. O telegrafista já havia se antecipado. Difícil era o Capitão acreditar, porque o Telégrafo era suspeito. Na verdade, Arruda pensou que se tratava de alguma manobra para desviar a atenção da Polícia. 

Em 1930, o ronco de um avião amedrontava qualquer vivente, nas cidades e sítios do interior. O Governo do Estado conseguiu um teco-teco, que tinha: o nome “Garoto”. Recebera adaptações. O piloto era um italiano. Esse avião estava em Piancó, quartel general das tropas da Polícia, sob as ordens de José Américo. Ele teve que ir a João Pessoa e deu ao Capitão Manoel Arruda a seguinte ordem: “Não retire um soldado e não consinta o avião voar”. Logo que Zé Américo viajou, os bandos armados começaram a atacar as vilas situadas a alguma distância de Itaporanga. É Arruda que de Piancó conta: “De cá, a gente avistava a fumaça em Sant’Ana dos Garrotes, em Nova O linda e para o lado de Misericórdia”. Eram os cangaceiros queimando tudo, incendiando aqueles sítios. Era o grupo de João Paulino, marchando em direção a Misericórdia. 

Dr. José Gomes, então, pediu ao Capitão Arruda o avião e um contingente policial. Ele respondeu, pelo telégrafo, que não podia atender, porque tinha que cumprir as ordens do Dr. José Américo. Outro de pedido de socorro foi feito pelos irmãos Irineu e João Teódulo, de Sant’Ana dos Garrotes, onde os cangaceiros estavam destruindo tudo com fogo. Diante, porém, dos apelos dramáticos, despachou dois contingentes, que atacaram os bandoleiros pela retaguarda. Estes iam em busca de Misericórdia. Estavam à duas léguas apenas. O bando era numeroso. O contingente policial foi envolvido e não aguentou. Debandou em correria. Os soldados perderam os fuzis e até os chapéus. Com três dias, ainda aparecia soldado em Piancó. Isso acontecia nos últimos dias de julho de 1930. 

O Coronel Arruda havia prometido ao Dr. José Gomes, mandar o avião para Misericórdia. É Arruda quem diz: “Com pouco, o José Gomes me comunicou: - Estamos em pleno tiroteio. Então, eu disse para ele: - Vou mandar o avião agora mesmo”. O aviador chamava-se Perone. O mecânico era um francês de nomes Chales. Os dois estavam jogando pôquer. Arruda disse: “Perone, deixa isso aí e vai socorrer Misericórdia”. Perone partiu com três bombas chamadas “liberais”, umas bombas grandes, encarnadas, e um fuzil-metralhadora “belga” que tinha vindo do Governo de Minas Gerais. Para Charles, um fuzil com cinqüenta tiros. 

O “Garoto” voou logo para Misericórdia. Depois de uns oito tiros, o fuzil engasgou, em razão da corrente de ar contrária. Mas o efeito foi bom. Os cangaceiros suspenderam o tiroteio. A cidade já estava sitiada por eles. Então, o aviador, notando que não havia mais resistência, resolveu voar baixo. Foi o suficiente para que o pequeno avião recebesse três tiros numa asa. O Capitão Arruda ficou em situação difícil. Recebera ordens para não deixar o avião voar. O resultado foi que a aeronave esteve para soçobrar. O Perone manobrou para voltar e Arruda teve que arrancar cercas para fazer fogueiras ao lado do campo, a fim de que o “Garoto” pudesse aterrissar, à noite. Fez uma aterrissagem perfeita. Ao descer, Perone disse: “Olhe, só não fiz morrer. Não perdi o avião, mas deve estar todo baleado”. 

Após o ataque aéreo, os cangaceiros retrocederam. Por onde eles iam passando ateavam fogo em tudo. As chamas destruíram as fazendas: Altinho, Caravelas e Xique-Xique, O mini-bombardeio aéreo infundiu medo nos cangaceiros. Depois disso, no dia seguinte, chegava a Misericórdia, ao som de cornetas, uma tropa da Polícia sob o comando do valente Cabo Zé Bastos, mandado pelo Capitão Arruda. Entrou na cidade juntamente com lrineu Rodrigues, Peixoto Figueiredo, Clemente Teotônio e Antônio Eugênio, que se encontravam em Piancó e se incorporaram ao destacamento. 

Mesmo sem perdas de vidas, Misericórdia se viu em apuros, em 1930. Entre os conterrâneos que viveram uma noite de tensão para defender a cidade, estavam: José Gomes, João Silvino, Praxedes Pitanga, Chico Nitão, Pedro Martins, Caçula Pinto, Antônio Paulo, Antônio Severo, Valério Figueiredo, Polindoro Lemos, João Pereira, Antônio Vital, Zumba Dinamérico, José Alexandrino, Zeca Henriques, Antônio Pessoa de Arruda (o Pitó), era irmão de Pedro Pessoa de Arruda. Pitó combatia ao lado dos cangaceiros, e Pedro contra ele, defendendo Misericórdia. Na noite do tiroteio, a esposa de Pedro, irmã de Zú, dava à luz o filho Vandi. Ele corria do piquete para casa. Ficava nesse vai-e-vem. A mulher, Nôza, teve, para assisti-la no parto, Dona Salomé Pedrosa (Deinha), esposa de Josué Pedrosa, também irmão de Zé Silvino, e dona Mundinha, esposa dele. 
João Paulino que atacou Misericórdia tinha um grupo de 170 bandoleiros. 

(Terceiro Neto, Dorgival = Gente de ontem, histórias de sempre. - João Pessoa, Editora Itacoatiara, 1991) 


João Pessoa 
A Revolução de 1930, que pos fim à Primeira República, foi, para muitos historiadores, o movimento mais importante da história do Brasil do século XX. O maior partido de oposição ao partido republicano de Washington Luís era a Aliança Liberal. Era liderado pelo então governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Dorneles Vargas. Mesmo sendo apoiado por muitos políticos que tinham sido influentes na Primeira República, como os ex-presidentes Epitácio Pessoa (paraibano) e Artur Bernardes, seu programa apresentava certo avanço progressista: jornada de oito horas, voto feminino, apoio às classes urbanas. 

Nas eleições de 1930, a Aliança Liberal perdeu, vencendo o candidato republicano Júlio Prestes. Mas, usando como pretexto o assassinato do aliancista João Pessoa por um simpatizante de Washington Luís, João Dantas, Getúlio Vargas e seus partidários organizaram um golpe que, em outubro de 1930, tirou Washington Luís do poder. Getúlio Vargas tomou posse do governo no dia 3 de novembro de 1930, data que ficou registrada como sendo o fim da Primeira República. Antes, põem, no dia 5 de outubro, o Presidente Washington Luís havia decretado “estado de sítio em todo território da República, até 31 de dezembro”. Desde meados de 1929 que a situação do então governador da Paraíba João Pessoa se tomara muito dificeis. Ao aceitar ser candidato a vice-presidente, sua situação complicou-se no plano federal: as represálias foram imediatas e incluíram a cobrança de vultosos empréstimos contraídos pela Paraíba. Ele também enfrentou o coronelismo paraibano (embora a ele estivesse ligado, inclusive por laços familiares) sofrendo forte oposição de coronéis do interior, sendo o principal deles o coronel Zé Pereira (de princesa Isabel) apoiados pelos paulistas, que os ajudaram com o envio de armas. 

Os dias que se seguiram ao assassinato de João Pessoa, ocorrido no dia 26 de julho de 1930 na cidade do Recife-PE, foram particularmente sangrentos naquele: facções rivais se digladiaram e muitos assassinatos foram cometidos a pretexto da revolução. 

Revista: "Itaporanga, 144 anos de história"

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Itaporanga é empreendedora e destemida


A administração que se inicia, do atual prefeito Djaci Brasileiro, resgatará o papel de que Itaporanga sempre esteve em busca de seu progresso e de ser um dos municípios mais promissores economicamente, no Estado, para fins de atração de investidores de qualquer parte do País, para viabilizar os três setores econômicos, seja na produção agrícola, no fomento de itens e produtos industriais ou agilização dos segmentos de serviços em geral. O chefe do Executivo Municipal está ciente das ações que precisa executar para contribuir com o desenvolvimento de todo o município não deixando faltar uma só localidade sem a atuação de órgãos vinculados à sua gestão, focando o bem-estar de toda população, além do mais, serão ações que resultem na geração de empregos e renda, representada por pacotes de benefícios que contemplem vários segmentos. 

A cidade dará estimulo necessário para que empresas se instalem no município e que os empreendimentos que já estão instalados possam ter investimentos na ampliação dos seus segmentos, a fim de aumentar a índice da produção local, além de gerar mais emprego e renda. Por isso, Djaci Brasileiro recomenda a constante preocupação para dotar em toda a cidade a infra-estrutura necessária a fim de viabilizar a economia Vale ressaltar também que esta gestão terá atenção especial na área do saneamento básico para ser referência regional de destaque na aplicação de investimentos na área do esgotamento sanitário. Na verdade, uma cabeça não pode viver sem o corpo. Na economia, como na administração, a lógica é a mesma. 

Hoje, Itaporanga faz 144 anos de sua *emancipação política. Um bom pretexto para que façamos uma reflexão sobre o verdadeiro aproveitamento de nossas potencialidades e, para isto, se faz necessário explicar alguns fatos demonstrativos do que éramos e do que somos. Para uma melhor compreensão, vale dizer que não decrescemos, porém, as outras cidades cresceram mais, passaram à frente, muitas até não obtiveram progresso, mas, incharam, explodiram demograficamente o que não explica propriamente o progresso. Uma cidade de vida própria, que tem personalidade, é viva, pujante, um polo geográfico, um polo em desenvolvimento. O pioneirismo desta cidade é uma marca indelével. A cidade não pára, não cansa, é um centro urbano em constante ritmo de crescimento. E neste momento existem vários motivos para que o seu natalício seja comemorado efusivamente. As perspectivas econômicas que são extremamente animadoras. Em pouco mais de uma década Itaporanga tem mostrado a sua força e pujança, quando registra a implantação e o funcionamento de empresas e grandes empreendimentos que leva ao desenvolvimento de importante polo têxtil no interior paraibano. 

Na abertura da 'Feira de Negócios em plena Avenida Getúlio Vargas, foi lançado o ‘Pacto do Vale do Piancó’ pela direção do Sebrae-PB e pelo presidente da FCDL, Rosil Ney Camilo. Na foto, entre outros empresários: Aldo (Sebrae), Carlo: Jean, José Joaquim, Domingos Dantas Júnior e Ricardo Pereira. 

Para entender Itaporanga é preciso conhecer sua história e dela tirar lições sobre uma cidade que fez da generosidade a grande força de atração de tantos destinos da gente do Nordeste. Privilegiado entroncamento dos caminhos de região, Itaporanga desde o seu alvorecer fez da atividade econômica, da criatividade de sua gente e dos avanços os fatores determinantes de sua liderança. No comércio, por exemplo, não podemos abordá-lo sem citar, no contexto atual, a grande contribuição dada para o seu desenvolvimento por comerciantes, como: Cícero Carneiro e Madalena (Novo Mundo Center), Geraldo Ferreira (Eletromóveis), Assis Ferreira (Mafecil), Paulo Pinto (Armazém São Paulo), Francisco Pinto Filho (com a antiga distribuidora Antártica Ltda), e tantos outros que ao emergir seus empreendimentos colocaram a cidade na fatia maior do mercado, atraindo grandes conglomerados que possibilitaram mais empregos e maior fluxo de capital, tais como: Armazém Paraíba, Lojão Rio do Peixe, Paraíba Calçados, Freitas Tecidos, Tim, Claro, Frigotil, entre outras que viram o desenvolvimento do comércio local como oportunidade de grandes negócios, apostando assim no nosso potencial. 

Para se chegar a esse patamar foi necessário o trabalho de campo, persistência, astúcia e muita determinação de dois grandes propulsores do nível em que se encontra o comércio local, na sua formatação e novo jeito de relação com a sociedade. Carlos Jean Tolentino e Domingos Dantas Júnior (Júnior de Vanise) foram fundamentais para Itaporanga fazer parte de uma nova postura no setor em nível de Paraíba, no caso com o advento das Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs). A CDL local teve seu momento ímpar sob o comando destes dois 'desbravadores'.

Como fundadores eles foram responsáveis pela CDL lutar, anos atrás: pela elaboração do Projeto Itaporanga 100 Anos, apresentado ao PPA (do Governo do Estado) e entregue aos secretários Fernando Catão e Marta Malheiros; lutou junto a Cinep pedindo a implantação do Distrito Industrial de Itaporanga, tendo boa receptividade do governador que designou o Superintende da Cinep (Jurandir Xavier) para fazer visitas a diversos estabelecimentos industriais de Itaporanga; lutou junto à Setras-PB e ao Ideme-PB por apoio para a construção da Casa do Menor “São Domingos Sávio”; lutaram junto à diversas autoridades estaduais e nacionais, entre elas o governador e o presidente da CEF, solicitando a abertura da Caixa Econômica Federal em Itaporanga; lutaram junta à TIM, inclusive com recursos de potencialidades locais, para a sua instalação em Itaporanga; Em parceria com o SEBRAE-PB, conseguiram: ajuda para a realização do “São Pedro de Rua”, de responsabilidade da Prefeitura; realizou em torno de 9 palestras de motivação para o comércio local; a inclusão de Itaporanga no Roteiro de Revitalizações através do lançamento do “Pacto do Vale”; inclusão de Itaporanga no programa Empretec; implantação da Internet em Itaporanga; doação de um terreno junto a Prefeitura para a Casa do Menor; lutaram pela implantação de uma Faculdade em Itaporanga através da Diocese de Cajazeiras, entre outros. Devido às lutas e batalhas como estas, o fundador e então presidente da CDL local Carlos Jean Tolentino foi nomeado Diretor Distrital da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas da Paraíba (FCD L- PB). 

Na indústria a cidade de Itaporanga está conseguindo sem alardes um grande impulso para o fortalecimento de um importante polo têxtil no interior paraibano. Com a instalação de empresas que geram mais de mil empregos diretos e indiretos, a cidade é rota permanente de veículos pesados vindos de todas as partes do País. Os produtos fabricados em Itaporanga são destinados até para exportação. A ‘Rainha do Vale’ se orgulhe imensamente desta contribuição dada ao seu crescimento pelas indústrias aqui instaladas e que não mediram esforços, diante das dificuldades e adversidades. Empresas como a Itatex, Dantex, JC Lacerda textil, Limpotex entre outras, têm levado o nome de Itaporanga aos outros cantos do País. 

* Não é emancipação política e sim instalação do município.

Fonte: Revista "Itaporanga, 144 anos de história

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Misericórdia / Itaporanga - O TERCEIRO LIVRO - Bosco Gaspar

O TERCEIRO LIVRO




Prefeitos e interventores

De como homens e mulheres, ao longo dos últimos 100 anos, assumiram o comando político e administrativo da cidade, e o que cada um fez pelo desenvolvimento social, cultural, econômico, pela saúde e educação do município, contribuindo para que Itaporanga se tornasse uma das mais prósperas comunas do interior paraibano.  

A Política e os Políticos

A vida política em Itaporanga, desde os seus primórdios, sempre foi agitada, com facções bem definidas, lideradas por políticos carismáticos e de grande apelo popular. Foi o médico José Gomes da Silva a primeira grande personalidade da política da cidade, confrontando-se na época com o advogado Praxedes da Silva Pitanga, um jurista irreverente, de muitos fatos, de muitos casos e de muitas estórias. José Gomes foi também o primeira itaporanguense, quando a cidade ainda era Misericórdia, a ocupar o Governo da Paraíba, na qualidade de interventor federal. Afastado da política, o seu espaço foi ocupado por outro médico, o Dr. Balduíno Minervino de Carvalho, também opositor de Pitanga. 

A presença de médicos na política de Itaporanga sempre foi uma constante. A prefeitura, por exemplo, num passado não muito distante, foi ocupada pelos doutores Francisco Clementino de Carvalho e Adailton Téodulo, que realizaram boas administrações, sendo que o primeiro é o responsável pela melhoria da qualidade de vida dos habitantes da cidade, no inicio da década de 60, com a implantação dos serviços de abastecimento d’água e saneamento básico, e a eletrificação urbana da sede do município, com energia fornecida pela hidro-eletrifica de Coremas. O segundo conseguiu com o governador João Agripino Filho a abertura e funcionamento do Hospital Distrital “José Gomes da Silva”, beneficio que a população de Itaporanga esperava há mais de vinte anos 

Depois de José Gomes, Praxedes Pitanga e Balduíno de Carvalho, que foi deputado estadual por seis legislaturas, o político itaporanguense de maior expressão e prestigio estadual foi o jornalista José Soares Madruga, deputado, secretário de Estado, presi
dente da Assembleia Legislativa, cargo que o levou a assumir o cargo de governador. Foi ele o principal responsável pelo grau de desenvolvimento que Itaporanga ostenta na atualidade, abrigando os principais órgãos regionais do Governo do Estado. Hoje, a política de 
Itaporanga tem no deputado Djaci Brasileiro a sua estrela maior, levando-se em consideração a sua densidade eleitoral no município e a liderança que exerce em todo o Vale, estendendo-se de Piancó a Conceição. 

Apesar de ter conquistado a sua emancipação política em 1863, Misericórdia continuou dependendo administrativamente dos poderosos de Piancó, que manobravam com toda a vida do novo município. É que na Paraíba, no século 19, segundo Edmilson Fonseca, não existia a figura do prefeito municipal. As cidades eram administradas por um intendente, que equivalia ao vereador de agora. Em cada cidade era constituído o Conselho Municipal, que era uma instância equivalente às câmaras de hoje. O presidente do Conselho era também o administrador da cidade, sendo que, no final do século 19, Misericórdia foi governada por Hipólito Salviano, natural do sitio Várzea do Padre que foi indicado pela família Leite. 

A figura do prefeito nomeado só começou a existir, segundo ainda Edmilson Fonseca, a partir de 1895, quando o então interventor da Paraíba, o Dr. Álvaro Carvalho, através da Lei 27 de março daquele ano, mas que foi revogada cinco anos depois com a chegada do Dr. José Peregrino de Araújo ao poder. A restauração do cargo de prefeito voltou a acontecer através da lei 221, de 14 de novembro de 1904, com o retorno do Dr. Álvaro de Carvalho ao poder. Mas, foi com a eleição de Álvaro Alvim da Silva para o comando administrativo da cidade que os naturais de Itaporanga assumiam, efetivamente, o comando político e administrativo do município, o que foi reforçado pela chegada de José Brunet Ramalha a chefia do Executivo, em 1921. A partir daí e até o final da ditadura de Vargas, o município foi governado por José Gomes da Silva, Sebastião Gomes da Silva, Praxedes da Silva Pitanga, lrineu Rodrigues da Silva, Antonio Vital Gomes e Marcolino (Sinhozinho) Farias e Hormisda Teodulo da Silva. 

Após a redemocratização do Brasil, na década de 40, passaram pela Prefeitura de ltaporanga vários políticos de larga visão administrativa, como José Barros Sobrinho, Praxedes Pitanga, Sebastião Rodrigues, Abraão Diniz, Francisco Clementino de Carvalho (Paizinho), Sinval Mendonça, Adailton Téodulo, Sinval Pinto, Marleno Barros, Moacir Pinto, João Franco da Costa, Murilo Bernardo, Will Rodrigues, José Silvino Sobrinho, Katia Lúcia Fonseca Pinto Brasileiro, a primeira mulher a administrar a cidade, e, novamente, Will Rodrigues. Cada um dos nossos interventores, prefeitos eleitos e líderes maiores, ao longo dos anos, realizaram obras fundamentais para o progresso do município. Ao todo, de Hipólito até os dias atuais foram 16 interventores e 14 prefeitos eleitos que chegaram à chefia do Executivo itaporanguense. 

Dos líderes maiores, que ocuparam cargos de relevo além das fronteiras do município, merecem destaque as figuras de José Gomes da Silva que, além de prefeito foi deputado federal e interventor da Paraíba, Balduíno Minervino de Carvalho, deputado estadual por várias legislaturas, José Soares Madruga, jornalista, deputado estadual e governador em exercício do Estado, Jonas Leite Chaves, secretário de Agricultura, empresário, deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa, François Leite Chaves, senador pelo estado do Paraná, Djacir Cavalcante de Arruda, deputado estadual, deputado federal e governador nomeado do então território de Rio Branco, hoje, Roraima, Armando Abílio, deputado estadual e federal, e Djaci Brasileiro, deputado estadual. 

José Ramalho Brunet


Brunet não foi apenas um dos mais jovens prefeitos de Itaporanga. Foi também um homem de visão e muito operoso para os padrões da sua época, quando os administradores dispunham de poucos recursos financeiros para a manutenção da máquina oficial. Nascido no Sítio Catolé, município de Misericórdia, no dia 21 de outubro de 1883, ele faleceu aos 48 anos de idade, no dia 10 de maio de 1932, na cidade de São Paulo, onde refugiu-se após a vitória da Aliança Liberal, em 1930, ao tomar conhecimento da derrota do movimento constitucionalista, a cujas tropas pertencia. Filho de Napoleão Carlos Brunet e Maria Ramalho Leite Brunet, casou-se com Julia Leite Brunet e deste matrimonio nasceram os seguintes filhos: Napoleão, Francisco, Carlos, Joazito, Ivo, Eunice, Lucrécia, Carmelita e Cremilda. 

Como administrador de Itaporanga, de 1921 a 1929, José Ramalho Brunet importou da Alemanha um potente motor para o fornecimento de energia elétrica para a iluminação publica e residencial da cidade, sendo que todo o equipamento foi instalado por um mecânico conhecido por Ítalo, especialmente contratado pelo Prefeito. Esse motor funcionou, com algumas interrupções, até o inicio da década de 60, quando a cidade passou a ser servida por energia fornecida pela hidroelétrica de Coremas. Ainda hoje, uma das engrenagens do motor pode ser vista na Praça Frei Martinho, por trás da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Itaporanga. 

Amante das artes, José Ramalho Brunet criou a primeira banda de música da cidade, cuja regência foi entregue ao maestro Batista Siqueira, natural do município de Conceição. Foi também o responsável pela vinda de duas professoras para a cidade, dona Elvira e dona Zulima, que alfabetizaram centenas de crianças e jovens itaporanguenses. Criou o Conselho Municipal que se reunia periodicamente para discutir os problemas da cidade, e construiu o Mercado Público, cujo local deu origem, anos depois, à sede da Prefeitura Municipal de Itaporanga, onde funciona até hoje. 

Preocupado com o urbanismo da cidade, estimulou os donos de imóveis a modernizarem suas residências, melhorando os aspectos das fachadas e construindo calçadas para maior conforto dos transeuntes. José Ramalho Brunet foi eleito pelo sistema de “viva voz”, ou seja, o eleitor dizia aos mesários o nome do seu candidato. 

José Gomes da Silva


Filho de Horácio Gomes da Silva e Maria Barreiro Gomes, membros de tradicionais famílias do Vale do Piancó, José Gomes nasceu no dia 06 de março de 1900, no sitio Minador, nos arredores da cidade de Misericórdia. Fez o curso primário em sua terra natal, ingressando em seguida no Seminário de Fortaleza, permanecendo por alguns anos na capital do Ceará. Voltando a Paraíba, passou a estudar no Liceu Paraibano, onde concluiu o curso secundário. Aprovado no vestibular de medicina da Faculdade da Bahia estudou os primeiros anos do curso universitário em Salvador, mas transferiu­se logo depois para a Universidade do Rio de Janeiro, diplomando-se em medicina em 1927, com apresentação de tese. 

Ainda no Rio de Janeiro casou-se com a carioca Judite Caruso, de descendência italiana, e logo em seguida viajou para a Paraíba, fixando residência em Itaporanga, onde passou a exercer a profissão, salvando vidas e curando os males que tanto afligiam o seus conterrâneos e os sertanejos de um modo geral, já que ele foi um dos primeiros médicos a se instalar na região. A sua competência como profissional da medicina e a maneira fidalga como tratava as pessoas que o procuravam fizeram de José Gomes um profissional respeitável e uma das mais autênticas lideranças que o Vale do Piancó conheceu. Tanto assim que em 1929 era eleito Prefeito de Itaporanga, iniciado ali a sua longa trajetória política e administrativa que atingiu o seu ponto máximo quando foi nomeado Interventor Federal da Paraíba pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. 

O Movimento da Aliança Liberal, que eclodiu com a morte do presidente João Pessoa, o encontrou à frente dos seus conterrâneos, todos de armas em punho, prontos para defenderem as suas vidas e a sua terra, e foi imbuído desse propósito que inimigos históricos uniram-se em torno de um objetivo comum, evitando que partidários do perrepismo, representados no sertão pelo coronel José Pereira de Lima, invadissem a cidade de Misericórdia. Dispostos a tudo fizeram recuar cerca de quatrocentos homens que chegaram até os arredores da cidade, mas que tiveram que debandar, haja vista os obstáculos que tiveram que enfrentar. A resistência oferecida por José Gomes e seus comandados foi de tal maneira importante para a vitória dos liberais que o fato mereceu uma longa citação no livro “As Memórias”, de José Américo de Almeida, comandante-em­chefe da Revolução de 30 na Paraíba. 

Durante a sua gestão na Prefeitura Municipal, José Gomes criou escolas e ofereceu assistência médica e social eficientes a população local, no que recebeu a pronta colaboração de Dona Judite, como sua esposa era carinhosamente chamada, pela maneira aberta e sem preconceitos com que tratava a todos. Deixando a chefia do Executivo municipal foi eleito Deputado Federal, o que o levou, em 1934, a retomar ao Rio de Janeiro para exercer o seu mandato que durou até 1937, quando o Congresso Nacional foi fechado em conseqüência do Golpe de Estado do presidente Getúlio Vargas. 

Sem mandato, mas profundamente ligado ao seu povo, José Gomes voltou a Itaporanga para novamente exercer a medicina. Em 1940, no entanto, atendendo a convite do interventor Ruy Carneiro, passa a residir com a família em João Pessoa, sendo distinguido com o cargo de membro do Conselho Administrativo do Estado, onde permaneceu até 1945 quando, por designação do interventor Odon Bezerra, assumiu a Secretaria de Agricultura, Pasta que ocupou até o dia 21 de agosto de 1946. Naquela data tornou-se Interventor Federal na Paraíba, por decreto do presidente Gaspar Dutra, permanecendo ali até o dia 06 de março de 1947. Apesar do pouco tempo em que esteve à frente dos destinos da Paraíba, José Gomes ampliou o Abrigo do Menor “Jesus de Nazaré”, reformou a rede do serviço de energia elétrica da capital, melhorou as linhas de bonde e instalou o Serviço Patológico de Anatomia e Verificação de Óbitos da Paraíba, entre outros. 

Afastado do Governo do Estado, José Gomes voltou a morar no Rio de Janeiro, onde ocupou o cargo de presidente da Companhia Nacional de AIcalis. Três anos depois, em 1950, retoma outra vez a Paraíba, desta feita como Delegado Regional do IPASE. Antes de um ano, no entanto, volta em definitivo para o Rio de Janeiro e assume a chefia da Divisão Médica do Hospital dos Servidores, onde permaneceu até o ano de 1969, quando, por questões de saúde, se aposentou depois de prestar 38 anos de serviços a Nação brasileira. Ele faleceu às 6,00 horas do dia 27 de setembro de 1970, no Rio de Janeiro, deixando viúva Dona Judite Gomes Caruso e órfãos os filhos Filotéia Gomes Ataíde, funcionária do Serviço de Censura e Diversões do Rio de Janeiro e Clélio Gomes, funcionário do IPASE em Brasília, ambos casados, e quatro netos. 

Sobre o Dr. José Gomes da Silva é preciso que se diga que ele não foi apenas um chefe, um líder político. Era um verdadeiro ídolo para os seus conterrâneos, por uma série de razões, inclusive porque era o primeiro itaporanguense a exercer o oficio da medicina na sua cidade, colocando os seus conhecimentos a serviço dos que dele precisavam. Essa verdadeira veneração pode ser medida pelas festas que o povo de Itaporanga promovia quando ele fazia viagens mais longas e demoradas. Quando ele ia ou voltava, a cidade ficava em ebulição. Os homens e mulheres, a maioria seus compadres, vestiam as suas melhores roupas e ficavam em frente a sua casa, hoje Praça Balduino Minervino de Carvalho. Na ida despediam-se acenando com lenços brancos, na volta todos ficavam perfilados, inclusive os alunos do grupo escolar e a banda de música, esperando o grande momento de sua chegada, para cantarem e aplaudirem o hino em seu louvor. Na ida como na volta grandes filas se formavam em torno de sua casa, pois todos queriam apertar a mão do ídolo, do chefe, compadre e irmão. 

Sebastião Gomes da Silva


Sebastião Gomes da Silva substituiu o irmão, José Gomes, no comando administrativo de Itaporanga, quando este foi eleito deputado federal e transferiu suas atividades para o Rio de Janeiro. Filho de Horácio Gomes da Silva e Ana Barreiro Gomes, Sebastião nasceu no dia 20 de janeiro de 1895, dedicando-se logo cedo às atividades agrícolas e pecuárias. Casado com Capitulina Gomes Pimpina, teve os seguintes filhos: Horácio, José, Manuel Gomes Nelito, Hamilton, Maria Eliza Gomes Lopes, Maria de Lourdes Gomes e Maria Zuleide (Leda) Gomes Pinto. 

Na sua administração, que se prolongou até o ano de 1937, foi construído o Grupo Escolar Simeão Leal, hoje escola de primeiro grau, e o Cemitério Mãe de Misericórdia, que ainda se encontra em plena atividade, depois de passar por várias ampliações. O antigo cemitério da cidade funcionava entre as ruas Deputado Soares Madruga, 13 de Maio (antiga Rua da Gaveta), Praxedes Pitanga e a alguns imóveis da Praça do Centenário. No local começaram a ser construídas residências a partir da década de 40 e hoje encontra-se inteiramente ocupado pelos vivos. 

Sebastião Gomes faleceu no dia 14 de julho de 1979, e como prefeito notabilizou-se ainda pelos atos fortes que baixou procurando normalizar a vida da cidade, promovendo, inclusive, a retirada dos animais que perambulavam pelas ruas, causando sérios prejuízos a população. 

Praxedes da Silva Pitanga



Praxedes da Silva Pitanga chegou tarde a escola. Somente aos oito anos tomou contato com um estabelecimento de ensino, mas aos nove já sabia ler, escrever e contar, uma prova cabal de sua enorme capacidade de aprender. Em 1910, frequentando o Colégio Pedro Américo, dirigido pelo professor Manoel Diniz, adquiriu noções de francês, português, história e aritmética, o que lhe serviu, seis anos depois, para fazer os exames preparatórios no Liceu Paraibano, em João Pessoa. Chegou tarde à escola, mas ainda criança demonstrou um extraordinário tino comercial, tanto que antes dos dez anos de idade já negociava com miudezas nas feira de Itaporanga, Boa Ventura e São Paulo, hoje Diamante. 

Entre 1913 e 1914 manteve em funcionamento uma grande casa comercial, no centro da cidade, especializada em miudezas, chapéus, ferragens e estivas. Em 1915, no entanto, teve que liquidar o seu comércio. A seca daquele ano o levou a falência. Até algumas cabeças de gado que possuía teve que vender para pagar aos seus credores de Recife, onde adquiria as mercadorias que vendia. Nos anos de 1917 e 1918 fez os exames preparatórios no Liceu Paraibano e foi aprovado no vestibular da Faculdade de Direito do Recife, onde se matriculou, mas não pode frequentá-la por questões de ordem pessoal e política. É que as autoridades estaduais moviam uma severa campanha contra membros da família Jenipapo e muitos deles tiveram que ir embora, passando a residir no Ceará e no Rio Grande do Norte. Pitanga, no entanto, ficou na Paraíba denunciando seus adversários por todos os meios possíveis. 

Com a chegada de João Pessoa ao Palácio da Redenção pode, finalmente, na companhia de José Gomes da Silva, assumir o comando político do velho município. A esta altura já era bacharel em Direito e uma pessoa bastante conhecida nos meios jurídicos e intelectuais da capital paraibana. O levante de Princesa Isabel o encontrou em Itaporanga, de arma em punho, lutando contra os perrepistas. A sua ação valeu-lhe o cargo de representante do Ministério Público na comissão que apurava o levante dos comandados de José Pereira. De Princesa foi para Alagoa Grande como Promotor de Justiça e dali para ltabaiana. 

Em 1934 rompeu com José Gomes e registrou uma legenda eleitoral, denominada “Reação Cívica”, que elegeu três vereadores. No mesmo ano foi nomeado por Argemiro de Figueiredo para o cargo de Delegado de Ordem Política e Social, recentemente criado. Em 1937 foi nomeado prefeito de Antenor Navarro, hoje São João do Rio do Peixe, onde foi surpreendido com o aparecimento do Estado Novo. Argemiro de Figueiredo passou de Governador a Interventor e, no dia 8 de dezembro daquele ano, o nomeou Prefeito de Itaporanga, onde permaneceu até agosto de 1940, quando Argemiro foi substituído por Ruy Carneiro na Interventoria do Estado. 

Com a redemocratização do país fundou o diretório da UDN em Itaporanga e percorreu as cidades, vilas e povoados do Vale do Piancó defendendo a candidatura de Eduardo Gomes. Em 1946 foi acometido de uma paralisia facial, mas deixou o Hospital São Marcos, em Recife, mesmo sem autorização médica, para participar da campanha em Itaporanga. Ao final conseguiu se eleger Deputado Estadual com uma votação consagradora. Em 1950 foi candidato a Deputado Federal, mas ficou numa suplência. Desligou-se da UDN e passou-se para o PTB de Epitacinho Pessoa. Foi nomeado advogado do Banco do Brasil, mas preferiu ser candidato a Prefeito de Itaporanga, tendo o comerciante Sebastião Rodrigues de Oliveira como candidato a vice. Venceu a eleição derrotando Osmar Mangueira e Chagas Soares. 

Ao assumir a Prefeitura Municipal comprou um trator para conservação das estradas municipais, botou luz nas vilas do município, melhorou o sistema de distribuição de energia da cidade, construiu um grande mercado publico, com 120 por 88 metros, no local do atual, levou um cinema para Itaporanga, construiu mercados em São José do Caiana e Serra Grande, instalou um serviço de alto falante e implantou vários campos de agricultura mecanizada e postos para a distribuição gratuita de medicamentos. Pitanga iniciou as obras de um sodalício onde, anos depois, foi erguido o Itaporanga Clube. 

No seu primeiro mandato construiu um açougue na rua Argemiro de Figueiredo e estabeleceu a remoção do lixo urbano em carroças de tração animal. Foi ainda o responsável pelo novo projeto urbanístico da cidade. As ruas da velha Misericórdia eram todas elas construídas no sentido norte-sul. As novas ruas por ele projetadas são todas no rumo do oeste. Vejam a Getúlio Vargas, a Soares Madruga, a Horácio Gomes, 13 de Maio, São José, Marques do Herval, e outras. Para estimular a construção de prédios nas artérias projetadas ele próprio mandou edificar uma enorme casa, onde hoje funciona a Sétima Região de Ensino, e um dos maiores hotéis do sertão, na Getúlio Vargas. O hotel desapareceu e no terreno foi construído o complexo comercial de Francisco Pinto Brandão e filhos, e a agência do Banco do Nordeste. 

Renunciou ao cargo de Prefeito para ser candidato a Deputado Federal pelo PTB, mas novamente não obteve êxito. Argemiro eleito Senador e Deputado Federal decidiu-se pelo Senado e Pitanga, finalmente, pode ir para o Congresso Nacional. De 1955 a 1958 destacou-se pelas matérias que apresentou, os discursos que pronunciou e as atitudes que adotou nos momentos mais difíceis da vida nacional, como a votação pelo impedimento de Café Filho e Carlos Luz, quando votou contra. Em 1962 tentou voltar à Câmara Federal, ficando numa suplência ao lado de Raimundo Asfora e Arnaldo Lafaiete. Depois deste insucesso revolveu abandonar a política o que fez em 1967, quando voltou à sua condição de Promotor de Justiça, primeiro em Itaporanga, depois de Campina Grande e, finalmente, em João Pessoa. 

Aposentou-se com as honras de Desembargador e com as vantagens financeiras compatíveis ao cargo. A partir daí foi para a sua banca de advocacia, voltando a ser aquele advogado irreverente, corajoso e inteligente que a Paraíba aprendeu a admirar e a respeitar. 

Pitanga era filho de Maximiano de Sousa Conserva e Porfiria Ilovina Conserva da Silva e nasceu no dia 02 de março de 1896, em Itaporanga. Casou-se com Maria Regina Guedes Pereira Pitanga e desta união nasceram Marcelo Maximiano, Frederico Augusto e Maria Alzira. Faleceu no dia 27 de março de 1991, em João Pessoa, e foi sepultado no Cemitério Senhor da Boa Sentença. 

domingo, 2 de novembro de 2014

Paraíba

A Paraíba é uma das 27 unidades federativas do Brasil Localiza-se no leste da Região Nordeste Limita-se com três estados: Rio Grande do Norte (norte), Pernambuco (sul) e Ceará (oeste). Sua área é de de 56 469,778 km², pouco menor que a Croácia. Com uma população de 3 914 418 habitantes em 2013, a Paraíba é o 13º estado mais populoso do Brasil. A capital e a cidade mais populosa é João Pessoa. O Está é dividido em 4 mesorregiões e 23 microrregiões, e divididos em 223 municípios. Outros municípios com população superior a cem mil habitantes são Campina Grande, Santa Rita, Patos e Bayeux. O estado tem um relevo modesto, mas as altitudes não são baixas: 66% do território varia de 300 até 900 metros de altitude. Paraíba, Branco, Piranhas, Taperoá, Mamanguape, Curimataú e Peixe são os rios de maior importância. As principais atividades econômicas são a agricultura (cana-de-açúcar, abacaxi, mandioca, milho, feijão), a indústria (alimentícia, têxtil, de açúcar e álcool), a pecuária e o turismo.

Nas primeiras décadas do século XVII, os franceses já foram responsáveis pela ocupação da região e pelo estabelecimento das relações que tinham com o grupo étnico indígena potiguares. Somente em 1585 João Tavares foi o fundador, na foz do rio Paraíba, do forte São Felipe, para favorecer a defesa da área. A paz com os indígenas se alcançou em 1599. Apesar disso, uma epidemia de varíola foi a causa de morte da população autóctone. De 1634 e 1654, os neerlandeses ocuparam a região. André Vidal de Negreiros expulsou os neerlandeses. Os novos indígenas apresados nos anos posteriores constituíam num agente provocador das revoltas. Estas revoltas foram responsáveis pelo forçamento de uma intervenção militar que ocorreu na metrópole. No ano de 1753, passou a pertencer à capitania de Pernambuco, da qual teve seu novo desmembramento em 1799. A Paraíba foi participante da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador (1825). No ano de 1930, Getúlio Vargas indicou João Pessoa como vice-presidente do Brasil. Naquela época administrou como governador do estado. O fato de que João Duarte Dantas assassinou João Pessoa foi constituído num estopim para a Revolução de 1930.

A Paraíba é berço de vários notáveis poetas e escritores brasileiros como Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida, José Lins do Rêgo, Pedro Américo (este mais conhecido por suas pinturas de cenas da História nacional), Assis Chateaubriand (mais conhecido por ter fundado os Diários Associados, a TV Tupi e o MASP), Ariano Suassuna, entre muitos outros. O estado também deu origem a um dos economistas mais influentes da história latino-americana: Celso Furtado. O maior trombonista do Brasil e o primeiro a doutorase em trombone foi o paraibano de Itaporanga, Radegundis Feitosa Nunes.


Índice 
1 História
1.1 Colonização e conquista
1.2 Invasão holandesa
1.3 Conquista do interior
1.4 Revoltas coloniais e imperiais
1.5 República

História
Ver artigo principal: História da Paraíba

Colonização e conquista

Na época do descobrimento do Brasil, Portugal mostrava-se desinteressado em dominar e explorar as terras pertencentes ao atual Brasil. Isso ocorreu porque esse país não encontrou, na costa brasileira, nenhuma riqueza tão preciosa que chamasse atenção. Além disso, os portugueses estavam mais interessados no comércio de especiarias nas Índias. Esse desinteresse chamou muita atenção dos corsários e piratas, vindos principalmente da França, que logo chegaram à costa brasileira, onde começaram a explorar e extrair o pau-brasil, espécie de árvore muito encontrada no local e de grande valor por conter um pigmento utilizado no continente europeu para tingimento de tecido. Com isso, esses invasores franceses se aliaram com os indígenas locais e firmaram uma troca comercial denominada escambo, prática muito utilizada no Brasil Colônia que consista na utilização da mão de obra indígena em troca de alguma manufatura sem qualquer valor.

Brasão da Capitania da Paraíba
Preocupados com o contrabando dessa espécie nativa, os colonizadores portugueses logo enviaram expedições para a colônia. No entanto, todas elas não obtiveram êxito devido às alianças formadas entre os índios e os invasores, o que levou o rei de Portugal a dividir a colônia em uma sistema de quinze capitanias hereditárias, para serem administradas por doze donatários. No caso da Paraíba, o território ficou subordinando à Capitania de Itamaracá, que se estendia desde a Baía da Traição até o rio Santa Cruz, em Igarassu (Pernambuco). O primeiro a ser nomeado para ser donatário da capitania foi Pedro Lopes de Souza, que não chegou a assumir, ficando, em seu lugar, Francisco Braga. Durante sua administração, este entrou em rivalidade com Duarte Coelho Pereira - primeiro capitão-donatário da Capitania de Pernambuco e fundador da cidade de Olinda -, provocando a falência da capitania e, consequentemente, o fim da administração de Francisco Braga e o início da administração de João Gonçalves, que foi responsável pela construção de engenhos na capitania de Itamaracá e pela fundação da Vila da Conceição. Após sua morte, a capitania novamente entrou em decadência e o contrabando de madeira tornou-se ainda maior.

Engenho na Paraíba, obra do pintor holandês Frans Post, de 1645.
Em 1574, ocorreu o ataque ao engenho Tracunhaém, no qual índios mataram todos os moradores de um engenho chamado Tracunhaém, em Pernambuco, levando o rei de Portugal, D. Sebastião de Portugal, a desmembrar a Capitania de Itamaracá e fundar a Capitania da Paraíba. O governador-geral da capitania recém-criada, D. Luís de Brito, recebeu a ordem do rei português de punir os responsáveis pelo ataque do engenho e fundar uma nova cidade para abrigar a sede do governo da capitania, dando origem a cinco expedições que tinham o propósito de conquistar a Paraíba. A primeira ocorreu em 1574 e foi comandada pelo ouvidor Geral D. Fernão da Silva e ocorreu sem êxito; a segunda ocorreu em 1575, sendo ordenada por D. Luís de Brito, governador-geral da capitania da Paraíba, e no final também acabou fracassando; a terceira (1579) e a quarta (1582) foram comandadas pelo português Frutuoso Barbosa, novamente não atingindo o resultado esperado; a última, realizada em 1584, foi comandada por Flores Valdez e novamente por Frutuoso Barbosa, que finalmente conseguiram repelir os invasores franceses, concretizando o desejo de conquista da Paraíba. Após essa conquista, foram construídos os fortes de São Felipe e São Tiago.

Para a conquista da Paraíba, Martim Leitão, ouvidor geral da Capitania da Bahia, formou tropas com brancos, indígenas, escravos e religiosos, que ao chegarem encontraram índios indefesos, logo aprisionados. Contudo, ao saber que eram tabajaras, libertou-os e os convenceu que sua luta era contra os potiguaras, por sinal, rivais dos tabajaras. Leitão tentou se unir a eles, mas estes, com medo de mais uma traição, rejeitaram. Após muita negociação, os portugueses se uniram aos tabajaras e expulsaram os índios potiguaras, permitindo assim que em agosto de 1585 se desse a conquista efetiva da Paraíba, com a união de um português e um chefe indígena chamado Pirajibe. Após a conquista, Martim Leitão começou o processo de edificação na cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves (atual João Pessoa) e viaja para Baía da Traição para expulsar o restante dos franceses que ali residiam.

Vista atual do Forte de Santa Catarina do Cabedelo. Ao fundo, a Casa de Pólvora.
Invasão holandesa
Com a morte do rei Sebastião de Portugal, em 1578, o trono português foi deixado para o cardeal D. Henrique, que morreu no ano seguinte, principalmente devido à sua idade avançada. No ano seguinte, o rei espanhol Felipe II assumiu o trono e iniciou o período da União Ibérica, entre 1580 e 1640. O início do governo de Felipe II foi desfavorável à Holanda, pois ela lutava pela sua independência contra a Espanha e era a principal responsável pela comercialização de açúcar na colônia do Brasil. O reino espanhol logo proibiu os holandeses de embarcarem nas terras brasileiras. Após essa proibição, os holandeses formaram a Companhia das Índias Ocidentais, para conseguir de volta os lucros realizados através do comércio com as possessões portuguesas.

Vista de Frederiksstad, atual João Pessoa, em 1638
Em 1624, ocorreu a primeira tentativa da Holanda em invadir a colônia brasileira, em Salvador. O governador da capitania da Bahia, Diogo de Mendonça Furtado, mostrava-se praticamente preparado para enfrentar os invasores. A demora da esquadrilha holandesa em atacar a colônia levou os habitantes nativos a desacreditarem em uma possível invasão, mas o impossível aconteceu e tais habitantes foram pegos surpreendentemente pelos holandeses. O governador geral da Bahia foi capturado e preso e vários chefes batavos foram mortos pelas forças brasileiras, sob o comando de Marcos Teixeira. Foi apenas em maio de 1625 que as tropas holandesas, já enfraquecidas, foram expulsas da Bahia, pela esquadra de D. Fradique de Toledo Osório. Sob a liderança de Hendrikordoon, os holandeses seguiram em direção a Baía da Traição, onde atingiram seu auge. Mas o governador geral paraibano, Antônio de Albuquerque, contando com o apoio de Francisco Carvalho, enviou tropas vindas da Paraíba e de Pernambuco, além de índios, para conter e repelir os holandeses, o que viria a acontecer apenas em agosto de 1625. Após a expulsão, os invasores seguiram de volta para Pernambuco, onde o governador Matias de Albuquerque, com o objetivo de enfraquecer ainda mais os holandeses, queimou vários armazéns contendo suprimento e foi para a trincheira. Os índios potiguaras, que chegaram a auxiliar os holandeses, foram também expulsos.

Mapa da Paraíba e do Rio Grande do Norte, 1643.
Para evitar novas invasões holandesas na Paraíba, foi construído o Forte de Santa Catarina, atualmente localizado no município de Cabedelo, na margem direita do Rio Paraíba. Na outra margem foi edificado o Forte de Santo Antônio. Em 5 de dezembro de 1632, 1,6 mil batavos chegaram na Paraíba, comandados por Callenfels. Ocorreu um verdadeiro tiroteio e os holandeses ergueram trincheiras logo em frente ao Forte de Santa Catarina. Mesmo assim, os invasores novamente foram derrotados após a chegada de seiscentos homens enviados pelo governador à cidade de Nossa Senhora das Neves. Os brasileiros também tentaram construir uma trincheira em frente ao mesmo forte, mas logo enfrentaram resistência holandesa. Sem capacidade de vencer, os batavos se retiraram do local e fugiram para Pernambuco. Os invasores holandeses decidiram ir em direção ao Rio Grande do Norte e atacá-lo, contudo cerca de duzentos indígenas e três companhias da Paraíba conseguiram impedir o ataque. Os invasores voltaram para a Paraíba para atacar o Forte de Santo Antônio. Porém, uma trincheira levantada pelos próprios paraibanos nesse forte provocou a desistência dos holandeses em realizar o ataque. Por isso, eles seguiram diretamente para o Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.

Paisagem da Paraíba em 1665.
Algum tempo depois, os holandeses decidiram voltar à tentativa de invadir a Paraíba. Em 25 de novembro de 1634, chegou à costa paraibana uma esquadra contendo 29 navios. E 4 de dezembro do mesmo ano, os invasores chegaram ao norte do Jaguaribe, onde prenderam o governador (que conseguiu escapar mais tarde) e mais dois brasileiros. No dia seguinte, já em direção a Cabedelo, os batavos foram conseguindo se fortificar. Enquanto Callabar estava furtando várias propriedades, Antônio de Albuquerque Maranhão - filho de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, que conquistou o Maranhão no início do século XVII - enviou à Paraíba vários combatentes para repelir os holandeses, contando com ajuda de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. Mesmo com a chegada com conde Bagnuolo para tentar ajudar os paraibanos, estes já se encontravam muito enfraquecidos, razão pelo qual entregaram os fortes de Santa Catarina e Santo Antônio. O conde decidiu abandonar a Paraíba e fugiu para Pernambuco. As tropas comandadas por Antônio de Albuquerque, contando com apoio da população local, tentaram fundar o Arraial do Engenho Velho.

Os holandeses se dirigiram então à cidade de Filipeia de Nossa Senhora das Neves, e, como resultado, encontraram a cidade praticamente abandonada e vazia. Tentaram procurar Antônio de Albuquerque, que também não foi encontrado. Somente algum tempo depois, o comandante e líder das tropas holandesas Duarte Gomes foi encontrado, e foi preso por Antônio de Albuquerque e mandado em direção ao Arraial do Bom Jesus, sendo posteriormente libertado pelos invasores da Holanda. Sob a liderança de André Vidal de Negreiros, os paraibanos conseguiram vencer os invasores, no engenho do Espírito Santo. A população local ainda possuía o desejo de expulsar todos os holandeses de suas terras. Novamente sendo comandados por André Vidal de Negreiros, novos homens foram contratados para poder repelir os holandeses, que, ao saberem da notícia, também foram reforçados e treinados para o combate. Em Timbiri, os paraibanos se reuniram e caminharam em direção ao engenho de Santo André, local em que foram atacados pelas tropas de Paulo Linge. Depois de vários combates e lutas, mais de oitenta paraibanos foram dizimados, incluindo o capitão Francisco Leitão. A situação tornou-se mais complicada em Pernambuco, quando os combatentes situados no engenho de Santo André continuaram desafiando os holandeses. A fortaleza de Pernambuco foi dada aos prisioneiros libertados por Hauntyn. No contexto das invasões holandesas na Paraíba, este era dividido em dois grupos diferentes: os homens livres (formados por brasileiros, holandeses, portugueses) e os escravos (naturais da África ou da própria colônia).

Conquista do interior

Mapa da Paraíba em 1698.
Após o contexto das invasões holandesas, foram organizadas bandeiras, entradas, missões de catequese que culminaram na conquista no interior da Paraíba. Primeiramente, a conquista do interior foi realizada por meio das missões de catequese, que objetivavam, principalmente, a catequização dos índios. Entre os principais missionários, um dos mais importantes é Padre Martim Nantes, fundador da vila de Pilar. Posteriormente foram realizadas as bandeiras, que tinham o propósito de captura de índios.

A primeira bandeira organizada na Paraíba foi comandada pelo capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo. Ela ocorreu a partir do rio Paraíba, e, mais tarde, culminou no surgimento de um povoado denominado Boqueirão (atualmente município). Como resultado, vários indígenas foram capturados e presos e, no final, bem-sucedida. O comandante desta bandeira é também reconhecido por ser o principal responsável pela colonização do interior paraibano, uma vez que ele, além de estabelecer nesta região, trouxe consigo várias famílias para povoar o interior da Paraíba. Além de Teodósio, outro responsável pela ocupação do interior foi o capitão-mor Luís Soares. Outros nomes que também tiveram importância no projeto de conquista e colonização do interior foram Elias Hickman - que, juntamente com Manuel Rodrigues, estabeleceu-se na região em busca de minas de ouro, principalmente na Serra da Borborema - e Francisco Dias D’ávila - fundador da Casa da Torre. A colonização interiorana também foi marcada por conflitos entre os colonizadores e os principais grupos indígenas que habitavam a região, como os caicós, os icós, os janduís e sucurus.

No final do século XVII, a capitania da Paraíba ganhou sua autonomia política, tornando-se independente. Em 1º de janeiro de 1756, o mesmo perdeu sua autonomia, passando a ser subordinada por Pernambuco, tornando-se novamente independente em 11 de janeiro de 1799.

Revoltas coloniais e imperiais

Possível mapa da Confederação do Equador.
Ao longo de sua história, a Paraíba participou de várias revoltas ocorridas, desde o Brasil Colonial até a República. A Guerra dos Mascates, ocorrida entre 1710 e 1712 em Olinda, Pernambuco, contou com a participação de João da Mata, mascate apoiado por João da Maia Gama, governador da Paraíba, com o intuito de desforrar-se dos senhores de engenho, o que culminou na captura e prisão do governador pernambucano e o início de um novo governo, comandado por Félix José Machado de Mendonça, a princípio imparcial, até depois seguir ao lado dos mascates, que no final venceram o conflito. Depois, a Paraíba participou de revoluções liberais, estimuladas principalmente pela maçonaria. No período colonial, destaca-se a Revolução Pernambucana de 1817, que surgiu em Pernambuco, espalhando-se posteriormente por Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, com o objetivo de tornar o Brasil independente, baseado na Independência dos Estados Unidos e nos ideais da Revolução Francesa; no final, o governo federal reagiu prendendo e matando vários líderes do movimento, entre eles o comerciante Domingos José da Silva e os militares paraibanos Amaro Gomes e Peregrino de Carvalho.

Após a independência do Brasil, ocorrida em 1822, o Brasil adotou a monarquia como forma de governo, tendo D. Pedro I como primeiro monarca. Foi formada uma assembleia constituinte com o objetivo de elaborar uma constituição para o novo país recém-declarado independente. No entanto, em dezembro de 1823, o imperador dissolveu a assembleia e outorgou a constituição em 1824. A situação tornou-se mais grave e difícil quando D. Pedro I substituiu o governador da província de Pernambuco, Manoel Pais de Andrade, por Francisco Barreto, provocando uma revolta articulada principalmente em torno das câmaras municipais de Olinda e Recife, conhecida como Confederação do Equador. Em 2 de julho de 1824, o ex-governador Manoel envolveu-se, contou com o apoio das províncias de Alagoas, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, com objetivo de tornar o Nordeste uma república independente. A revolta fracassou e seus principais líderes, entre eles o Frei Caneca, foram mortos.

Entre o final de 1848 e 1849, ocorreu a Revolta Praieira, cujo palco principalmente foi novamente Pernambuco. Durou cerca de cinco meses, teve seus ideais inspirados pelas revoluções ocorridas em 1848 na Europa. A Revolta Praieira reivindicava várias reformas sociais e econômicas, como a divisão latifundiária, a instalação de um regime democrático e a liberdade de imprensa. Mais uma vez, a revolta terminou sem sucesso. Três anos depois, em 1851, a Paraíba, juntamente com suas províncias vizinhas, envolveu-se em mais uma revolta, intitulada Ronco da Abelha, que objetivava controlar os trabalhadores livres, na época da diminuição do tráfico de escravos. Em 1874, a Paraíba se envolveu na Revolta do Quebra-Quilos, que ocorreu após uma modificação no sistema de pesos e medidas; seus principais líderes foram presos, entre os quais o pároco da paróquia de Campina Grande, Calisto Correia Nóbrega.

República

Epitácio Pessoa 
Epitácio Pessoa foi o único paraibano  a tornar-se Presidente da República, entre 1919 e 1922, além de ter sido  o único brasileiro a ter ocupado  a presidência dos poderes executivo, legislativo e judiciário federais.

Em novembro de 1889, após a queda do regime monárquico e a consequente instituição da república no Brasil, a Paraíba, assim como as outras províncias, transforma-se em estado da federação. Seu primeiro governador foi Venâncio Augusto de Magalhães Neiva, entre 1889 e 1891, quando foi deposto, assumindo em seu lugar um triunvirato, que governou o estado até 1892, quando Álvaro Lopes Machado foi nomeado por Floriano Peixoto para assumir o governo da Paraíba. Em sua gestão foi promulgada uma nova constituição para a Paraíba, foi instalado o tribunal de justiça do estado, bem como colocou em dia o pagamentos dos funcionários públicos, construiu vários açudes públicos em todas as regiões do estado, pavimentou estradas, reduziu a dívida do estado, aumentou a efetivação da força pública, criou a imprensa estadual, criou a junta comercial da Paraíba, a diretoria de obras públicas, entre outras. Seu governo durou até 1896, quando ele renunciou ao cargo para se candidatar ao Senado, assumindo, em seu lugar, o vice-presidente do estado, o Monsenhor Valfredo Leal e, posteriormente Antônio Alfredo da Gama e Melo. Durante o período da República Velha, entre 1889 e 1930, o poder paraibano era exercido por coronéis e oligarquias que controlavam o estado; nessa fase, a Paraíba foi governada por três oligarquias: o venancismo (Venâncio Neiva), o alvarismo (Álvaro Machado) e o epitacismo (Epitácio Pessoa). Em geral, o primeiro período republicano na Paraíba foi caracterizado pelo crescimento da população urbana, bem como pelo crescimento de reivindicações e organização dos trabalhadores, que foram reprimidas durante o governo de Epitácio Pessoa (1919-1922). Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a economia da Paraíba entrou em crise, principalmente devido à queda nas exportações do algodão, um dos principais produtos agrícolas do estado.

João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Presidente do Estado da Paraíba 
entre 1928 e 1930.
Em 1926, a Coluna Prestes, comandada por Luís Carlos Prestes, Miguel Costa e Juarez Távora, passou pela Paraíba. Nessa mesma época, o estado também teve destaque no cangaço, tendo Antônio Silvino, Chico Pereira e Virgulino Ferreira da Silva (o Lampião) como líderes de bandos que atuaram nas localidades de Cajazeiras, Guarabira, Piancó e Sousa. Em 1930, ocorreu um movimento revolucionário considerado o acontecimento mais marcante já registrado em toda a história do estado. O presidente Washington Luís, que deveria apoiar a candidatura do mineiro Antônio Carlos, acabou apoiando a candidatura do paulista Júlio Prestes, provocando, por parte de Minas Gerais, sua ruptura com a aliança paulista, juntamente com a Paraíba e com o Rio Grande do Sul, que se uniram e criaram a Aliança Liberal, que indicou Getúlio Vargas para ser candidato à Presidência da República e o presidente da Paraíba, João Pessoa, para vice-presidente. A vitória de Júlio Prestes desencadeou o movimento revolucionário, que o impediu de tomar posse. Na Paraíba, João Pessoa, candidato derrotado, passou a enfrentar várias rebeliões. Uma delas ocorreu em Princesa Isabel e foi comandada pelo coronel José Pereira, aliado de Júlio Prestes, onde várias casas e escritórios de suspeitos de receptar armamentos para os rebeldes foram invadidas pela polícia. Mais tarde, em Recife, em 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado por João Duarte Dantas em uma confeitaria da cidade, evento que gerou muita repercussão em todo o Brasil e também um outro fator que deu origem à Revolução de 1930. O seu corpo foi enterrado no Rio de Janeiro e a capital paraibana, antes chamada Cidade da Paraíba, passou a se chamar João Pessoa em sua homenagem, até os dias atuais.

Em 1989, foi encontrado no distrito de São José da Batalha, município de Salgadinho, uma nova espécie de turmalina, que leva o nome do estado. Posteriormente, essa mesma pedra foi encontrada no vizinho estado do Rio Grande do Norte e no continente africano, mais especificamente em Moçambique e Nigéria.29 No mesmo ano, foi promulgada a atual constituição do estado.

Em 2009 o governador e o vice-governador do estado na época, Cássio Cunha Lima e José Lacerda Neto, respectivamente, tiveram seus mandatos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico cometido nas eleições de 2006, assumindo, em seu lugar, o segundo colocado nas eleições realizadas naquele mesmo ano, José Maranhão, e seu vice, Luciano Cartaxo. Em 2010, José Maranhão se candidatou à reeleição, mas acabou sendo derrotado por Ricardo Coutinho, que venceu as eleições do referido ano com mais de 53% dos votos e é governador do estado até os dias atuais.

Nas recentes eleições, no segundo turno, Ricardo Vieira Coutinho foi reeleito, vencendo seu opositor, o senador Cássio Rodrigues da Cunha Lima, com 52,61% dos votos válidos. A Vice-governadora eleita é Lígia Feliciano (PSB) e a coligação que os elegeu, a Força do Trabalho era compota pelos partidos: PSB / PT / PDT / DEM / PRTB / PRP / PV / PSL / PC do B / PHS e PPL.

A Assembleia Legislativa com a seguinte composição (36 Deputados), ELEITO POR QUOCIENE PROPORCIONAL: Manoel Ludgerio (PSD - com 50.107 Votos, é natural de Catolé do Rocha); Daniella Ribeiro (PP - com 46.938 Votos natural de Campina Grende); João Henrique (DEM - com 45.178 Votos, é natural de Monteiro); Ricardo Marcelo (PEN - com 45.061 Votos, natural de João Pessoa); Edmilson Soares (PEN - com 42.620 Votos, natural João Pessoa); Adriano Galdino (PSB - com 40.609 Votos, natural de Campina Grande); Nabor Wanderley (PMDB - com 40.138 Votos, natural de Campina Grande); José Aldemir (PEN - com 39.310 Votos, natural de Cajazeiras); Dinaldinho (PSDB  - com 38.963 Votos, natural de Patos); Doda de Tião (PTB - com 37.231 Votos, natural de Campina Grande); Arnaldo Monteiro (PSC - com 36.864 Votos, natural de Esperança); Jutay Meneses (PRB - com 5.415 Votos, natural de Cairu - BA); Raniery Paulino (PMDB - com 35.007 Votos, natural de João Pessoa); Estela Bezerra (PSB - com 34.929 Votos, natural de João Pessoa); Gervasio Maia (PMDB - com 34.795 Votos, natural de São Paulo - SP); João Gonçalves (PSD - com 34.059 Votos, natural de João Pessoa).

Ainda eleitos por Quociente Proporcional: Bruno Cunha Lima (PSDB - com 34.054 Votos, natural de Campina Grande); Galego Sousa (PP - com 33.971 Votos, natural de São Bento); Lindolfo Pires (DEM - com 33.717 Votos, natural de Sousa); Ricardo Barbosa (PSB - com 32.892 Votos, natural de Campina Grande); Branco Mendes (PEN - com 32.848 Votos, natural de Aguiar); Camila Toscano (PSDB - com 32.682 Votos, natural de João Pessoa); Tiao Gomes (PSL - com 30.974 Votos, natural de Pombal); Tovar (PSDB - com 30.670 Votos, natural de João Pessoa); Buba Germano (PSB - com 29.586 Votos, natural de  Frei Martinho); Dr. Renato Gadelha (PSC - com  26.594 Votos, natural de Sousa); Anísio Maia (PT - com 25.905 Votos, natural de Alagoa Nova); Zé Paulo (PCdoB - com 25.341 Votos, natural de Santa Rita); Frei Anastácio (PT - com 22.119 Votos, natural Esperança); Janduhy Carneiro (PTN - com 19.694 Votos, natural João Pessoa); Genival Matias (PTdoB - com 15.027 Votos, natural de  João Pessoa).

Foram ELEITOS PELA MÉDIA: Caio (PR com 29.576 Votos, natural de Campina Grande); Jeová (PSB - com 23.815 Votos, natural São José de Piranhas); Trocolli Jr (PMDB - com 20.685 Votos, natural de João Pessoa); Inácio Falcão (PTdoB - com 14.392 Votos, natural de Campina Grande); Joao Bosco Carneiro Junior (PSL - com 13.307 Votos, natural de João Pessoa.

Para a Câmara Federal, foram eleitos os seguintes Deputados Federais: Pedro Cunha Lima (PSDB) - 179.886; Veneziano (PMDB) - 177.680; Aguinaldo Ribeiro (PP) - 161.999; Hugo (PMDB) - 123.686; Manoel Junior (PMDB) - 105.693; Wellington Roberto (PR) - 104.799; Efraim Filho (DEM) - 103.477.

José Targino Maranhão (PMDB) foi eleito senador pela Paraíba, obtendo 37,12% dos votos, ou um total de  647.271 escrutínios. Seus principais concorrentes foram:  Lucélio Cartaxo (PT) com 29.93%. ou 521.938 Votos e Wilson Santiago que ficou com 29.02% dos votos, ou seja, 506.093 Votos.
Com a Wikipédia

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