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Região Matropolitana do Vale do Piancó

Localização e cidades que compoem esta região sertaneja.

José Brunet Ramalho

Primeiro Prefeito de Misericórdia.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Legislatura de 1964 à 1968 - Parte II


Apresentou o Projeto de Lei n°. 48/65, autorizando o Prefeito a criar o “Escudo do Município de Itaporanga”, como símbolo Municipal; Projeto de Lei, autorizando o Prefeito a adquirir, por compra, um terreno, com 100m2, limitando-se ao Norte, com Arsênio Mangueira da Costa; ao Sul, com terreno do Ginásio Diocesano D. João da Mata; ao Nascente, com Arsênio Mangueira e ao Poente, com a estrada central de Piancó a Conceição e doá-lo ao DNOCS, para construir a subestação de energia elétrica. Ainda, apresentou os Projetos de Lei nos. 10 e 11/66, autorizando o Prefeito a isentar do pagamento de impostos, taxas municipais, água e luz, por dez anos, a Fábrica de massas alimentícias, de propriedade do Sr. Vanilton Sousa e a Fábrica e Serralharia Nordeste, de propriedade do Sr. João Vicente Neto, localizadas, na Rua Horácio Gomes. 

Na reunião do dia 30 de setembro de 1966, também, o vereador Quinzim apresentou o Projeto de Lei n°. 13/66, autorizando o Prefeito a isentar do pagamento de impostos, taxas municipais, água e luz, a Fábrica Satumo, de sua propriedade, por dez anos. Essa Fábrica era de fogão elétrico, bebidas, refrigerantes, colchões de mola, sofá-cama e cadeiras. Consta, nos anais da Câmara, que o Prefeito, corno era de se esperar, não sancionou os referidos Projetos de Lei, mas, também, não os vetou. Por isso, foram promulgados, pela Câmara, na sessão do dia 04 de novembro de 1966, passando a ter eficácia de Leis, sem que sua excelência, o Prefeito, tivesse tornado qualquer medida judicial, mesmo sabendo que essas Leis, pela iniciativa e promulgação, eram inconstitucionais. 

Apresentou e a Câmara aprovou, por sete votos contra um, o Projeto de Lei n°. 04/67, reconhecendo de Utilidade Pública, o "Centro Espírita Jesus de Nazaré". O curioso, nessa votação, foi que um vereador, que não quis se identificar, na ata, declarou que votava contra, porque era católico apostólico romano. Apresentou e a Câmara aprovou, por oito votos a um, o Projeto de Lei, autorizando o Prefeito a doar a Kombi-Ambulância da prefeitura ao Lions Clube de Itaporanga. Nessa votação, o vereador Francisco Assis Firmino votou contra, porque achava que a Ambulância deveria permanecer com a prefeitura, servindo ao povo e não com uma entidade privada. 

Eu disse que o vereador Felinto Saturnino da Silva aparecia como o parlamentar-mirim mais atuante, porque foi quem mais apresentou Projetos de Lei e Requerimentos, talvez, pela sua condição de Rábula, militante, no Fórum da Comarca de Itaporanga. Quem o conheceu, sabe, muito bem, que ele era o "Advogado dos pobres". E não pára, por aqui. Vejam o que ele continuou apresentando, no exercício de seu mandato: no dia: 25 de janeiro de 1968, a Câmara aprovou o seguinte Projeto de Lei n°. 1/68: "A Câmara Municipal de Itaporanga, por seus Legisladores, decreta e o Prefeito Municipal sanciona a presente Lei: 

Art. 1°. - Fica declarada de utilidade ao povo e à Justiça Pública a aposição da imagem de Jesus Cristo, no salão do Fórum desta cidade; Art. 2°. - A aquisição da aludida imagem será pelo Prefeito; 
Art. 3°. - Esta Lei entrará em vigor, na data de sua publicação; 
Art. 4°. - Revogadas as disposições em contrário. 
Sala das Sessões, aos 25 de janeiro de 1968 - Felinto Saturnino da Silva (vereador)". (Transcrito do Livro de atas n°. 02-págs. 111 v e 112). 

Também, é de autoria do Vereador Quinzim, o Projeto de Lei n". 5/68, autorizando o Prefeito a dar isenção da taxa de luz e força ao Sr. José Araújo Freire, na Horticultura, situada, na sua propriedade, denominada "Itaporanga", no subúrbio da cidade, pelo prazo de dez anos. Requereu, na sessão do dia 06 de abril de 1968, que fossem consignados, na ata, votos de condolências pelo falecimento do jornalista Assis Chateaubriand. Apresentou, também, os Projetos de Lei nOs. 41/68, doando terreno de um hectare para a construção da sede do DER; 53/68, doando terreno, no subúrbio da cidade, para construção da sede do "Abrigoo do Menor Abandonado Jesus Nazareno" e registrou, finalmente, votos de pesar pela morte do Sr. Osmisda Teódulo, na sessão do dia 28 de setembro de 1968 e votos de condolências pela prematura morte de Paulo Correia da Silva, na sessão do dia 20 de outubro de 1968. 

Na sessão do dia 02 de setembro de 1965, o vereador Ademar Soares apresentou o Projeto de Lei n°. 41/65, autorizando o Prefeito a conceder à Firma Comercial M.S.Arruda Bandeira Cia, a isenção completa de impostos e taxas municipais, inclusive, de energia elétrica, pelo prazo de dez anos, para a instalação e funcionamento de uma fábrica de fubá de milho, macarrão, coloral, torrefação de café e sal. Na sessão do dia 18 de fevereiro de 1966, o mesmo vereador registrou sua insatisfação pelo não pagamento dos jetons aos Vereadores, que, segundo ele, já somavam uma quantia de quarenta e oito mil cruzeiros, correspondente a 16 (dezesseis) sessões, não pagas, pelo Prefeito. 

O vereador Djacir Sinfrônio da Silva apresentou, na sessão do dia 06 de janeiro de 1966, Projeto de Lei, concedendo o título de "Cidadão Itaporanguense" ao Sr. Valdomiro Bandeira de Sousa. Na sessão do dia 14 de maio de 1966, sugeriu que os trabalhos de obras contra a seca fossem fazendo estradas de Itaporanga a São José de Caiana e Bonito de Santa Fé. Também, foi do vereador Djacir Sinfrônio a iniciativa de propor a criação de "jetons", no valor de Cr$ 3.000,00 (três mil cruzeiros), por cada sessão, para cada vereador. Essa proposição foi aprovada, pela Câmara, na sessão do dia 04 de maio de 1965. 

O vereador João Inácio de Araújo Neves, na sessão do dia 28 de fevereiro de 1966, apresentou o Projeto de Lei n°. 6/66, concedendo o título de "Cidadão Itaporanguense" ao Sr. Femão Dias Sá, pelos serviços, prestados, como Agente do IBGE, em Itaporanga. 

O vereador José Manoel de Sousa, conhecido por Zé Vigó, na sessão do dia 30 de setembro de 1966, apresentou e a Câmara aprovou o Projeto de Lei nº. 12/66, dando o nome de Rosendo Araújo Madeiro a uma das ruas de nossa cidade. 

Na sessão do dia 16 de outubro de 1966, o Prefeito SinvaI Mendonça trouxe, para votação da Câmara, um Contrato e o Projeto de Lei n°. 15/66, autorizando o chefe do executivo Municipal a contratar os serviços de água e esgoto da CAENE (Companhia de Água e Esgoto do Nordeste), por um período de trinta anos. Na reunião do dia 12 de junho de 1968, o Prefeito mandou, para a Câmara, Projeto de Lei, criando uma verba extraordinária de quatrocentos cruzeiros novos, para as despesas com a inauguração do Hospital Regional, que se realizaria no dia 23 de junho desse mesmo ano. 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Conquista da Paraíba: 05 de agosto de 1585

Mapa da capitania da Paraíba, 1698
A história da Paraíba começa antes do descobrimento do Brasil, quando o litoral do atual território do Estado era povoado pelos índios tabajaras e potiguaras. Demorou um certo tempo para que Portugal começasse a explorar economicamente o Brasil, uma vez que os interesses lusitanos estavam voltados para o comércio de especiarias nas Índias. Além disso, não havia nenhuma riqueza na costa brasileira que chamasse tanta atenção quanto o ouro, encontrado nas colônias espanholas, minério que tornara uma nação muito poderosa na época.

Devido ao desinteresse lusitano, piratas e corsários começaram a extrair o pau-brasil, madeira muito encontrada no Brasil-colônia. Esses invasores eram, em sua maioria, franceses, e logo que chegaram no Brasil se aproximaram dos índios, o que possibilitou entre eles uma relação comercial conhecida como "escambo": o trabalho indígena era trocado por alguma manufatura sem valor. Com o objetivo de povoá-la, a colônia portuguesa foi dividida em quinze capitanias para doze donatários. Entre elas destacam-se a capitania de Itamaracá, a qual se estendia do rio Santa Cruz até a Baía da Traição. Em 1574 aconteceu um incidente conhecido como "Tragédia de Tracunhaém", no qual índios mataram todos os moradores de um engenho chamado Tracunhaém, em Pernambuco. Esse episódio ocorreu devido ao rapto e posterior desaparecimento de uma índia, filha do cacique potiguar nesse engenho. Após esta tragédia, D. João III, rei de Portugal, desmembrou Itamaracá, dando formação à capitania do Rio Paraíba.

Engenho na Paraíba, 1645
Quando o governador-geral D. Luís de Brito recebeu a ordem para separar Itamaracá, recebeu também do rei de Portugal a ordem de punir os índios responsáveis pelo massacre, expulsar os franceses e fundar uma cidade. Assim começaram as cinco expedições para a conquista da Paraíba. Para isso o rei D. Sebastião mandou primeiramente o ouvidor-geral D. Fernão da Silva.

A primeira expedição aconteceu em 1574, cujo comandante foi o ouvidor-geral D. Fernão da Silva. Ao chegar no Brasil, Fernão tomou posse das terras em nome do rei sem que houvesse nenhuma resistência, mas isso foi apenas uma armadilha. Sua tropa foi surpreendida por indígenas e teve que recuar para Pernambuco.

A segunda expedição ocorreu em 1575 e foi comandada pelo governador-geral, D. Luís de Brito. Sua expedição foi prejudicada por ventos desfavoráveis e eles nem chegaram sequer às terras paraibanas. Três anos depois outro governador-geral Lourenço Veiga, tenta conquistar o Rio Paraíba, não obtendo êxito.

Brasão da Capitania da Paraíba
A terceira aconteceu em 1579, ainda sob forte domínio "de fato" dos franceses, foi concedida, por dez anos, ao capitão Frutuoso Barbosa a capitania da Paraíba, desmembrada de Olinda. Essa ideia só lhe trouxe prejuízos, uma vez que quando estava vindo à Paraíba, caiu sobre sua frota uma forte tormenta e além de ter que recuar até Portugal, ele perdeu sua esposa. Em 1582, na quarta expedição, com a mesma proposta imposta por ele na expedição anterior, Frutuoso Barbosa volta decidido a conquistar a Paraíba, mas cai na armadilha dos índios e dos franceses. Barbosa desiste após perder um filho em combate. Na quinta e última expedição, em 1584, após a sua chegada à Paraíba, Frutuoso Barbosa capturou cinco navios de traficantes franceses, solicitando mais tropas de Pernambuco e da Bahia para assegurar os interesses portugueses na região. Nesse mesmo ano, da Bahia vieram reforços por meio de uma esquadra comandada por Diogo Flores de Valdés, e de Pernambuco tropas sob o comando de D. Filipe de Moura. Conseguiram finalmente expulsar os franceses e conquistar a Paraíba. Após a conquista, eles construíram os fortes de São Tiago e São Filipe.

Para as jornadas, o ouvidor-geral Martim Leitão formou uma tropa constituída por brancos, índios, escravos e até religiosos. Quando aqui chegaram se depararam com índios que sem defesa, fogem e são aprisionados. Ao saber que eram índios tabajaras, Martim Leitão manda soltá-los, afirmando que sua luta era contra os potiguaras, rivais dos Tabajaras. Após o incidente, Leitão procurou formar uma aliança com os Tabajaras, que por temerem outra traição, rejeitaram-na.

Depois de um certo tempo, Leitão e sua tropa finalmente chegaram aos fortes (Forte de São Filipe/São Filipe e Santiago), ambos em decadência e miséria devido às intrigas entre espanhóis e portugueses. Com isso, Martim Leitão nomeou o espanhol conhecido como Francisco Castejón para o cargo de Frutuoso Barbosa. A troca só fez piorar a situação. Ao saber que Castejón havia abandonado, destruído o Forte e jogado toda a sua artilharia ao mar, Leitão o prendeu e o enviou de volta à Espanha.

Quando ninguém esperava, os portugueses unem-se aos Tabajaras, fazendo com que os potiguaras recuassem. Isto se deu no início de agosto de 1585. A conquista da Paraíba se deu ao final, pela união de um português e um chefe indígena chamado Pirajibe, palavra que significa "Braço de Peixe". A província tornou-se estado com a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.

ADAILTON TEODULO


ADAILTON TEODULO DA SILVA - Décimo quinto prefeito de Itaporanga – 1969 a 1972

No Governo de João Agripino quando exercia o cargo de diretor do Departamento de Saúde e respondia interinamente pela Secretaria e Saúde do Estado, o médico Adailton Teódulo da Silva conseguiu para a Itaporanga  benefícios há muito reclamado pela população local, que sofria pela ausência de um serviço médico organizado, e que padecia pela falta de um estabelecimento hospitalar. Foi então que ele conseguiu a abertura e funcionamento do Hospital Distrital "Dr. José Gomes da Silva", um dos mais modernos do sertão, e que estava em obras há mais de vinte anos. A conquista deste beneficia lhe valeu, meses depois, a sua eleição para a Prefeitura Municipal de Itaporanga.

Filho de João Teódulo da Silva e de Antonia Alves da Silva, Adailton nasceu em Itaporanga no dia 04 de dezembro de 1932, onde iniciou os seus estudos. Na capital paraibana complementou a sua formação intelectual e profissional com a conclusão do curso de medicina. Oficial reformado da Polícia Militar da Paraíba e médico da Previdência Social, Adailton sempre destacou-se pela medicina gratuita que sempre exerceu, procurando atender a todos com denodo e eficiência, o que lhe tem valido o reconhecimento da sociedade paraibana. Ele é casado com Miriam Farias Teódulo da Silva e tem dois filhos: Adailton Filho e Tasso Tadeu.


Eleito prefeito de Itaporanga no final da década de 60, Adailton orientou a sua administração pelo caminho do social, sem esquecer as obras importantes que a cidade necessitava. Ele calçou as ruas Pinto Madeiro, Padre Lourenço e Pedro Pereira de Sousa, e construiu o canteiro principal da Avenida Getulio Vargas, com arborização e bancos, a lavanderia municipal e o estádio da cidade. Levou para Itaporanga a primeira repetidora de televisão do sertão, além de um matadouro, dezenas de fossas para a Rua Santo Antônio, a construção dos grupos escolares no Capim Grosso, o Hormisda Teodulo e Soledade Ramalho, e fez a doação do terreno para a edificação da torre da TELPA (hoje Telemar).

Preocupado com a limpeza pública e a conservação das ruas e das estradas vicinais do município, Adailton adquiriu uma patrol e um trator de esteira, ao mesmo tempo em que levava o ensino fundamental a todas as comunidades itaporanguenses, em parceria com muitos proprietários rurais. Promoveu o natal dos mais carentes e distribuiu alimentos semanalmente com os pobres da cidade. A merenda escolar chegava igualmente a todas as escolas mantidas pela Prefeitura e até a outros municípios do Vale, tudo sob a sua responsabilidade. Entre outras obras, Adailton promoveu ainda a revisão geral do sistema elétrico das ruas de Itaporanga.

Revista Itaporanga, janeiro de 2000
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Se porventura, existir algum fato não condizente com a verdade, desculpem-nos, pois, poucas são as fontes de consulta. Os familiares dos ex-prefeitos que quiserem colaborar conosco, com fotos ou documentos; favor entrar em contato com: itaporanga150@gmail.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Cônego Manoel Firmino

Cônego Manoel Firmino: nosso eterno vigário

Manoel Firmino Pinheiro nasceu em 12 de dezembro de 1870 na cidade de Penedo - AL. Foi ordenado Padre em 01 de novembro de 1896 em Recife - PE.

No 01 de dezembro de 1935 o Padre Manoel Firmino tomou posse da Paróquia de Misericórdia - PB (Itaporanga); no dia 15 de Janeiro de 1940 assume as capelas de São Paulo (Diamante), São Boa Ventura, Bruscas (Curral Velho), Varzante, Pitombeira de Misericórdia, Nova Olinda e Santana dos Garrotes.

Pouco mais de cinco anos depois (6/10/1945) houve uma visita Pastoral de D. Henrique Gelain, acompanhado dos Franciscanos Frei Modesto e Frei Guilherme, a Paróquia de Misericórdia. Já em 26 de Agosto de 1949 foi realizada outra visita Pastoral, desta vez por D. Luís Mousinho, acompanhado pelo missionário Frei Bruno e Padre Nicolau Leite. Durante esta última visita Cônego Manoel Firmino estava doente há 3 meses e estava sendo auxiliado pelo carmelita Frei Cirilo Pereira de Araújo, do Carmelo de Princesa e pelo Padre Luís Gomes, cooperador de Pombal.

No 01 de Janeiro de 1950 provisão para o Padre Milton Arruda de Alencar, Vigário cooperador. Nova provisão em 15 de Fevereiro de 1951 do vigário cooperador e capelão da Comunidade das irmãs Carmelitas, o Padre Antonio Lisboa das Graças, tocador de acordeon, órgão e autor da música do hino da Padroeira cantado até hoje nas celebrações. Outra provisão em 22 de Fevereiro de 1952 do vigário cooperador o Padre Luiz Gualber Gonzaga da Nóbrega. E no dia 18 de março de 1952 capelão das Irmãs Carmelitas.

Santas Missões de 1954
De 30 de Maio a 22 de Junho houve as Santas Missões nesta Paróquia pregadas pelos religiosos franciscanos maiores Frei Crisólogo e Frei Evaristo. Os frades estiveram em todas as capelas da paróquia. Na cidade de 30 de Maio a 6 de Junho houve um grande movimento na Matriz. Enceram-se as missões com uma apoteótica procissão de Jesus Sacramento. Depois de realizadas as Santas Missões, os frades foram para a Paróquia de Santana dos Garrotes, que tinha como Vigário o Padre Luiz Gualberto.

Falecimento do Vigário Cônego Manoel Firmino
No dia 23 de Junho do ano de 1954 falecia na casa paroquial, cercado de seus filhos adotivos, perante o médico Dr. Balduíno de Carvalho, o Reverendíssimo Cônego Manoel Firmino Pinheiro. Que morreu de ataque cardíaco. Na véspera de sua morte tinha confessado, mas não recebeu a extrema unção e o viático.

O vigário cooperador encontrava-se na Capela de São João Batista de Pitombeira, município de Santana dos Garrotes, orientando os missionários. Por volta de 5h30 o vigário cooperador o Padre Luís Gualberto recebeu a triste notícia do falecimento do vigário através do fabriqueiro Luís Leite Guimarães e o jovem Eduardo Pereira.

Missa de corpo presente
A missa de corpo presente foi celebrada às 9 horas com a Matriz repleta de fiéis, após a missa o corpo continuou na Matriz até à hora do enterro. O enterro realizou-se pelas 17h e estiveram presentes o Bispo Diocesano Dom Zacarias Rolim de Moura, os Padres Manoel Pereira, Joaquim Ferreira de Assis, Manoel Otaviano, Márcio Rolim, João Cartaxo Rolim, Clérigo José Dias, Padre Francisco Sitonho e Padre Luís Laíres. Uma multidão incalculável de fiéis compareceu ao sepultamento. Veio também uma representação do Ginásio Diocesano de Patos. A Escola Normal Padre Diniz fez-se toda presente.

A Madre geral da congregação Carmelita Maria Bernadete de Jesus, quando chegou já estava no final do sepultamento, não conseguindo ver mais o corpo. Visita a cova do Cônego Manoel Firmino em 24 de Julho com as exéquias solenes e a oração fúnebre do pranteado e comungaram mais de 1.300 pessoas pelo repouso eterno do vigário.

domingo, 21 de setembro de 2014

Cantora que receberá título de cidadania itaporanguense é homenageada também em João Pessoa

Artista tem raízes familiares em Itaporanga


Por Redação da Folha – A cantora Lucy Alves, que ganhou projeção nacional depois de participar do programa The Voice Brasil, da Globo, receberá no próximo dia 26, em sessão solene da Câmara Municipal de Itaporanga, o título de cidadania itaporanguense.

Natural de João Pessoa, ela tem raízes familiares em Itaporanga. Seus avós e pais são itaporanguenses e a cantora é uma das herdeiras da tradição musical do sítio Cantinho, lugar que revelou muitos valores para a música. Lucy começou como vocalista do grupo Clã Brasil, criado pelo seu pai, o também músico Zé Badu.

Mas, antes da homenagem em Itaporanga, ela foi agraciada na capital paraibana com a Medalha Cidade de João Pessoa, a mais alta comenda da Câmara Municipal pessoense. O evento solene foi nessa quarta-feira, 11.

A homenagem terminou com música, como não poderia ser diferente: de sanfona em punho, ela cantou Meu Sublime Torrão, do compositor Genival Macedo, uma canção que reverencia as belezas e grandezas da Paraíba. Foto: homenageada canta durante evento. 

sábado, 20 de setembro de 2014

Luiz Loureiro


Luiz Cézar Loureiro, filho de Manoel Leite Cezar Loureiro e Izabel da Silva Loureiro. Nascido, no dia 28 de junho de 1912, em Itaporanga, antiga Misericórdia. Foi vereador, na Legislatura de 1950/54. 

Do casamento, com Severina Gomes Loureiro, nasceram os filhos: Antônio Loureiro Gomes, Alcione Loureiro Targino, Aluce Loureiro Ouricuri, Auridete Gomes Loureiro, Aldeci Gomes Loureiro, Anazilda de Fátima Loureiro Mangueira e Luiz Loureiro Junior. Faleceu, no dia 15 de fevereiro de 1979.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Oito anos sem o nosso querido Padre Zé

O Criador contempla a Criatura
Era próximo ao meio-dia, os sonos dobravam e a população de Itaporanga, desconfiada, sem querer acreditar; confirmava a que jamais queriam ter certeza. Vitima de um câncer nos pulmões, morria em João Pessoa, o Inesquecível Padre Zé!

O itaporanguense nestes mais de cinquenta anos, aprendeu a admirar, muito até venerar aquele seminarista, recém saído do seminário de Cajazeiras e designado Pároco de Itaporanga, pela morte do Padre Firmino, em uma véspera de noite de São João.

O que pouca gente talvez saiba é que outro filho adotivo de nossa cidade, o também admirado Fernão Dias, mais conhecido como Seu Fernão, Homem impressionantemente inteligente, espírita por convicção, aui primeiro desembarcou, como que a preparar a vinda do padre, de quem gozou por toda vida uma estranha, para muitos, mais uma sólida amizade, apesar de religiões, à época, bastante antagônicas.

Poucos meses se passaram desde a chega de um, para avinda do outro, ambos muito fizeram pelo desenvolvimento da nossa comunidade e dela, em retribuição ganharam respeito e admiração, ambos nos deixaram, fatidicamente no mesmo ano; com poços meses de diferença, vitimadas pela mesma doença; Só que Fernão muito contribui para isso, pois fumou por longos anos enquanto Padre Zé nunca chegou a experimentar o gosto deste vício. Desígnios de Deus.

Exéquias de Padre Zé
O desenvolvimento de Itaporanga em muito deve as iniciativas desse Padre que não só se preocupava a pregar a palavra de Deus, queria ver seu rebanho bem. Para os que são ainda jovens vale lembra que entre outras obras, vale apenas citar a reforma e ampliação de uma das mais belas igrejas do Brasil, a nossa Igreja Matriz; foi ele o idealizador do hoje Colégio Diocesano Dom João da Mata, que além de educação, tem dado civismo e preparado para a vida, muita gerações de itaporanguenses; Criador e mantenedor por mais de quatro décadas, daquela que era a menina doa seus olhos, a Banda Filarmônica Cônego Manoel Firmino, que durante esses quase cinquenta anos de existência, tem revelado ao Brasil e ao mundo, grandes talentos como é o caso de Radegundes e muitos outros.

Banda Filarmônica Cônego Manoel Firmino
Foi o responsável pela criação da Sic-Vale, a segunda empresa de telefonia, quando há Paraíba só existiam duas empresas deste ramo, ela e a também extinta Telingra (Telecomunicações de Campina Grande); muito contribuiu para a instalação do INPS, atual INSS, criou a “Gráfica do Ginásio” ou a “Gráfica do Padre”, que além de impressos, tem formado mão de obra especializada e aquela que é considerada sua maior obra, a Estátua do Cristo Rei, que a época de sua inauguração era o terceiro maior monumento do país
.
É por essa e outras razões que partilho com aqueles a ideia de que hoje é mais do que merecido ser feriado em memória do seu nome, feriado este trocados pelo ponto facultativo, pelos nosso vereadores na legislatura de 2008 a 2012, a pedido do Clube de Diretora Legistas (CDL) local, que afirmava ter um feriado sobrando, em nosso calendário. 

Paulo Rainério Brasilino

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O fatídico 19 de setembro de 2006


José Sinfronio de Assis Filho, que ficou carinhosamente sendo chamado de Padre Zé, nasceu no dia 24 de maio de 1924, em Pombal -PB. Passou toda uma vida em Itaporanga, onde chegou no dia 03 de março dedos 1955, após quase um ano da morte do saudoso Cônego Manoel Firmino, Foi nomeado Pároco da Paróquia de N.S.Conceição em Itaporanga, então Bispo da Diocese Don Zacarias Rolim de Moura no dia 29 de janeiro de de 1955 e renomeado como Vigário Colado em 1958. A expressão Vigário Colado significava antes do Concílio Ecumênico Vaticano II, vigário que não sairia mais da Paróquia até a sua morte. A freguesia de Nossa Senhora da Conceição na época, era constituída da Matriz em Itaporanga, e das Capelas de Boa Ventura, Diamante, Bruscas, (hoje Curral Velho), Pedra do Fuma (hoje Pedra Branca), São José de Caiana e Timbaúba (atual Serra Grande), onde o Padre Zé passou a ser reverenciado e amado.

Em suas viagens pelas capelas, levava consigo um coroinha para ajudar as missas e estimular outras crianças a se desenvolverem na Fé Cristã e vez por outro, quando o Padre percebia que na Capela tinha um jovem que gostava de estudar e não tinha oportunidade, Padre levava para estudar na Escola Paroquial que ele fundara em Itaporanga em 04 de março de 1956.

Mesmo que o estudante não tivesse família para lhe hospedar na cidade, ele levava para morar na Casa Paroquial. Foi assim com Sebastião Bila de Timbaúba, foi assim com Antonio Alvino de Bruscas, foi assim com Sizenildo Abílio de Diamante, com Reginaldo Duarte de Boa Ventura, com Zé Ribeiro da Chatinha e tantos outros e diga-se de passagem hoje todos eles são excelentes profissionais.

Agora nosso Padre Zé faleceu e antes de sua morte pediu ao seu sobrinho Eliézer que lhe sepultassem aos pés do Cristo, certamente aquele local será um símbolo da fé religiosa de nossa gente e todos do Vale do Piancó. Ali serão alcançadas graças as mais diversas e sua beatificação um dia virá, apesar de ser um processo muito lento.

Em 1940, aos dezesseis anos entrou para o seminário para se ordenar aos 29 anos de idade e já aos 31, assumia a Paróquia de Itaporanga. Não era Padre de Congregação, era secular, mas parece que fez votos de pobreza com Deus e morreu pobre, não tinha se quer um bem material.


De sua chegada em Itaporanga até ontem quando morreu, portanto durante 51 anos, Padre Zé sempre foi um homem irrequieto, as vezes intempestivo, outras vezes mau entendido, mas sempre esteve procurando fazer alguma coisa. Fundaou a Cruzada Eucarística em 26 fe julho de 1956, com a participação de 12 crianças (06 meninos e 06 meninas), tendo como coordenadora a professora Maria Ivonete Vieira; seu primeiro lance em Itaporanga e que revolucionou a cidade, porque mobilizou toda Juventude e passou a dar uma formação cristã melhor aos jovens da época, estimulando-os aos estudos e à boa qualidade de vida já que nossa cidade na época não tinha muito a oferecer.

Criou a Escola Paroquial e com parcos recursos sustentava a mesma, já que a mensalidade dos alunos, mal dava para comprar o giz.
pela Escola Paroquial passaram grande nomes filhos de Itaporanga que não citarei aqui para não ser omisso com tantos. Em 1958, juntamente com Luis Guimarães, meteu na cabeça que a Igreja Matriz de Nassa Senhora da Conceição estava pequena e que ia ampliá-la pois pretendia fazer a festa do centenário de Paróquia em 1960 e que a Igreja seria insuficiente para seus planos. Fora a frente ele mexeu em tudo e fez este monumento que conhecemos.

Em 30 de Novembro 1959, Itaporanga teve um filho ordenado Padre, tratava-se de Padre José Nemy Fonseca e em 06 de Janeiro de 1960, com a Matriz em reforma, José Silvino da Fonseca (Zú) e Luis Guimarães pediram ao Padre Zé que a Primeira Missa de Nemy fosse celebrado na Matriz e assim foi feito.

“Nossa fé renova Itaporanga... das origens que vêm nos servir.... são cem anos, apenas servilha... de oração e de fé no porvir... Anciões, jovens de Itaporanga... de que ninguém foi escravo um só dia... mas juramos no seu centenário, ser escravos tão só de Maria.. etc”. Com esse hino, foi aberto a maior festa religiosa de todos os tempo, do Estado da Paraíba, em 11 de julho de 1960 e Itaporanga recebeu vários Bispos, dezenas de Padres e mais de uma centena de Seminaristas... êta saudade danada.

Neste mesmo dia, o Padre Zé criou o Ginásio Diocesano Dom João da Mata, reformou a Igreja de Boa Ventura e trouxe junto com Cláudio a Arruda a imagem do padroeiro daquela cidade que ainda hoje está lá. Reformou a Igreja de Diamante, criou teatro e tantas outras coisas. E um sonho, nasceu a idéia da estátua do Cristo, que é um verdadeiro monumento.

Nos últimos dias de sua vida, no leito do hospital, Padre Zé num esforço sobre humano e lutando contra a doença, revelou ao seu sobrinho Eliézer o seu verdadeiro amor por Itaporanga e pediu para ser sepultado aos pés da Estatua do Cristo Rei. Pediu também que lhe levassem a Itaporanga, pois queria morrer lá e quando providenciavam sua transferência para atender seu pedido, ele faleceu.

Aos 19 dias do mês de setembro do ano de 2006 da era cristã, abro o Portal do vale, onde este jovem de 50 anos, Paulo Rainério vem dando um banho de jornalismo e lá está o anuncio da morte do Padre Zé. Padre Zé sempre disse que sua vocação era "amar e fazer amar a Deus e a Maria Sua Mãe".

Descanse em paz! Mas que dá uma saudade danada falar em suas coisa, também é verdade, porque elas nos transporta para a infância e adolescencia. Adeus Padre.

sexta-feira, 30 de setembro de 2006

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O Ingênuo Lenhador

Por: Jesus Soares da Fonseca

O alto sertão nordestino sempre foi castigado por uma das piores intempéries da natureza, a seca. Com o evento, as paragens ficam desoladas, a temperatura durante o dia, quase insuportável. Tem-se a impressão que o dia é mais longo. Há, até, um dito meio sarcástico e gozador criado pelo próprio sertanejo de que: se o dono da Mercedes Benz quisesse ficar mais rico, era bastante montar uma fábrica de carro, ali, no semiárido nordestino, pois como o dia é comprido, daria para fazer mais carro que em qualquer outro lugar! Ao meio dia, a evaporação que limita a umidade do ar, já bastante seco, é tanta, que ao olhar para o horizonte tem-se a impressão visual que a terra está a tremer. É o mormaço quente como diz o sertanejo. Mesmo assim, no meio desta desolação, surgem cidades, vilas e povoados com seus habitantes sempre a espera das chuvas salvadoras que acontecem, geralmente, entre longos períodos de estiagem. Itaporanga é uma dessas cidades, encravada no alto sertão paraibano, a sofrer o castigo das secas. Nossa estória remonta aos anos cinquenta, quando o desenvolvimento passeava muito longe daquelas bandas.

Localizada à margem esquerda do Rio Piancó, cujas águas só se faziam presentes em seu leito em períodos chuvosos, a cidade abrigava pouco mais de dois mil e quinhentos habitantes em suas dezoito ruas, maioria com pouca ou quase nenhuma estrutura urbana. A energia era precária, advinda de um gerador com a única finalidade de não deixar a cidade às escuras quando a lua não se fazia presente. Em função disto, a população, sequer, tinha ouvido falar em eletros domésticos e muito menos no seu uso. Os poucos refrigeradores ou geladeiras existentes possuíam um pequeno motor movido a querosene, que gerava o gás refrigerador do aparelho. Os fogões eram à lenha e aí surgia aquela gente que abastecia a cidade com o produto, conhecida, na região, como “botadores” de lenha. Eram homens que, geralmente, morando em sítios na circunvizinhança da cidade, passavam quatro dias da semana, colhendo a madeira necessária ao consumo, os lenhadores. Entretanto, nem toda árvore servia para este consumo. As preferidas eram angico e aroeira, consideradas lenha de fácil combustão, encontradas em grande quantidade em função de sua resistência às intempéries naturais do sertão. Naturalmente, havia outros tipos de madeira menos apreciada, entre elas uma conhecida como “catinga de porco”, pomo das constantes discussões entre o abastecido e o abastecedor, uma vez que a madeira a muito custo desempenhava seu papel lá dentro do fogão, era de péssima combustão.
No sítio, a madeira colhida era posta no terreiro da casa, onde era rachada para ser levada à cidade. Uma ache tinha em torno de um metro de comprimento, conhecida pela população como “laxa de lenha”. Tomava-se o tronco da árvore, cortava-o em toras, mais ou menos em torno de um metro de comprimento e as abria pelo meio, em duas ou três “laxas”, dependendo da grossura do tronco. Após o serviço, era hora de conduzir a lenha para a venda. O jumento, conhecido como jegue, era o meio de transporte da preciosa lenha. Em cangalhas preparadas para o uso, colocavam-se quinze aches de cada lado do “jegue”, formando a carga que iria abastecer determinada casa na cidade. Partindo dos sítios, lá iam eles com suas tropas de jumento em direção à rua, conduzindo o combustível tão necessário à existência da Comuna. Sem rancor, sem ódio, no descarrego da lenha, começavam as discussões, as teimas, naquele linguajar peculiar do sertanejo, onde a gramática andava a quilômetros de distância.

- Seu Luis, o sinhô mi perdoi, mas esta lenha não é da boa, não!
- Dona Zefa, a sinhora ta inganada! A lenha é ispiciá e eu só trabaio pensando nas freguesa!
- Como ispiciá, se aqui tem laxa de catinga de porco! Pra catinga de porco pegá fogo agente tem que gastá duas ou mais garrafa de gás (querosene) e alem disso a cumida sai fedendo a gás!
- Dona Zefa eu vou repeti, a sinhora ta inganada, essa laxa de lenha é de angico, é pruquê a lenha ta verde, esta semana foi um pouco nuiblado e a lenha não inxugou direito!
- Seu Luis, o sinhô é um home de veigonha, faz mais de mês qui o céu de Deus é azuzin, azuzin, aonde o sinhô foi incrontá as nuvem?
- Não sinhora, lá pra nois fez sombra sim, sinhora. Lá teve dia qui o céu não era tam azuzim, como a sinhora diz! Mais vamo fazê o siguinte! A sinhora acende o fogo com a aroeira, lenha boa, a sinhora sabe disso, quando o tição pegá fogo, a sinhora mete a madeira aqui, a qui tá mais verde, ta certo? 
- Tá bom, seu Luis – resignava-se a mulher. – quanto devo?
- Dez mi reis!
- O sinhô ficô maluco? Todo mundo ta vendendo por oito mi reis a caiga e o sinhô vem mi cobrá os oio da cara? 
- Eita mulerzinha xorona! Dona Zefa, minha lenha é da boa! Os outo pode vendê inté pru menos, mais eu agaranto que num tem trinta pau de lenha cuma a minha, num dá nem pru mês!
- mais a lenha do sinhô ta misturada, o sinhô num pode negá isso!
- Dona Zefa, minha lenha é boa eu já ispliquei isso, aquilo ali é lenha verde, eu já falei. Pronto, pra num perdê o freguei, a sinhora basta mi dá nove mi reis, pru meno num dá!
- Olhe Seu Luis, eu só vou pagá os nove pruquê o sinhô é um home pontuau, num deixa a gente na mão, mais de outa veiz o sinhô num traga lenha misturada qui eu num aceito, não!

Assim, a vida cotidiana do bravo sertanejo prosseguia por aquelas paragens castigadas pelo tempo, contudo, o bom humor imperava ali, ninguém se maldizia nem entregava os pontos, a luta era ferrenha contra o quase eterno verão. Com a ignorância reinante,os políticos tiravam proveito da situação e o progresso circulava a muitas léguas de distância, quando muito, construíam uma Casa de porte médio na periferia da cidade com quatro compartimentos, chamando-a de Escola, onde a meninada aprendia o bê-a-bá através de uma professora mal remunerada e de pouca cultura. O ensino mais adiantado residia num Grupo Escolar mantido pelo Estado, frequentado pelos filhos de famílias um pouco mais abastadas, como compradores de algodão, negociantes, etc,  pois, o Estado arcava, apenas, com o salário dos professores, o fardamento e material escolar eram por conta dos Pais.

Lincolm era filho de lenhador
Nossa estória acontece e tem como enredo um dos muitos fatos ocorridos na Comunidade, razão porque se faz necessário o conhecimento dos costumes desta gente, naquela época. Ademais, sempre é bom relembrar para as gerações de nossos dias alguns costumes, como os expostos, que em função do atraso daquela época, mostram-nos como a gente do povo era obrigada a se tornar rica em criatividade. Dentro deste contexto, apareço com outra figura que foi de suma importância, assim como o “botador” de lenha ou lenhador, para o desenvolvimento de muitas destas cidades que pululam pelo interior de nosso País, as “botadeiras d’água”, como eram conhecidas.

A cidade, como a grande maioria das comunas que se espalham pelo interior do País, naquela época não possuía o Serviço de Saneamento d’Água, fornecedor do líquido precioso tão necessário, não só como consumo humano, mas sobretudo, à saúde. Como a água é um líquido necessário à sobrevivência dos seres vivos, o homem, de uma forma ou de outra, sempre haverá de encontrá-la. Em Itaporanga não era diferente. O leito seco do Rio Piancó era o seu manancial. Durante as ocasionais e raras cheias que ocorriam no Piancó, as águas, como uma bênção dos Céus, acumulavam-se sob sua superfície, formando grandes lençóis freáticos, fontes das inúmeras cacimbas existentes por ali.  O Sertanejo, em sua busca perene pela sobrevivência, além de ser um forte, como disse Euclides da Cunha, também, é criativo. Para usufruir do líquido subterrâneo e dos espaços porosos que se formam nas areias do rio seco, fazia-se um caixão retangular em sua profundidade de, aproximadamente, metro e meio de fundura, de base quadrática com oitenta centímetros de lado ou, mais precisamente, três metros e vinte centímetros de perímetro e, é óbvio, oco em suas bases. Na ausência das pás modernas feitas para escavação, era utilizado um enorme caneco dentado de alumínio, fruto também de sua criação, com trinta centímetros de diâmetro, com enorme cabo de madeira enfiado, quase que em sua base, em diagonal, para facilitar o manejo.

Colocava-se, então, o caixão no leito seco do rio com ligeira pressão para baixo e, com o caneco, ia-se retirando a areia do seu interior, gradativamente, que, em virtude da pressão exercida para baixo, afundava-se até atingir o lençol freático que se achava a pouco mais de um metro da superfície. O líquido precioso, como um milagre, timidamente, dava o ar de sua graça, surgia graciosamente preenchendo a área da caixa, à proporção que esta penetrava no areal do rio, até ficar quase a altura de sua superfície. Estava pronta a cacimba que se espalharia em grande quantidade naquela área delimitada do rio, própria para aquela finalidade. Surge, então, a figura dos carregadores de água, popularmente conhecidos como “botadores” e  “botadeiras” d’água, heróis anônimos que, incansavelmente e involuntariamente, de uma forma ou de outra, fizeram a sobrevivência do Sertão, coadjuvantes do futuro progresso da Região.

Para completar o palco onde se desenrolará o nosso enredo, outro costume daquela gente sertaneja não poderia deixar de ser exposto. Atemos a ele, pois!

O zelo e o respeito aos mortos certamente faziam ou fazem parte do povo do sertão, como herança não só da contribuição africana, sobretudo, da cultura indígena. Como o seguimento Católico predominava, quase, em cem por cento a fé da população, na cidade havia duas igrejas, a Matriz, onde eram realizados os diversos cultos, batizados, casamentos, novenas, missas dominicais, e a do Rosário, relíquia de sua fundação, que se prestava, apenas, a uma finalidade, receber em seu interior aquele que cumprira sua missão terrena. Todo morto, ao se iniciar a condução do féretro a sua derradeira morada, inevitavelmente, teria que passar por aquela Casa de Deus. No interior do recinto, os participantes do enterro rezavam um padre-nosso, uma ave-maria e uma salve-rainha em intenção da alma do falecido e, só então, seguiam em direção ao cemitério. Nesta ocasião, um sino situado na torre da igreja, plangentemente soava, como que, em despedida ao que se ia para sempre. A pessoa encarregada do toque fúnebre era um senhor que recebia alguma pecúnia para exercício de tal mister, o que fazia com denodo, virando o sino, em determinados momentos, fazendo-o girar em suas bases de sustentação situadas lateralmente em uma das quatro janelas do campanário, aquela virada para o cemitério. Era um espetáculo triste, mas ao mesmo tempo, deslumbrante, quando o badalo, impulsionado pela rotação do sino, tocava seu interior, fazendo ecoar um som nostálgico e melancólico, era o sinal dobrado, como se dizia, para aquele tipo de toque. “Seu” Zezim  Pacato era este homem! Mais adiante, iremos encontrá-lo na nossa estória.

Quinca Cordinha era um daqueles  lenhadores. Era um indivíduo alto, esguio, um pouco magro para sua altura, setenta quilos para um metro e noventa e cinco de altura, com o caminhar típico sertanejo, de passadas largas e céleres, como exigia sua profissão, pois a vagareza era proibida naturalmente para aqueles que achavam, ali, seu ganha-pão. Com uma tropa de dez jegues, juntamente com seu filho Pedro, fazia semanalmente a entrega da lenha nas casas da cidade. As “botadeiras” d’água, cada qual com sua rodilha na cabeça, artefato, não só de proteção ao peso da lata de vinte litros, como para seu equilíbrio, faziam seu périplo diário, do rio à cidade e vice versa, numa algazarra infernal, dando conta da vida da cidade inteira,  fofoqueiras, muito mais pelos “ossos” do ofício.

Foi num dia desse vai-e-vem de fofocas que surgiu uma estória que viria abalar a Comunidade. Quinca Cordinha morrera! O boato logo tomou conta de toda população. Como era uma sexta feira, suas freguesas, além de constrangidas pelo passamento daquele homem bom e trabalhador, como era conhecido, também estavam preocupadas com a falta da lenha que, certamente, iria acontecer. Como não poderia deixar de ser, a notícia chegou aos ouvidos de Zezim Pacato que, de pronto, pensando muito mais no possível dinheiro que iria ganhar do que no falecimento de seu conterrâneo, partiu como um raio em direção a Igreja do Rosário para, ali, executar os primeiros dobres funerários. Vez por outra, ele parava de tocar o sino e verificava, através de uma janela da torre, a estrada que saia por detrás dos muros da última rua da cidade, em relação ao rio, se o enterro já se aproximava.

O relógio da Matriz badalou duas horas da tarde! Zezim Pacato correu para a janela a espiar, novamente, então avistou Pedro Cordinha tangendo seus cinco jegues repletos de lenha.  Um tanto quanto intrigado com o que via, indagou: - Ô Pedro cadê teu pai?  Ato contínuo, ouviu a resposta: - Vem aí atrás! Zezim Pacato voltou correndo para o sino e dobrou o sinal com todo ímpeto que podia, para informar à comuna inteira que o cortejo fúnebre do inditoso lenhador já entrava na cidade. De repente, entre os sons barulhentos do dobre ele pensou ter ouvido vozes e correu para a janela do campanário. Ficou estupefato com o que via, lá do alto da torre da Igreja!  Quinca Cordinha, gritando a plenos pulmões para a tropa de jumento: - “Xô jegue! Anda pretinho! Dipressa roxim!” – Meio abobalhado e sem acreditar no que via, gritou alto e bom som de onde se encontrava: - Ôxente, home de Deus tu num tinha murrido? Me diz pur amô de Deus, Quinca, fala home, mi isplica tu ta vivo mermo?  Lá de baixo, então, Quinca Cordinha com toda ingenuidade que lhe era peculiar e muito sério, respondeu: Tu é besta Zezim, tu acha qui se eu morresse eu ia ti negá! E tocou a manada para frente, deixando Zezim Pacato, não só decepcionado, como furioso pela grana que não receberia.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

MARLENE ALVES


MARLENE ALVES, A Mulher que fez da UEPB a universidade dos paraibanos.

Reportagem da revista Exirus sobre a Itaporanguense Marlene Alves

Vamos ao texto da revista EXITUS:

“Par quem a conhece de perto, pode causar estranheza o título de “Magnifica” que antecede o nome da reitora Marlene Alves. Muito embora seja inegável o mérito pessoal que a fez ocupar essa posição, o seu caráter simples e acessível aparenta ser incompatível com a grandiosidade do título que a tradição universitária dedica ao dirigente máximo da instituição. Marlene não teve medo do trabalho, reivindicou durante anos o respeito à autonomia universitária e, quando essa conquista finalmente foi alcançada, firmou parcerias, valorizou a docência e o funcionalismo financiou importantes projetos acadêmicos, abriu novas graduações e pós-graduações, recuperou as instalações, construiu novos campi e ergueu dois museus e uma imponente central de aulas da reitoria da UEPB, entregando ao povo paraibano, uma universidade, de fato, magnífica.

Talvez para a maior parte das mulheres. a mãe sempre seja o principal modelo a ser seguido. Com ela é que se aprende o que é ser mulher e o modo como cuidar dos próprios filhos. Certamente foi a Dona Anita, quem desde cedo incutiu em Marlene o gosto pelas causas sociais e a preocupação com a e educação. E ela fez isso através do exemplo. Seus oito filhos cresceram participando com ela, da militância política em Itaporanga, no Vale do Piancó. Ao lado de Severino um agricultor gentil e bem informado. Tão logo atingiram a idade em que não podiam mais estudar lá, pois a cidade não dispunha de 1° grau de ensino, ela não poupou esforços e , com muita luta, mudou-se para a capital;

Em Joao Pessoa, Marlene foi aluna do Liceu Paraibano, num tempo em que a educação básica pública em nada deixava a dever ao ensino particular. Concluído o ginásio, fez vestibular na antiga URNE, Universidade Regional do Nordeste, que hoje é a UEPB. Marlene veio a Campina Grande estudar fisioterapia na mesma universidade que um dia a teria como reitora. Naquela época, a estrutura das graduações ainda engatinhava e, por isso, os alunos que mais se destacassem tinham as chances de tornarem professores tão logo concluíssem o curso. Em razão disse, Marlene se manteve na universidade onde ser formou. Uma ligação tão íntima e perene, que bem se poderia dizer que a UEPB faz parte da sua família. Foi lá onde trabalhou a vida inteira, onde conheceu o seu primeiro esposo e pai dos seus três filhos, e o seu atual marido, o professor João Gil de Luna.

Mais do que lecionar, Marlene foi voz atuante no desenvolvimento da instituição desde o primeiro momento em que ingressou na docência. Durante três mandatos esteve à frente da ADUEPB, Associação dos Docentes da UEPB, onde protagonizou célebres movimentos em defesa do respeito à categoria. Chegou a fazer greve de fome nas dependências da Assembleia Legislativa do Estado, em protesto a indiferença do governo que se recusava a dialogar com os grevistas.

Depois desse período de atuação no sindicato, decidiu investir na carreira acadêmica, indo para a Universidade de Granada, na Espanha. Chegou a iniciar o doutorado, mas vindo ao Brasil de férias, próximo do período que antecedia a eleição para reitor, ficou sabendo que os colegas do sindicato a queriam como candidata. Muito embora tivesse se recusado a voltar à Espanha, recebeu por telefone, a notícia de que iria circular um manifesto com a sua foto e que ela seria sim o nome da campanha.

O apelo era irrecusável e Marlene, então, volta da Espanha com a proposta de fazer da UEPB uma universidade plena.” (Fonte: EXITUS).

Essa é mais uma das itaporanguenses que resolveu fazer a diferença.

PARABENS!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Legislatura de 1964 à 1968

No dia 30 de novembro de 1963, tomaram posse, os Vereadores, eleitos, nas eleições de 11 de agosto de 1963, para a legislatura de 1964/68: João Inácio de Araújo Neves, Francisco Assis Firmino, José Zú de Figueirêdo, Valdomiro Araújo Lima, José Manoel de Sousa, Petronilo Epaminondas de Sousa, Edval Figueirêbo da Silva, Felinto Saturnino da Silva e Ademar Soares, tendo, como presidente da Câmara, o vereador Valdomiro Araújo Lima. 

Prefeito: Sinval Mendonça Pinto Vice-prefeito: Paulo Costa Lima 

Na sessão de posse dos Vereadores, no dia: 1°, de dezembro de 1963, o Presidente eleito, Valdomiro Araújo Lima, leu uma "moção de condolências" à viúva Jacqueline Kennedy, pela morte de seu marido, o Presidente Kennedy, mandando que fosse observado um minuto de silêncio em sua homenagem. Vejam que os nossos Vereadores viviam em dia com as notícias do mundo! 

Na sessão do dia 21 de dezembro de 1963, o vereador Felinto Saturnino da Silva apresentou o Projeto de Lei nº. 1/63, criando o salário-família dos empregados municipais, no valor de mil cruzeiros, por cada filho, para quem tinha até três e de quinhentos cruzeiros para quem tivesse mais de três filhos. Apresentou, também, o Projeto de Lei n°. 2/63, criando o décimo-terceiro salário para os empregados da prefeitura, para o Prefeito e para os Vereadores e o Regimento Interno da Câmara, reformado e atualizado. Nessa mesma reunião, o Prefeito, Sinval Mendonça Pinto, esteve presente, para comunicar à Câmara que mandou construir uma "carroça de tração animal", para remover o lixo da cidade. Como o tempo muda e se evolui! Hoje, a prefeitura dispõe de caminhões, carroções puxados a trator e caçambas, coletando o lixo e, no entanto, esse é um problema que continua tirando o sono dos Prefeitos. 

No dia 02 de abril de 1964, numa sessão extraordinária, o vereador Felinto Saturnino da Silva (Quinzim) apresentou uma "moção de confiança e solidariedade" às Forças Armadas, especialmente, aos Generais Olímpio Mourão Filho, Humberto de Alencar Castelo Branco, Amauri Kruel, Pena Bôtto, Jústino Alves e aos governadores Carlos Lacerda (Guanabara), José Magalhães Pinto (Minas Gerais), Ademar de Barros (São Paulo), Ildo Menegheti (R.G.do Sul) e Ney Braga (Paraná), pela vitória do dia "31 de março de 1964", que deteve a subversão comunista, desencadeada, pelo ex-presidente João Goulart. 

Consta, nos anais da Câmara, que o entusiasmo dos Vereadores era tão grande que, na sessão, eles gritavam: "viva a liberdade, viva a democracia". Consta, também, que, depois da sessão, o presidente, Valdomiro Araújo, convidou todos os Vereadores para um coquetel (cocktail), na sorveteria Taça de Ouro, onde comemoraram, festivamente, a vitória da revolução. 

Por falar em sorveteria Taça de Ouro, abro um parêntese, para registrar um fato curioso que acontecia em Itaporanga e que era típico da cidade e dos jovens itaporanguense da época. De frente dessa sorveteria, todas as noites e, mais acentuadamente, nos fins de semana, os jovens se reuniam, formando um corredor de adolescentes e rapazes. Dentro desse corredor humano, as jovens, moças e, até mesmo, as coroas, andavam pra cima e pra baixo. Nesse movi mento, pra lá e pra cá, os olhares se entrelaçavam e, daí, surgia o namoro, terminando, muitas das vezes, em casamento. Era o famoso "passeio". 

Posso, até, estar enganado, mas acredito que a Câmara Municipal de Itaporanga tenha sido a única do Brasil a comemorar, efusivamente, a "Revolução de 31 de Março de 64", Revolução, que prendeu e tirou do nosso País muitos brasileiros, dentre os quais, o jornalista Paulo Conserva, um dos mais ilustres e inteligentes moradores de Itaporanga, embora injustiçado e não reconhecido. 

No dia 18 de maio de 1964, a Câmara aprovou a venda de um motor com gerador de energia e a compra de um transformador de grande potência para a iluminação da cidade. No dia 24 de junho desse mesmo ano, o vereador Petronilo Epaminondas de Sousa afastou-se do cargo, assumindo o seu lugar, o Suplente Djacir Sinfrônio. 

Nessa Legislatura de 1964/68, o vereador Felinto Saturnino da Silva, conhecido por Quinzim, apareceu como o parlamentar mais atuante, pois, além dos requerimentos e projetos, já citados, destacaram-se, também, os seguintes: apelo ao Ministro da Saúde, para fazer funcionar o Hospital Regional, porque, em termos de saúde, Itaporanga tinha, apenas, um Posto de Saúde e um Gabinete dentário; pedido de uma subvenção de vinte e cinco mil cruzeiros para a Associação Cultural e Recreativa dos Estudantes de Itaporanga-ACREI; projeto de lei, autorizando o Prefeito a firmar contrato de concessão e exploração do serviço telefônico urbano, com a SIC-VALE (Serviço InterMunicipal de Comunicação do Vale do Piancó), pelo prazo de 25 anos; propôs o título de "Cidadão Itaporanguense" para o Pe. José Sinfrônio de Assis e de "Cidadã Itaporanguense" para a professora Francinete de Alencar Soares Leite, apesar de esses títulos já terem sido dados, por proposição do Suplente de vereador, no exercício do cargo, Raimundo Nonato de Sousa, na reunião da Câmara, realizada, no dia 01 de agosto de 1960. 

Chagas Soares

Francisco das Chagas Soares, filho de Manoel Soares de Pontes e Maria Soares de Pontes. Nascido, no dia 10 de fevereiro de 1902, em Patos (Pb). Chegou a Itaporanga, com seis anos de idade. Foi Presidente do PSD e do PTB; Vice-prefeito, na Gestão de Francisco Clementino de Carvalho (Dr.Paizinho). 

Lançou a Pedra Fundamental do Ginásio Diocesano Dom João da Mata. Foi comerciante e agricultor. De seu casamento, com Ana Loureiro Soares, nasceram os filhos: Maria Diva Soares, José Soares Madruga (que herdou o interesse pela política), Antônio Soares Loureiro, Rita Soares Loureiro Rodrigues, Paulo Soares Loureiro e Geraldo Loureiro Soares. Faleceu aos 72 anos, na Capital do Estado e foi enterrado, no Cemitério da cidade.

domingo, 14 de setembro de 2014

Sinval Mendonça


SINVAL MENDONÇA PINTO – Décimo quanto prefeito de Itaporanga - 1964 a 1969


Sinval Mendonça Pinto candidatou-se e venceu a campanha política derrotando o ex-deputado Praxedes da Silva Pitanga, com o apoio do deputado Balduino Minerviino de Carvalho, sendo o seu vice o comerciante Paulo Costa Lima. O seu mandato durou seis anos, já que foi prorrogado por mais um, estendendo-se te 1964 a 1969. 

As suas principais realizações foram a construção de mais de 30 mil metros quadrados de calçamento, aquisição de um trator e carroções para o transporte do lixo, manutenção do sistema de abastecimento d’água que era administrado pelo município, manutenção do serviço de energia elétrica, também sob responsabilidade da prefeitura, doação de terreno a CEHAP, no Alto do Santo Antônio, para a construção de casas para os mais carentes, doação de uma ambulância ao Lions Clube de Itaporanga, doação de terreno ao DNOCS para a construção da subestação de energia, além da manutenção de um eficiente serviço de assistência aos mais pobres.

A sua época a Câmara Municipal de Itaporanga tinha a seguinte composição: Ademar Soares, Djaci Sinfrônio da Silva, Edval Figueiredo, Francisco Assis Firmino, Felinto Saturnino da Silva, José Zú Figueiredo, José Manoel de Souza, João Inácio de Araújo Neves e Valdomiro Araújo Lima. Sinval Mendonça tinha três auxiliares diretamente ligados ao seu gabinete: Áurea Gomes Nunes — tesoureira, José Augusto de Carvalho — secretário-geral, e Antônio Pereira Alves — secretário das Finanças. 

Filho do casal Joaquim Mendonça da Costa e Maria Elita Mendonça Pinto, era natural da cidade de Serraria - PB, no Brejo paraibano, onde nasceu no dia 03 de dezembro de 1924. Iniciou seus estudos em Campina Grande, mas como seu pai, agente fiscal do estado, era constantemente transferido, estudou também em Sousa e Soledade, cidade onde com a pouca idade que tinha, trabalhou vendendo cereais em uma pequena mercearia, que era própria. Estudou ainda no seminário paraibano, sendo colega do Monsenhor José Sinfrônio, deixou o seminário e voltou a estudar em Campina. Sinval trabalhou como garimpeiro e desfibrador de agave. Aos dezoito anos, foi servir as Forças Armadas em João Pessoa, no auge da 2ª Guerra Mundial, onde chegou ao posto de Cabo do Exército. Mesmo sendo sempre aconselhado por oficiais a  manter-se incorporado e seguir a carreira militar, achando rígido o regimento da caserna, pediu baixa do Exército e foi trabalhar na SANBRA, como funcionário da Sociedade Algodoeira Nordestina BRAsileira, morou temporariamente em Patos, Picuí.e Teixeira, vindo finalmente a fixar residência em Itaporanga no ano de 1948, onde chegou a ser gerente da algodoeira. Em 1961, para ser candidato a prefeito de nossa cidade, pediu demissão da SANBRA, passando a gerência da mesma a seu compadre e colega de trabalho, José Will Rodrigues. 

Casou-se com Maria VaIdenir Pinto Mendonça com quem teve os seguintes filhos: Maria do Carmo, Onildo e Homero. Sinval adotou Itaporanga como a sua terra e dela nunca mais afastou-se. Exerceu inúmeros outros cargos de relevância no município. Faleceu aos 73 anos de idade, no dia 27 de agosto de 1998.

Sinval Mendonça, foi o primeiro prefeito de Itaporanga, nascido fora do Vale do Piancó (nasceu em Serraria - PB, no Brejo paraibano) e era administrador quando a cidade completava seu centenário, embora não tenha havido comemorações especiais.

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Se porventura, existir algum fato não condizente com a verdade, desculpem-nos, pois, poucas são as fontes de consulta. Os familiares dos ex-prefeitos que quiserem colaborar conosco, com fotos ou documentos; favor entrar em contato com: itaporanga150@gmail.com

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