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José Brunet Ramalho

Primeiro Prefeito de Misericórdia.

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quinta-feira, 5 de março de 2015

Proezas de Zé Ninguém

hoje vou falar relembrar uma figura histórico dos becos de Misericórdia nos tempos idos de 1950, vou falar nada mais nada menos de Zé Ninguém, desse sertanejo que trazia no seu registro civil o nome de José Coringa, filho de Marçal Coringa e de Severina Coringa, nossa conhecida Biú de Marçal Coringa, vou tentar relembrar as travessuras desse “moleque danado” que de repente desapareceu de Itaporanga e ninguém nunca mais soube se quer notícias.O chamado Zé Ninguém, foi assim apelidado quando estudava no Grupo Escolar Simeão Leal e ele mesmo se dizia a Terceira Pessoa depois de ninguém. Dessa forma os colegas começaram a chama-lo de Zé Ninguém e ele começou a assim atender.

O José Coringa, como todo e qualquer José Ninguém (de acordo com os dicionários), significa exatamente “gente da gente”, gente como você e eu, isto é, se você se considera gente simples – do tipo sem milongas, sem obstáculos, desenrolado e sem dinheiro. 

José Ninguém foi uma das figuras mais folclórica da história de Itaporanga ou Misericórdia como queiram, se quisessem poderiam até escrever um livro. O negro era travesso e simpático além de querido por toda sua geração.

Em 1958 o ano foi ruim de inverno e Zé Ninguém na tentativa de ajudar o pai, Marçal Coringa que se encontrava muito doente, foi até Eládio Clementino e conseguiu um emprego na emergência, que fazia a estrada de Itaporanga a São José de Caiana e servia de paliativo aos sertanejo que fugiam da seca.

Como todo cassaco, como é chamado o homem que trabalha na emergência, Zé Ninguém foi alistado com o número de 17 e ele que era um adolescente inteligente sentiu que aquele número havia colocado por que ele era preto e 17 era o número do macaco.

Revoltado, Zé Ninguém começou a fazer peripécias no acampamento onde sua turma formada por: Nem Morato, Eládio Cochete, Amauri de Antonio Sotero, Zé Cafezinho, Zé Pibite, Antônio Boquinha, Ageu, Mazola, Lindomar de Joça, Zé Brasilino, etc. o tinha como uma figura inteligente e que por isso indicaram ao FEITOR ou Chefe de Turma que era analfabeto para que o mesmo fizesse o apontamento.

O Feitor tinha que entregar toda semana um relatório ao Chefe do Escritório e era esse relatório quem dizia se o operário trabalhara ou não e só assim recebia o salário semanal.

Nessa mesma turma o feitor,Seu Augusto, tinha três filhos: Antônio; José e Severino, além de dois cunhados: Pedro e Joaquim, vamos assim chama-los para não ferir ninguém.

No dia de fazer o primeiro relatório, o Sr. Augusto chamou Zé Ninguém e disse: “ Vamo muleque, fazer nosso apontamento qué preu levar prú Seu Oládio Climitino.” E lá se foi Zé Ninguém com sua caligrafia bonita escrever o relatório.

“Bota aí neguim: o premeiro da lista é o numro 17, é tu. Bota aí que essa semana tu num fez nada a num sê aperriar os outos. E Zé Ninguém colocou o nome do primeiro filho de seu Augusto. Pronto Seu Augusto, que mais? “Bota aí muleque, bota aí o numo 24 Oladio Cochete, diz aí que ele passou a semana se iscorando in meu filho José e que o bichim trabalhou tanto qui ta duente.” E Zé Ninguém escreveu o contrário. Pronto seu Augusto, que mais? “Bota aí qui Nem Morato num faz nada a num ser passar a semana pintiando o cabelo e passando brilantina gostora.” Zé escreveu que esse papel era do filho mais novo do Seu Augusto. Pronto seu Augusto vá dizendo. “Oi muleque tu iscreve isso dereito se não eu faço tua caveira cum seu Oládio.” Tá certo Seu Augusto, que mais escrevo. “Iscreve aí que Tonho Boquinho passa a semana raparigando” Zé Ninguém escreveu que o cunhado de Seu Augusto passava a semana raparigando. Que mais? Num si isqueci do nego Ageu e de Mazola qui passaro a semana batendo violão e bebeno cachaça e fazeno prose.” Zé Ninguém escreveu que o segundo cunhado e o próprio Seu Augusto passaram a semana fazendo aquilo.

Com um relatório supostamente bem feito em mãos, Seu Augusto deslocou até a cidade e entregou a Eládio Clementino que por sua vez passou para o Chefe Geral da emergência o Sr. Albérico. Esse ao ler o relatório mandou que fosse demitido toda aquela gente que só bagunçava no trecho e quando Seu Augusto soube da realidade, foi até Zé Ninguém e disse: “Muleque capeta, proque tu fez isso cumigo e cun meus fios.” E Zé Ninguém respondeu:”aprendi a ler e escrever com Dona Duzinha Moura e ela me ensinou pra valer. Vocês me ficharam aqui no trecho com o número 17, porque sou preto e vocês queriam me comparar ao macaco, pois bem o bicho que mais parece gente é macaco, porém o burro não tem nada de gente, então o senhor e seus filhos, são burros.

Essa historia narra aventuras de um pobre miserável que faz da esperteza, da sagacidade, da desconfiança do formal excessivo, o meio de vida ou o melhor jeitinho brasileiro que lhe garante a sobrevida. Sua sobrevivência se dá tripudiando o autoritarismo, o servilismo, o coronelismo, todos os “ismos” da opressão.

Mas na realidade quem foi Zé Ninguém? Zé Ninguém não era bonito, nem feio; era sim negro; mais pobre do que remediado; não era homem alto, mas também não era baixo. Zé Ninguém era um homem de estatura mediana, mas de uma grande alma. Zé Ninguém era simplesmente gente que gostava da vida e o que de bom a vida restou, nunca Zé Ninguém esteve do lado do mau.

Zé Ninguém foi um itaporanguense,
Que no dia certo nasceu,
Pobre como sertanejo forte,
Em Itaporanga viveu,
Desapareceu faz muito tempo,
Pro lado de Goiás se estabeleceu,
Da saudade lembrar do negro peralta,
Dentes brancos, olhar forte e agudo,
Mas é bom viver os becos de Misericórdia,
José Coringa, boca grande e beiçudo,
Que saudade você sente também,
Ao reviver essa historia de agora,
Relembrando o nosso Zé Ninguém.

Essa prosa a respeito de Zé Ninguém, que contei agora, tenta combater a ideia da fraternidade ou da solidariedade vazia. Temos que ser irmãos uns dos outros, filhos legítimos da mesma mãe, Itaporanga que um dia foi Misericórdia, de vez em quando um de nós contar para nossa juventude a saga dos nossos anos idos, do tempo do motor de Lô, do Padre Firmino, das broas de Ercília. E Jesus Fonseca faz isso muito bem, Maria da Paz não ficA atrás, Bebé de Natercio conhece também um pouco dessa história e Marcos Maia. Vamos gente, vamos acordar e colocar esse Mural de Rainério no devido lugar. Além de Zé Ninguém existem outros personagens que são nossos e que fizeram histórias.

As Proezas de Zé Ninguém, são as proezas de Evandro Negreiros, são as proezas de Antônio Fonseca e de Nilvando Gabriel e porque não lembrar de toda essa gente e reviver os becos de Misericórdia. Simplesmente eu hoje amanheci com saudades. 

Se estou contando essa história, é porque gosto de minha terra e do meu povo, essa gente da terra, das caatingas, da canoa de Edmundo que atravessa o Rio Piancó nas grandes cheias, missão essa que também pertenceu a Lourival. Há muito que procuro entender melhor essa tão rica e bela cultura diferenciada do povo de Itaporanga e da própria Itaporanga, que Edmilson Fonseca conhece tão bem.

Hoje também como sou um admirador dos cordelistas que nos ensinam tão alegremente o real significado de tudo há na vida sem eira, nem beira. Fico pensando como seria um verso de “Cordel” escrito por Bebé de Natércio ou seu irmão Marcos Maia, com o título: “ Os becos de Itaporanga”.

Enfim, essa história de Zé Ninguém é um resgate da nossa história e dos nossos personagens. Esse Zé Ninguém que sintetiza a inteligência, a criatividade, a imaginação, o conhecimento natural do mundo que o nosso povo tem. É como ter na memória, sentir a intensidade da cultura, ter sempre perto a beleza do bronzeado natural da cor jambo, as cores, o cheiro, o sabor das coisas comuns e simples da vida que se leva na nossa Itaporanga. O sol causticante, o sonho é doce e não há outro calor que nos traga maior conforto.

Escrito no Mural em 30-10-2007

quarta-feira, 4 de março de 2015

CDL-Itaporanga emite nota de pesar pela morte do seu fundador Carlos Jean e do sócio Gilclean Moreira

A CDL - Câmara de Dirigentes Lojistas de Itaporanga, está de luto pela morte do seu fundador: CARLOS JEAN TOLENTINO; e em sua homenagem, a CDL convoca todos os comerciantes a fecharem seus estabelecimentos comerciais às 16h, expressando assim o seu sentimento de pesar e grande admiração pela expressiva participação que teve no desenvolvimento de Itaporanga e a frente da CDL-ITAPORANGA; ainda como grande amigo e companheiro em todos os momentos que a CDL precisou.

A CDL-ITAPORANGA, se solidariza e expressa ainda os pezares pela morte do empresário e sócio da CDL: GILCLEAN MOREIRA.

Que Jesus se os acolha nessa nova etapa de suas vidas.

Itaporanga, em 21 de fevereiro de 2011.

CDL-ITAPORANGA

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Itaporanguense sofre de uma enfermidade rara: ela acomete uma pessoa a cada um milhão

Terremoto foi avaliado por vários especialistas, que descartaram uma intervenção cirúrgica


Por Sousa Neto/Folha do Vale - Os diagnósticos médicos não são animadores para o itaporanguense Cláudio Claudino de Lima, conhecido como Terremoto, de 30 anos, que passou metade da vida lutando contra um problema vertebral que o afeta desde a infância.

A deformidade óssea que paralisa e enrijece toda a parte direita do seu corpo, especialmente braço e perna, e toda a sua estrutura dorsal, é uma doença congênita e rara, atingindo uma pessoa a cada um milhão, conforme o cirurgião ortopédico Jocemir Paulino, que examinou o paciente na tarde da terça-feira, 20, em um hospital traumatológico de João Pessoa.

Terremoto já havia passado por vários ortopedistas antes, inclusive um especialista em quadril, e todos atestaram a gravidade do problema e a pouca probabilidade de solução, mas o diagnóstico definitivo veio com o dr. Jocemir, que é um dos mais requisitados cirurgiões de coluna de João Pessoa. “Vocês vieram de tão longe em busca de uma boa notícia, mas não há o que se fazer neste caso, nem aqui e em nenhuma outra parte do mundo. Nenhuma cirurgia ou medicamento corrige o problema, ao contrário, agrava-o ainda mais”, enfatizou o especialista, que prescreveu alguns medicamentos para aliviar as dores do paciente e assinou um breve relatório sobre o caso: documento que pode embasar um pedido de aposentadoria por invalidez, mas como nunca contribuiu com a previdência, dificilmente ele conseguirá o benefício, mas já recebe um amparo assistencial do governo.

Mesmo que o problema de Terremoto tivesse sido diagnosticado em seu estágio inicial, ou seja, durante a infância do paciente, não haveria solução, “porque há 15 ou 20 anos, a medicina ainda não tinha recursos para tratar esse tipo de doença”, comentou dr. Jocemir. Para o encontro com o médico em João Pessoa, ele foi em uma ambulância do hospital de Itaporanga conseguida pela Gerência Regional do Orçamento Democrático Estadual, mas retornou de ônibus.

Com o corpo deformado, locomovendo-se com dificuldade e sem conseguir ficar ereto, em função da calcificação muscular, Terremoto, com o apoio da Fundação José Francisco de Sousa e dezenas de pessoas que contribuíram com a campanha financeira em prol do itaporanguense, buscava uma solução pelo menos paliativa, mas recebeu com resignação o relatório médico, porque já tinha consciência do peso da doença que carrega nas costas, embora nunca tenha perdido a esperança nem a motivação de viver.

Morando com mãe, que é deficiente visual, e com um irmão, no Alto das Neves, em Itaporanga, Terremoto tem um outro desejo na vida, este talvez menos complicado: rever o pai, que abandonou a família quando ele ainda era criança. Também está nos seus planos um casamento e filhos. Foto (www.folhadovali.com.br): Médico fotografa Terremoto durante a consulta.  

Publicado pelo Folha do Vale em 23-09-2011

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Pedro Ferreira emite Carta Aberta de Agradecimento

O ex-gerente do Escritório da Cagepa em Itaporanga envia ao blog uma Carta Aberta de Agradecimento pelo período em que esteve à frente daquele órgão. Confira, abaixo, a íntegra da carta: 

“Combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé...”.
      
Venho de público prestar agradecimento à população, amigos e funcionários que durante 01 ano e 10 meses colaboraram incansavelmente com a minha gestão como gerente da CAGEPA de Itaporanga, a estes devo tudo que consegui realizar dentro da empresa. Ao longo deste período enfrentei o maior desafio da minha vida, como funcionário de carreira da empresa senti na pele a crise que passa o sistema de abastecimento de água da nossa cidade e o sofrimento e os anseios de uma população que necessita urgente da construção de uma nova adutora.
Foram vários os desafios, mas precisei em primeiro lugar recuperar a auto-estima de meus companheiros pelo serviço, pois faltava a estes guerreiros condições dignas de trabalho, ao passo que nunca lhes faltou boa vontade e coragem para mudar esta situação, estes me abraçaram e empenharam todos os esforços possíveis para que conseguíssemos mudar esta situação. A base de muito trabalho e após uma distribuição da água igualitária e justa conseguimos aumentar a arrecadação e faturamento do município que era uma das piores do estado, e chegamos a estar como 2ª lugar a nível regional e entre as 10 melhores da Paraíba. Impomos à direção da empresa como resultado do árduo trabalho que desenvolvemos, que fosse investido recursos para melhoria dos serviços prestados em nosso município e de imediato fomos atendidos com a aquisição de 01 automóvel novo, 02 motos novas, kits com todas as ferramentas necessárias para manutenção, reforma e ampliação total do prédio da agência local, aquisição de fardamentos e informatização ampla dos serviços prestados no escritório local.
Em segundo lugar brigamos para transformar Itaporanga em SUBGERÊNCIA, pois com isso tínhamos a meta de atrair repasse de recursos para nossa cidade e nossa região, investimentos estes que no momento ficam todos despejados apenas na regional de Patos. Solicitamos veementemente a compra ou relocação de um caminhão de esgotos para nossa cidade, pois possuímos um sistema de esgotamento sanitário precário e que necessita de manutenção constante, e apenas o caminhão presente em nosso município diminui esta necessidade.
Em terceiro, busquei a correção de serviços mal prestados em épocas passadas e humanizei o atendimento aos consumidores, procurei ofertar aos bairros mais carentes a maior concentração de tarifas sociais e outros serviços, ao passo que executei uma cobrança mais severa aos maiores consumidores e procurei cobrar primeiro de quem tinha maior condição de pagamento e que justamente era quem possuía a maior inadimplência com a empresa. Nunca houve bandeira política e distinção de classe social enquanto estive a frente da Cagepa do nosso município, para mim todos possuíam direitos iguais, embora defendi como bandeira de luta a busca da melhoria de atendimento primeiro aos mais pobres e carentes.
Por fim, fui vencido pelas forças políticas contrárias à vontade populares, que interromperam um trabalho que vinha dando certo, um trabalho que ganhou o reconhecimento do povo que até o último instante lutou para que eu não saísse e batalhei todos os dias para que pudesse continuar nesta função atendendo ao pedido dos meus amigos de Cagepa que sentiram a minha saída tanto quanto eu senti. Mas aprendi de berço que apenas três coisas combatem e vencem as grandes injustiças da vida, são elas: o silêncio, a paciência e o tempo.Deus haverá de continuar nos protegendo e aprendi a lição de que quando se faz a coisa certa se tem a certeza do dever cumprido e este é meu grande prêmio, ter feito pelos meus irmãos de município.”Na volta ninguém se perde”.

Itaporanga, 08 de março de 2011.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Aldinete Alves de Carvalho


Aldinete nasceu no Sítio Cachoeira, município ainda de Misericórdia, que poucos anos depois trocaria o nome para Itaporanga, aos 11 dias do mês de setembro do ano de 1947, sendo o segundo filho do casal Alcebíades Alves de Carvalho e Dalva Sinfrônio de Carvalho.

Irrequieta desde a infância, Audinete começou seus estudos aqui mesmo em Itaporanga, mas estudou também em Natal, no vizinho estado do Rio Grande do Norte e em São Paulo, onde na capital bandeirante, passou em um concurso para a Força Aérea Brasileira, mas embora tenha sido muita a insistência de amigos e familiares, não assumiu. Não era a sua “praia”.

Bonachão, gostava de viver livre, ao sabor das suas idéias e do seu pensar. Audinete era dono de uma camioneta C-10 e fazia viagens para os sítios e cidades vizinhas, mas nos contava sempre que só dizia a sua mãe, Dona Dalva, quando voltava da viagem que era pra ela não se preocupar. Uma certa vez, virou seu carro em uma estrada de barro e a desculpa dele foi que estava sozinho e precisando trovar um pneu, teve de colocá-lo de rodas pra cima.

Sempre irônico, na nossa formatura de ginásio, quando fomos da primeira turma do Colégio Padre Diniz, como sempre acontecia, passou o sábado inteiro sem energia na cidade e no domingo após a nossa festa de colação de grau, descemos na sua famosa camoineota, Paulo Rainério, Cecílio Fonseca, Janduí Leite e ele, os únicos homens da turma e estamos querendo bebemorar com uma cervejinha fria, mas em todos os bares, só tinha bebida quente e na Getúlio Vargas, procuramos em todos os locais, finalizando na Sorvedrink, então Aldinete colocando a cabeça para fora da cabine do carro gritou para Walter Inácio: Warter, Tem cerveja gelada. No que Walter respondeu: Só tem quente! Aldenete então disse: Prefiro dar o C* numa hora fria e se arrancou na camioneta.


Cara de ranzinza mais com um coração enorme, sempre brincalhão, mais intransigente, defensor irredutível do que considerava correto, esse era o velho Bagaceira, aquele que gostava de ajudar aos outros mesmo que não fosse chamado. Lembro-me, quando eu era diretor da sede do Detran, coquei uns Gelos Baianos para melhora o trânsito da Ireneu Rodrigues e no sábado de madrugada quando algum motorista embriagado deslocava uma pedra, no outro dia, bem cedinho, lá estava Aldinete com sua equipe, para fazer o conserto.
Certa feita, estávamos pintando as faixas de pedestres na Avenida Getúlio Vargas, e um Juiz de Direito, de uma cidade vizinha derrubou as faixas que estavam interditando a rua, Bagaceira então foi lá tomar satisfação; o Juiz, como e o costume deles, quis dar uma carteirada em Audinete, se dizendo Juiz de cidade tal, Bagaceira, não contou conversa e disse: para mim, autoridade errada, não tem razão! E o Juiz, simplesmente tirou o carro e foi embora.

Muito me ajudou mo FICA mesmo me ajudou muito, chegando a ir ao quartel, buscar os cavaletes que interditam a rua, entre outras coisas. É por isso que hoje prestamos esta simples mas sincera, como ele, homenagem aquele que em vida fazia questão de ajudar ao seu semelhante, embora, tenha sido incompreendido por muitos.

Com os dentes cerrados, eu digo: Até breve Bagaceira!

Paulo Rainéri Brasilino

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

2015 começa mal; infarto mata o chefe do Inss de Itaporanga


Itaporanga perdeu  hoje, nas primeiras horas de 2015, um dos seus filhos mais queridos; trata-se de Irineu Agostinho de Sousa, que era chefe da agência local do INSS. Irineu, que nasceu no dia 15 de março de 1962, era filho do casal Terezinha Cipriano de Souza e José Agostinho de Souza.

Um infarto o acometeu nos primeira horas da madrugada em sua residência; ainda foi socorrido Para o hospital José Gomes da Silva e posteriormente, quando era socorrido para um centro mais avançado, Irineu não resistiu e veio a óbito no hospital regional de Piancó, as 3h30 desta madrugada.



O féretro esta sendo velado em sua residência em Itaporanga, que fica localizada a Rua Francisco Bidô, bem próximo a Praça Frei Martinho e seu sepultamento será as 8 horas da manhã, deste dia 02 de janeiro de 2015. Irineu deixa viúva a senhora Maria Vieira de Souza com quem tinha um filho, Luan Vieira Gostinho de Sousa, uma criança de apenas 11 anos de idade.

De origem pobre, com muito estudo e esforço consegui a 25 anos, ser funcinário da previdência social, onde atendia a todos sem distinção e presteza a ponto de chegar a chefia do órgão que atende aos 18 municípios regionais. A sua morte pegou a toda Itaporanga de surpresa, onde era muito querido e admirado por todos, principalmente  por: João Agostinho, Joana D’arck, Delmiro, Auxiliadora Agostinho e Sebastiana Cipriano, seus irmão.

A Loja Maçônica e A Previdência Social prestaram sua homenagem a Irineu, cobrindo seu caixão com as bandeira das respectivas entidades, que Irineu fazia parte.

Portal do Vale


Ano começa triste para Itaporanga: morreu nessa madrugada o chefe do INSS

Irineu Agostinho sofreu um infarto e não resistiu


Por Redação da Folha – Uma das grandes personalidades de Itaporanga morreu na madrugada deste 1º de janeiro. Irineu Agostinho de Sousa, de 52 anos, sentiu-se mal em decorrência de um  infarto, quando se encontrava em sua residência e foi socorrido para o hospital da cidade e, em seguida, transferido para Patos, mas terminou falecendo em passagem por Piancó.

Ele deixa esposa e um filho de 11 anos. Seu corpo está sendo velado em sua residência, na Rua Francisco Bidô. Funcionário da previdência social há cerca de 25 anos, Irineu atualmente chefiava o INSS de Itaporanga, atuando com presteza e sensibilidade.

De origem humilde, teve que se esforçar e estudar muito para chegar ao cargo federal, o qual exercia com reconhecida capacidade. Seu falecimento chocou profundamente a população local e regional. Era uma das figuras mais conhecidas do Vale, já que a agência previdenciária local atendia a 18 municípios. Seu corpo deverá ser sepultado na manhã desta sexta-feira.

Seu caixão foi coberto pela bandeira da Previdência Social e da loja maçônica da qual fazia parte.

Folha do Vale

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

São Paulo: itaporanguense é tema de escola no carnaval de 2009, em Mogi das Cruzes

O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Unidos do Sales, da cidade de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, terá como tema do Carnaval 2009 o itaporanguense Luiz de França Mello.

O homenageado nasceu em 1928 na cidade de Itaporanga, onde viveu até os 23 anos de idade. No ano de 1957, Luiz fixou residência no município de Mogi das Cruzes onde continua até hoje com seus 80 anos de idade.

Sua dedicação ao samba rendeu-lhe, em 1988, o mais importante título conferido pela AMESB Associação Mogiana das Escolas de Samba, o título de CIDADÃO DO SAMBA MOGIANO, feito que voltou a acontecer em 2008 com a mesma condecoração. A escola Unidos dos Sales é a mais nova agremiação do carnaval mogiano, fundada em 1995 é um antigo sonho do presidente Francisco Sales de Souza, que participa do Carnaval mogiano desde 1956 e acompanhou de perto 16 escolas conquistarem título de campeãs. Passou pela Acadêmicos do São João, Unidos da Vila Industrial e Mocidade do Tietê, fundou o Morro da Rochinha e há seis anos, a agremiação batizada com seu sobrenome.

O carnavalesco Wladimir Gorrera Sesma disse, ao itaporanga.net, que a escolha deste tema foi “uma justa homenagem ao filho da Paraíba que em nossa cidade se transformou em exemplo de garra e luta”.

Escola Unidos do Sales


Veja abaixo a sinopse do enredo:

Samba no pé, sertão no sangue e Mogi no coração.
LUIZ FRANÇA uma história de luta.

Em Itaporanga, pequena cidade do estado da Paraíba, nascia Luiz França de Mello, filho de família humilde, não teve irmãos e não chegou a conhecer pai nem mãe. A mãe faleceu quando Luiz tinha apenas seis meses de vida e já o havia entregado para que fosse criado por uma família amiga.

Com a família adotiva, Família Diniz, viveu até os 23 anos de idade. Com poucos estudos (somente o primário) logo aos sete anos começou a trabalhar na roça em plantações de arroz, feijão, cana de açúcar, etc. Era muito trabalho e pouco tempo para a diversão e o estudo, porém uma de suas grandes paixões nasceu ali; Ainda na infância, aprendeu a pular a janela de casa para assistir os desfiles do carnaval de rua de Itaporanga.

Como para muitos do norte e nordeste brasileiro São Paulo era o sonho de uma vida melhor, com Luiz, agora casado, não foi diferente, e em 1955 junta o pouco que pode carregar e, com sua esposa Sebastiana, sai a busca dos sonhos em cima de um pau-de-arara. Cena cruel, porém comum dentro da realidade de nosso país. Foram dias e dias, em condições desumanas, dormindo com outras três famílias na caçamba de uma caminhonete, e antes de terminar a viagem o pouco dinheiro já havia acabado.

Chegando em São Paulo, Luiz foi procurar por emprego em uma fundição no bairro da Lapa, uma indicação que já tinha tido de um político na Paraíba.

Como não tinha onde ficar foi acolhido por Davi Marques, um conterrâneo que já trabalhava naquela empresa.

Em 1957, a convite de seu compadre e amigo, o Eng. Vandeck, rumou à Mogi das Cruzes, desta feita a bordo da saudosa Maria Fumaça, o destino era o emprego na Elgin Máquinas no bairro do São João.

Em Mogi a paixão pelo carnaval novamente se aflorou, em 1958 desfilou pelo Bloco Estrela do Sul cujo desfile era marcado pelos bonecos de bambu e papel machê.

Luiz França foi ainda fundador e presidente da Mocidade Alegre Comercialina, agremiação que conseguiu romper barreiras e trazer para a passarela do samba a elite da sociedade mogiana, sendo campeã já no seu segundo desfile em 1975.

Mais tarde, quando trabalhava na empresa Cromação Nikko, fundou mais uma escola de samba, a Unidos da Nikko, e novamente rompeu barreiras conseguindo levar a colônia japonesa, muito forte em nossa cidade, a participar do carnaval de rua. A Unidos da Nikko sagrou-se campeã em
1979.

Desde os saudosos desfiles que se concentravam no LARGO DO ROSÁRIO, Luiz França teve participação ativa no carnaval de Mogi das Cruzes, desfilando em várias agremiações e tendo o carinho e respeito de todas elas.

Sua dedicação ao samba rendeu-lhe, em 1988, o mais importante título conferido pela AMESB Associação Mogiana das Escolas de Samba, o título de CIDADÃO DO SAMBA MOGIANO, feito que voltou a acontecer em 2008 com a mesma condecoração.

Com a lucidez de um menino e a experiência de um sábio, aos 80 anos, Luiz França, hoje aposentado, é a figura mais ilustre da Praça João Pessoa, o antigo LARGO DO ROSÁRIO, onde tudo começou. Luiz é jornaleiro, Luiz é muito mais do que isto, Luiz é a notícia, Luiz França é a história viva do carnaval mogiano.

A Unidos do Sales se orgulha em poder reverenciar o personagem mais significativo do carnaval de rua de nossa cidade.

Bendito seja o pau-de-arara, bendita seja a Maria-Fumaça, bendita seja a Paraíba, benditos sejam os caminhos que nos trouxeram Luiz França. A passarela do carnaval mogiano se ilumina e se enche de cor para a mais justa homenagem de sua história.

Inesquecíveis são os momentos da infância.
Inesquecíveis são as passagens da juventude.
Inesgotáveis devem ser as lembranças.
Inesquecíveis são as histórias de luta
Inesquecível é LUIZ FRANÇA.

itaporanga.net

domingo, 21 de dezembro de 2014

Rádio Revista homenageia Luiz França


O jornaleiro Luiz França de Melo tern 79 anos, e quando pega pra conversar não larga mais. Santista roxo e carnavalesco de coração, não se cansa de afirmar que estes são seus assuntos favoritos. "Nasci para o samba e do samba. O ritmo corre em minhas veias" .
Luiz trabalha há 26 anos na Banca da praça da Marisa e na segunda-feira, dia 4 de junho faz aniversário Ele veio da Paraíba e chegou em Mogi em janeiro de 1957 para trabalhar na Elgin como polidor "Quando cheguei a São Paulo e comecei a trabalhar no meio industriário conheci Boris Grinberg, que se lembrou de mim quando veio trabalhar na Elgin e percebeu que estavam precisando de uma pessoa com a experiência que eu tinha".


Mesmo trabalhando bastante para sustentar a família, Luiz não deixou sua paixão pelo carnaval de lado e decidiu montar uma escola de samba. "Em 1973 fundei a Mocidade Alegre Comercialina e dois anos depois conquistamos o titulo de Campeão do Carnaval Mogiano".

"Minha alegria se completou quando fui homenageado, pelo então prefeito de Mogi Antonio Carlos Machado, com o título de "Cidadão do Samba", recorda-se, completando que e uma 1embrança especial o fato de ter sido condecorado por exercer uma atividade com todo amor.

Como se tornou jornaleiro?


Luiz conta que, ao se aposentar, sentiu uma necessidade enorme de continuar na ativa. Foi então que, com o convite de Nitoshi Nakayama, começou a trabalhar na banca de jornal. "Faço para não ficar ocioso. Gosto de lidar com o publico, de conhecer pessoas, então colaboro com o sr. Nitoshi, o qual faço questão de citar e agradecer".

Luiz, por acumular tantas histórias, faz parte de uma grande obra, elaborada pelo jornal O Diário de Mogi, chamada "Livro dos entrevistados de Domingo", que conta um pouquinho da vida de pessoas de grande importância para o município, assim como um brilhante jornaleiro.

Caderno B 2 - Rádio Revista nº216 - de 2 a 8 de junho de 2007
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Luiz Leite Guimarães


O maior bem cultural que Itaporanga viu nascer no final do século passado, tornando-se a fonte motora das transformações sociais que a cidade sofreu ao longo de muitos anos, teve em Luiz Leite Guimarães o seu principal inspirador, incentivador e construtor. O bem em apreço é o Colégio “Padre Diniz” que ele e outros abnegados fundaram, edificaram e entregaram a juventude da cidade, sendo o colégio em discussão o responsável pela formação cultural e profissional de centenas de jovens que se tomaram professores e que com os conhecidos lá adquiridos ensinaram as primeiras, as segundas e as terceiras letras a muitos itaporanguenses e a pessoas de outras terras, hoje doutores formados, servindo e prontificando em muitas atividades profissionais, e em muitos pontos deste imenso Brasil. 

Luiz Leite Guimarães nasceu em Misericórdia no dia 08 de maio de 1895, era filho de Abdon Leite da Costa Guimarães, mas foi criado e registrado como filho de seu avô Pedro da Costa Guimarães. Não quis seguir o caminho das letras trilhadas pelo pai; não frequentou bancos de escolas, preferindo dedicar-se a outras atividades mais afeitas a sua personalidade. Mesmo assim, tinha consciência da importância do estudo, da escola, do saber para o progresso profissional das pessoas e, no somatório, para o desenvolvimento da própria comunidade em que vivem. A sua crença em tais valores era tão forte que, um dia, juntou-se ao médico Balduíno de Crvalho, aos comerciantes José Sitônio e Caçula Pinto, os agricultores João Silvino e Manuel Inácio, e tantos outros da terra, e fundaram o Colégio “Padre Diniz”. Lançaram a pedra fundamental, levantaram as paredes, revestiram o prédio, deram-lhe aparência dda moderna aqrquitetura e, finalmente, com a obra física concluída, partiram para evoluir e promover o desenvolvimento de Itaporanga. 

Católico fervoroso, Luiz Leite Guimarães teve participação efetiva nas obras de construção da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, como ajudante do mestre Sebastião Muniz, encarregado de executar o projeto arquitetônico trazido pelo Frei Martinho, que o importou da Alemanha, pôr onde passou na segunda década do século passado. 

Ainda jovem, Luiz Leite casou-se com uma jovem chamada Olímpia, mulher simpática e caridosa, de cujo enlace nasceram sete filhos, que também seguiram a linha e a conduta do pai, sendo respeitados e aplaudidos pôr toda a sua vida a servir ao próximo, distribuindo o seu tempo entre o seu estabelecimento comercial, a igreja e a casa no Alto da Neves, propriedade que possuía nos arredores da cidade e que hoje se transformou num dos mais prósperos bairros de Itaporanga. Quando morreu era casado com uma também viúva de nome Antônia, ou melhor, Dona Toinha.

Revista "Itaporanga, 144 anos história"

domingo, 14 de dezembro de 2014

Editora Anhanguera lança o Livro de Direito Penal - Parte Geral, de autoria do itaporanguense Dr. Francisco Iasley


Já encontra-se no site da Editora Anhanguera o Livro de Direito Penal - Parte Geral, que tem como autor o itaporanguense Dr. Francisco Iasley Lopes de Almeida [Advogado, Delegado e Professor Universitário], com um total de 282 páginas. Em contato com o blog, o advogado e competente operador do direito mostra-se bastante satisfeito com a realização desse projeto: "[...] quero compartilhar mais essa vitória com minha querida cidade e colocar essa obra a disposição dos estudantes de direito de Itaporanga", comentou.

O livro aborda temas como: - Direito Penal e princípios constitucionais; - Aplicação da lei penal; - Teoria Jurídica do crime; - Da ilicitude; - Da culpabilidade; - Do concurso de pessoas; - Da sanção penal; - Penas privativas de liberdade; - Penas restritivas de direitos; - Pena de multa; - Aplicação da pena; - Medidas de segurança; - Concurso de crimes; - Livramento condicional; - Suspensão condicional da pena; - Da ação penal; - Efeitos da condenação; - Extinção da punibilidade; e - Questões para provas e concursos.

Em verdade, a Coleção Sinopses Jurídicas é resultado da reunião de diversas obras doutrinárias sobre os principais ramos da Ciência Jurídica, objetivando analisar, de forma didática e extremamente instrutiva, as disciplinas acadêmicas, isto não só do ponto de vista puramente teórico, mas também focalizando a repercussão prática e concreta das normas legais.

Trata-se de uma coletânea de textos, jurídicos fundamentais à compreensão das regras e princípios do Direito contemporâneo, os quais foram elaborados a partir da abordagem objetiva e sistemática dos vários institutos que integram as matérias mais exigidas nos concursos públicos e no Exame de Ordem da OAB.

A tarefa de congregar um conjunto de doutrinas essenciais ao estudo jurídico e à preparação para prova e concursos foi incumbida a um corpo de professores pós-graduados, os quais somam uma larga experiência profissional nas carreiras do magistério, da advocacia e da magistratura. Isso tornou possível o enfoque claro e preciso dos temas, assim como a facilidade de compreensão das matérias até mesmo por pessoas que não façam parte da área jurídica, mas que pretendam se submeter a exames para o ingresso no serviço público.

As situações envolvidas no contexto de cada assunto são demonstradas através de exemplos e a acompanhadas da jurisprudência dos tribunais, sendo que, ao final de cada capítulo, são apresentadas questões selecionadas para fins de fixação e revisão do conteúdo.

Assim, a Coleção Sinopses é destinada não só ao ambiente acadêmico-universitário, mas também à preparação para concursos públicos, razão por que as temáticas foram tratadas de forma clara e direta, primando-se pela objetividade, o que a torna uma compilação doutrinária dinâmica  recomendada a todos os estudiosos do Direito. 
São por obras como esta que Itaporanga se orgulha cada vez mais de seus filhos ilustres, como o Dr. Francisco Iasley.

Rpscom

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Misericórdia / Itaporanga - Fotos do Livro - Bosco Gaspar

Deputado Soares Madruga
Dr. Djaci Farias Brasileiro

Jona Leite Chaves
Djacyr Arruda

Dr. Balduino de Caevalho

Armando Abílio
Francisco Leite Chaves
Padre José Sinfronio
Francisco Gaspa
Pedro Cavalcanti de Arruda
João Silvino
Manoel Severino Araújo - Dedé do Cantinho
João Firmino
Djacyr Arruda
José Silvino - Zú
Cônego Manoel Firmino
Edilma Leite Cavalcante Olympio
Antonio Benedito Oliveira

Bosco Gaspar

Anita Alves de Sousa


Nasceu em 11 de abril de 1922, em Misericórdia e faleceu no dia 30 de janeiro de 2008 em João Pessoa – PB.

Minha vida

Uma vida cheia de degraus a serem escalados, uma infância feliz, uma adolescência despreocupada, uma juventude de risos e prazeres, uma maturidade de lutas e sofrimentos intercalados por momentos de alegria como sejam: nascimento dos filhos, o final de um curso superior de cada um. emprego que viesse q garantir suos sobrevivências.

Velhice solitária, fim de jornada, dores físicas, mas cheia de esperança e fé, muitas orações implorando a proteção da Santíssima Virgem e Santa Rita para que seja realizados todos os sonhos de meus filhos(as) e netos(as), porque só assim terei coroados os meus dias de existência e partirei tranqüila para o que Deus oferecer na vida eterna.

Luto para ter forças de chegar a este fim com calma, resignação, suportando a dor da saudade com ausência dos filhos que se encontram em outras cidades outros estados e até fora do Brasil.

Esta fé inabalável será o troféu da minha vitória.
Anita Alves de Sousa

Publicado pelo Portal do Vale em Fevereiro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Paulo Correia da Silva


Sobre Paulo Correia da Silva

Uma Explicação 


Quando da inauguração da Biblioteca Municipal “Paulo Correia da Silva” na gestão do Prefeito Sr. Sinval Pinto Brandão e a Pedido da Srª. Pulqueria Pinto, eu escrevi sobre a vida deste jovem e sua luta constante entre e com os menos favorecidos pela Paz e a Justiça Social. 

Esses escritos, entretanto, sofreram um descaminho. Em uma das minhas idas a cidade de Itaporanga, visitai a Biblioteca e não mais os encontrei. Perguntei. O rapaz que me atendeu não me conheceu, nem eu a ele. Falou-me que as pessoas querem saber quem foi PAULO CORREIA DA SILVA. Encontrei-me com Dodoido um ex-aluno meu. Falou da Biografia. Prometi-lhe que faria. Passou o tempo. Hoje insistem da Itaporanga, por intermédio da minha irmã -Aveni- a do Paulo Conserva para que eu a faça. Há urgência no pedido. E aqui estou eu, tentando juntar os fragmentos. Dentro do memorial da mente, PAULO continua vivo. Juntando pedaços daqui, dali, retalhos de infância e juventude, tentarei dizer, em palavras, o que Paulo fez, disse e viveu, o que fui capaz de captar no convívio com esta grande pessoa humana que foi o PAULO CORREIA DA SILVA - o meu irmão de tão saudosa memória. 

QUEM 
“Não há melhor resposta que o espetáculo da vida. Vê-la surgir como há pouco em nova flor explodida" 

Com esses versos, extraídos da “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, poema do qual Paulo tanto gostava, vamos “desfiar seu fio que assim se chama vida” Nasceu Paulo Correia da Silva a 28 de fevereiro de 1941, na fazenda Barracão, município de Itaporanga - PB. Esse detalhe é curioso, rico em brincadeiras de infância, pois “foi tudo por conta das águas de um riacho” que eu e ele nascemos no município de Itaporanga. Explico. A fazenda do pai ficava parte no município de Itaporanga, parte no município de Boa Ventura, cortada ao meio pelas águas do riacho. Paulo e eu nascemos do “outro lado”, justamente a parte que ficava no município de Itaporanga. Paulo era o 7º filho da uma prole de 11, dos quais, apenas 04 sobreviveram. Esse fato era motivo da brincadeira. “Sete 'conta de mentiroso”. “Você não existe” e outras joças desse tipo. E ha um detalhe curioso. Era o 3º filho com o nome de Paulo. Resultado: Acabou sendo o mais velho, o primogênito, o único filho de José Correia da Silva e Maria Correia da Silva. Batizado na Igreja de Itaporanga, foram seus padrinhos: José Rodrigues e Maria Alaíde (pais de D. Laquimê). E seu padrinho de Crisma o Dr. . Balduíno Minervino de Carvalho. 

Em 1949 seu pais passaram a residir em Itaporanga, precisamente na Av. Getúlio Vargas nº 174, onde ainda resida sua irmã casada, Aveni com seus sobrinhos. Nessa época, Paulo desfrutava da companhia de mais duas irmãs. Maria e Avani. Só posteriormente nasceria a sua terceira mana: Rita que integraria a família de José e Maria Correia da Silva. 

Alfabetizado pelo próprio tio na fazenda, chegando em Itaporanga ingressou na Escola de D. Mariquita, no alto do Retiro. Foi a sua primeira escola. Sua professora, D.   Maroquinha Leite. Em 1950, fomos estudar no Colégio Padre Diniz, que acabava da ser fundado, dirigido pelas Irmãs Missionárias Carmelita. 

Quero lembrar que as datas, a partir da então, serão mais ou manos aproximadas. Não as tenho com exatidão. E a minha mãe, a quem poderia recorrer no momento, está em Itaporanga. Sua saúde debilitada impede-me de consulta-la. Quero poupá-la. 

Criado e educado em meios cristãos, ao nove anos Paulo era coroinha da Igreja e, para satisfação de nossos pais, alimentava o ideal de ser padre. Em suas horas vagas, brincava de dizer missa com Paulo Conserva. Estudioso, inteligente, sempre conquistou os primeiros lugares. Gostava de ler, de ouvir estórias, o que lhe valeu o apelido de “as pupilas do senhor reitor” que lhe atribuiu D. Maroquinha. Contou-me a citada professora que os outros alunos se ressentiam com o fato dela dar mais atenção a mim e ao Paulo que a eles; ao que ela lhes respondia: - “elas são mais estudiosos, mais interessados, são os meus pupilos, são “as pupilas do senhor reitor”. 

Em 1953 estudou no Pré-Serninário de Patos. Em 1955, passou a estudar no Seminário de Cajazeiras. Após 1960, mudou-se para o Seminário Arquidiocesano de Olinda e Recife. Crescia a sua vocação, bem como a sua legião de amigos e compatriotas. 

A palavra adequada á entusiasmo. Paulo vivia entusiasmado com a ideia de ser   padre. Seu empenho e dedicação à causa do sacerdócio eram cada vez mais intensos. Quando chegava de férias do Seminário, auxiliava o vigário da paróquia, o Padre José Sinfrônio, juntamente com outros colegas, nunca manifestando cansaço ou desinteresse. Sua ajuda no Centenário da paróquia de Nossa Senhora da Conceição (de quem era devoto), no ano de 1960, foi valiosa, despertando a cidade com suas crônicas. Lembro que as vésperas do dia 08 de dezembro - dia da Padroeira - faltou partículas. E Paulo se dispôs a viajar até a cidade de Cajazeiras, durante a noite, para tal fim, retornando ao amanhecer. Jamais vislumbrei em seu semblante qualquer sombra de desgosto e desânimo. 

Gostava de passar as ferias na fazenda. O ar do campo lhe fazia um bem imenso. Desintoxicava-se de poluição de cidade grande. E quem quisesse encontrá-lo, afora os sábados e domingos, não o encontrava na cidade, mas curtindo o ar puro do campo, cuidando de gado, entre camponeses; com toda a família- era seu retiro predileto. 

Gostava de música, de colecionar selos, de ler. Entre os seus autores preferidos, destaque para: José Américo de Almeida, João Cabral de Malo Neto, Graci1iano Remos, Gilberto Freire, Antoine de Saint Exupéry e Jean Paul de Sartre. Na música destaque: "Disparada”, e “pra não dizer que não falei desflores”. Além da língua Pátria, falava fluentemente o latim, o francês e o espanhol. Toda a sua correspondência, livros e escritos nesses idiomas eu os doei a ACREI. 

Quando do Golpe militar de 1964, preocupou-se com a situação do amigo, Paulo Conserva que se encontrava na marinha do Rio de Janeiro e era grande o comentário de que ele liderara estudantes e estava sendo apontado como um dos responsáveis pelo levante estudantil no Rio. Comentava “Jamais se resolverá coisa alguma pela força”. “São os políticos que mandam”. “Será que Paulo sabe aonde isso o levará?” Em outra ocasião, pelos idos de 1967, sabedor do exílio do amigo, afirmava: “Creio que não verei mais o Paulo. Se, por ventura, o Conserva aparecer, diga-lhe que eu torci e rezei por ele. Muito”. Sempre nas suas idas a Itaporanga, visitava o César. Lembro-me que última dessas visitas eu estava em sua companhia. Queria saber notícias do seu co-irmão. Morreu sem que elas chegassem as suas mãos. 

Além do desejo de ser padre, Paulo Correia foi um apaixonado pelas lutas sociais. Doía-lhe muito a opressão do mais fraco. Ainda seminarista se engajou no movimento de evangelização e conscientização do homem do campo, ingressando na Ação Católica Rural - ACR. Entusiasmava-o a luta dos camponesas da região da cana de açúcar.  A luta pela Justiça como condição de paz. E se propôs a trabalhar por uma educação de adultos libertadora, adulta, responsável. 

Essa luta o empolgava. E em 1965 decidiu afastar-se do Seminário, comunicando esta decisão, em carta dirigida à família e ao padre José Sinfrônio. Dizia estar consciente que Deus encarregava-o de outra missão maior, mais árdua, menos camada: a de construir, com os camponeses, a Igreja viva de Cristo no Campo,. Dedicou-se a Pastoral do Nordeste II e foi o 1º Responsél pelo movimento da ACR no Nordeste. 

Nessa ínterim, Paulo não parou de estudar. Tão logo saiu do Seminário fez vestibular na Universidade Católica para Sociologia. Era vidrado em Sociologia. Foi por seu intermédio que adquiri o livro de Gilberto Freire: “Casa grande e Senzala”. Seria Paulo o 1º' sociólogo da região, uma vez que não contamos s com cursos de Sociologia a nível universitário, mas com curses da Ciências Sociais. O que não é a mesma coisa. 

Trabalhando com Dom Hélder Câmara, Dom José Lamartine ao padre José Servat - um padre francês radicado no Brasil - Paulo se identificava a tal ponto com o trabalho, que este e os estudos lha consumiam o tempo e ele, raramente, vinha passar férias em Itaporanga. As férias dele obedeciam a calendário de viagens e encontros a serviço da Pastoral do Nordeste II. Nessa época, residia no Recife, no mesmo prédio onde funcionaram os trabalhos da Pastoral, na Rua de Giriquiti nº 48. 

A enfermidade de nosso pai colocou-o mais próximo de nós e os nossos encontros esporádicos se restringiam  a cidade de João Pessoa. Nesse período, morre o pai do padre Servat e este viajou a França para os funerais, fato que requereu maior desdobramento de Paulo nos trabalhos, assumindo a coordenação da Pastoral Rural do NE II. Passava grande parte do tempo viajando, ora assistindo as comunidades rurais, ora participando de encontros onde era solicitado. 

Em janeiro de 1968 recebe uma bolsa de estudos para especializar-se na Europa, precisamente na França - Paris, com duração de nove mesas. Diante da seriedade do convite e sabedor da saúde já abalada de pai, solicita opinião dele. Como pai achasse o tempo longo a Paris longe para ficar tão distante do único filho e tão querido, ponderou o convite, questionou, deixando a decisão nas mãos do Paulo. E Paulo passou a concessão da bolsa para um seu amigo e colega de trabalho: João Renor. 

Em 10 de junho da 1968, a morte de pai surpreende Paulo de malas prontas para um encontro de Pastorais em São Paulo. Daí para cá, seu tempo precisou ficar rigidamente cronometrado. Não podia descuidar-se dos compromissos assumidos com a Pastoral Rural, agora com trabalhos acrescidos de compilações e publicação do jornal “Grito no Nordeste”. Precisava dar assistência a família, aos negócios da fazenda, mesmo com a presença do administrador, o Sr. José Leite, Paulo vinha a Itaporanga de 15 em 15 dias, mais precisamente em fins de semana. Estava no 3º ano de Faculdade. Por conta desse cortejo de ocupações, trancou duas cadeiras na Faculdade, dando dando tempo, dizia, a que as coisas entrassem nos eixos. 

A última vez que nos encontramos foi no dia 28 de setembro de 1968. Era época de safra. E ele veio conversar com o Sr. Be1miro Pinto a esse respeito, uma vez que estava de viagem marcada para um encontro da ACR, no Rio de Janeiro, em início de outubro, fato que retardaria os negócios que o mau pai mantinha. O Sr. Belmiro Pinto tranquilizou-o. Quando voltasse tratariam do assunto. Nesse período, conversamos muito. Estava radiante com o trabalho junto aos camponeses. A semente estava lançada. falou-me das perseguições ocultas, veladas. No campo, na cidade. Perseguição ao próprio D. Hélder e aos que seguiam as suas diretrizes. E foi tanta que D. Hélder clamava: “se é a mim que procuram, por que perseguem os meus seguidoras? Eu estava apavorada. Falai ao Paulo dos meus receios. Ele me assegurou que nada havia a temer. E acrescentou citando o Evangelho: “Quem ao empunhar o arado olhar para trás, não é digno do Reino de Deus”. Não podia contra argumentar. Ele me vencera.

No dia 03 de outubro do mesmo ano, ele endereçou um bilhete a mãe, em cartão postal, avisando que chegaria ao Recife no dia 10 e logo no dia 12 estaria em Itaporanga para uma semana conosco e “matar as saudade”. 

COMO – ONDE  “Faz escuro, mas eu canto porquê o amanhâ vai chegar - 
    É tampo de trigo maduro, já é tampo de ceifar”. NA 

Esperamos o Paulo no dia 12 de outubro e nada. Nem notícias. Essa espera nos deixou ansiosas, preocupados. Era tempo da safra. E o Paulo que não chegava: Para nossa surpresa, desapontamento e muita dor, dor mesmo, ele chegou, trazido por colegas, na tarde do dia 13 de outubro, morto, Tarde de domingo. Sofrera um acidente na estrada que liga Sairé a Bezerros – PE, o que lhe ocasionou choque traumático e tinha fratura na base do crânio. A morte o colhia enquanto construía a Igreja viva no campo, após três meses, apenas, da morte de pai. Não quero falar deste desenlace trágico, porque já o fiz antes, em um MEMORIAL por solicitação da Pastoral do Nordeste II e publicado no “Grito no Nordeste”. 

Três meses após a morte do Paulo, a convite do Padre José Servat, fui ao Recife visitar o local da tragédia. Até essa época, ninguém havia visitado o local. Aguardavam alguém da família. Pairavam dúvidas no ar. Mas eu não as tinha. Nem a minha família. 

Conversei com o padre Rogério, vigário de Bezerros, que dirigia o jeep no dia do acidente. Elo estava querendo começar o trabalho em Sairé, cidade do interior de Pernambuco que Paulo não chegou a conhecer. Mas por ironia da morte, ou destino, o meu encontro com o padre só deu em Sairé. Visitei, ainda, um dos colegas de Paulo, o Sr. João Jacinto, em sua fazenda da, no município de Gravatá. Foi, deveras, emocionante, o encontro. 

Ainda hoje pairam versões e indagações a respeito do acidente. Uns dizem que foi provocado. Outros, que foi provocado e premeditado. Eu, minha mãe, minhas irmãs, acreditamos ter sido desígnios da Providência Divina. Deus, Causa Primeira e Última de todas as coisas que existem, sabe por quê a como. Só Ela é Dono. Nó somos, apenas, administradores do maior dom que Ela nos deu, a VIDA. Só Ele tem o direito de apagar 
a chama que Ela próprio acendeu. Foi assim com o José, foi assim com o Paulo. Foi isso o que aconteceu. PAULO CORREIA DA SILVA cumpriu a missão que lha foi confiada. Tinha, apenas, 27 anos de idade. 

No décimo aniversário de sua morta – 1978 - o Jornal “Grito do Nordeste”, comemorando a mortte de PAULO CORREIA, estampou em sua capa a imagem do acidente, enriquecida de palavras que traduzem a sua mensagem de fé, confiança e coragem,  bem como publicou uma entrevista com um dos sobreviventes do acidente que visitei há anos, o Sr. João Jacinto, Passo a Biblioteca Municipal “PAULO CORREIA DA SILVA, xérox desse Jornal. A Nova 
Geração precisa deste testemunho. 
Termino esse trabalho com as palavras de João Cabral da Melo Neto, Itaporanga: “Não sabeis que vosso filho saltou para dentro da VIDA” 

João Pessoa, 18.02.89
20 anos após a morte de Paulo Correia 
Maria Correia Filha - irmã do Paulo 

OBS. Este trabalho foi feito com exclusividade para a Biblioteca Municipal “PAULO CORREIA DA SILVA”, por ocasião das festividades que estão sendo programadas pala passagem do seu aniversário natalício: 28 de fevereiro de 1989.  

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Universidade Aberta do Brasil
A Biblioteca Municipal foi despejada do prédio onde funcionava pela prefeita Kátia Lúcia Fonseca Pinto Brasileiro, para dar lugar, em comodato, a agência do Banco do Brasil; voltando a funcionar na sede da secretaria de educação e cultura do município, situada na Avenida Padre Lourenço, vizinho onde fica hoje, o 13] Batalhão de Polícia Militar.

O prefeito Antônio Porcino, com o pretexto de ampliar a sala onde ficaria o Laboratório de Informática da Universidade Aberta do Brasil UAB, que posteriormente ficou funcionado no grupo escolar onde ficava a secretaria de educação; diminuiu consideravelmente os espaço da biblioteca e tratou o seu acervo com o maior descaso.


Quando o prefeito Djaci Brasileiro ganhou a eleição em outubro de 2008, a biblioteca foi desativada e em 2009, os livros foram levados para uma sala da prefeitura municipal, onde se encontram até hoje, desprezados e amontoados, servindo de repasto as traças e cupins.


“Pela grossura da camada de pó que cobre a lombada dos livros de uma biblioteca pública pode medir-se a cultura de um povo.”
John Steinbeck


Pois é, este foi o triste fim, que nossos governantes deram a uma biblioteca e memória de um conterrâneo que lhe emprestará o nome. Um povo sem memória é um povo sem cultura. Ou seria o contrário?

Paulo Rainério Brasilino

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